quarta-feira, 15 de abril de 2020
domingo, 12 de abril de 2020
Diálogo em tempo de cólera
Bom dia, ó rei.
Bom dia, zé povo,
que mandas hoje?
Gostava de saber
quantos são os novos casos de infeção com covid-19 na nossa terra. Tu sabes
tudo…
Eu sei, mas não
te posso dizer.
O quê, não podes
dizer?!
Não. Ordens da senhora
Temido, a ministra da Saúde no governo do senhor Costa.
Ui! Que se passa?
São ordens, são
ordens.
Ó rei Afonso lembras-te
da guerra colonial no teu reino, não lembras?
Se lembro! Aquilo
era um chegar todos os dias de jovens diretamente para o cemitério. Porque perguntas
isso?
Eu era puto, mas
tenho ténues memórias de ir a enterros no cemitério da minha aldeia-natal e ninguém
sabia quem vinha dentro de umas urnas pesadas. Diziam que eram ordens de um tal
António.
O de Santa Comba?
Esse mesmo…
Sabes, ó rei,
tenho pena de ti; aí especado. Tu deste tudo, até as terras, àqueles decisores
da capital e eles agora ignoraram tudo o que está fora do Rossio.
sexta-feira, 13 de março de 2020
Olhar da semana
Uma pandemia carateriza-se pela verificação de vários fatores, entre eles o fator geográfico, ou seja, quando todas as pessoas do mundo correm riscos. E, aproveitando o termo tão falado nos últimos tempos, como seria se no contágio fossemos capazes de, numa melhor gestão do bom senso, colocar o egoísmo de quarentena.
Carla Rodrigues,
advogada, Igreja Viva, 20.03.12
quinta-feira, 12 de março de 2020
Virtudes menores
O trabalho que nós, os porcos, levamos a cabo é intelectual. Toda a administração desta quinta repousa sobre os nossos ombros.George Orwell, A Quinta dos Animais
O gajo serve
para vos entreter; adiando o exterior? Isso é comunicação!
O gajo não
presta para mais nada, a não ser, ser o vosso desejo branco de olhar o que
rodeia os desejos parvos dos decisores? Ele é o máximo responsável da
comunicação!
Eles são tudo!
Especialistas de sistemas que engrenam as parvas tropelias dos dias; de tudo o
que tape incapacidades.
Quem os dirige
nos dias que correm, tem disfarces; bem camuflados: diretor-geral, secretário-geral
ou outra instância geral. Eles sentados, feitos velhotes em frente ao ecrã,
julgando-se dominadores do cosmos. Às vezes, só às vezes, despertam e percebem
como são parvos. É nessa altura que exigem a contratação de outros parvos (mais
novos, mais inteligentes e mais capazes) que exigem ser os próximos inimigos
internos do império agonizante.
O tal vil metal
adora!
Como gosto do fabuloso livro; pequeno é certo, mas enorme nas ideias, de George Orwell!
Aconselho vivamente a todos os decisores dos dias cinzentos que por aí abundam.
quarta-feira, 11 de março de 2020
e se não fosse natal?
hoje o que vimos
foi silêncio – um exército impiedoso
de
distanciamento –, a verdade deslembrada dos nossos cumprimentos
parvos e inseguros
de cada manhã; entrando no escrínio?
estamos mesmo na eterna ilha do
tempo de solidão!
de tantas solidões.
hoje apreciei –
gostamos todos, pareceu-me! – de cuidar da morte;
à volta do
cantinho do nosso amigo comum: joão de seu nome
– manipulador
disforme diante do real! – foi fabuloso!
e depois? silêncio; o distanciamento
de sempre!
na sala – insinuando
aguentar a música agressiva e violenta
na arte de
perder tempo – ficamos os de sempre. hoje;
como sempre a
diferença não foi o grupo foram as vaidades individualizadas.
terça-feira, 10 de março de 2020
desvendando novos vestígios
não acato o
alerta eletrónico do despertador;
as molas do
devir saltam-me do aconchego antes
das disposições para
o alvorecer; ordens do dia
diziam-nos, não
era?
abrir janelas;
despertar o silêncio do corpo
abrir o diálogo
eis o invisível
tronado visível
(almas
que se misturam)
não! não espero
um futuro sem arestas;
conheço tão bem
as águas calmas; afinal sempre
foram a mulher
espantosa!
domingo, 8 de março de 2020
Estabilidade de fachada
Acredito em deus. Não
acredito em nenhuma religião que me queira transmitir Deus.
Frederico
Lourenço, E, 16.09.10
Há uma “proposta
de alteração constitucional” em cima da mesa que perspetiva, na Rússia
do senhor Vladimir Putin, algo que só alguns entenderão. Perdão! Só uma máquina
cega e seguidista entenderá.
Quer o senhor
todo-poderoso da Rússia que – para além da “defesa da verdade histórica sobre
o papel da União Soviética na II Guerra Mundial” – ratificar a “fé em Deus” e banir
casamento gay na Constituição russa (título do jornal Público,
20.03.04).
Quando leio o
texto com assinatura de António Saraiva Lima, só me apetece deixar de olhar
para os dias cinzentos que os líderes totalitários querem impor. Mas, diz-me o
destino e a indiferença humana que tal é improvável; quase de certeza
impossível.
Felizmente que –
como sublinha o analista político Konstantin Kalatchov, citado na peça
jornalística do Público – parece que os antepassados russos deram ao seu
povo a fé em Deus e as ideias comunistas! Caramba! Fé nos comunistas e
em deus!
E quando é
assim, quem duvida da eficácia das doutrinas?
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