terça-feira, 8 de junho de 2021

Estranha mística

O silêncio agiganta-se, é verdade.

Ana Cristina Leonardo, Ípsilon, 20.05.01

 

Desconfianças que restam em reparos dentro de um território que se pretende sem censura e criativo; no que às artes diz respeito: a tinta é cinzenta; de um cinzento amorfo, não é?

E ainda por cima é inconstante!

Só que existe. E pinta; destruindo criações que têm pinta!

 

Eles acham que fazem história. Mas não; a história faz-se de criatividade e capacidade de convívio.

O resto não entra no domínio do razoável.

 

segunda-feira, 7 de junho de 2021

olhar da semana


O partido de André Ventura teve novo congresso, num encontro que teve tanto de reunião de seita como de conclave politico.

Martim Silva, Expresso, 21.06.04

domingo, 6 de junho de 2021

deus entra em campo

cruzam-me os odores; cheiros que aguilhoam memórias

permanecem saudades; certezas afirmando futuros.

passam vontades; convicções em desafios das memórias.

ficam veredas; garantias que nos conservam vivos.

 

o campo tem mais encanto; mais aromas e memórias.

no campo a vontade cresce entre os caminhos que temos na mão.

 

sábado, 5 de junho de 2021

Fechar a porta

Temos de deixar este mundo melhor, para o darmos ao futuro. Somos convidados do planeta.

Nalimi Malami, artista indiana, E, 21.02.12

 

Hoje, dia 5 de junho, a necessidade e a urgência de futuro, obrigam a celebração. Sim; a celebração do dia maior do que ao Ambiente diz respeito: o dia internacional do Ambiente, também conhecido como dia da Ecologia.

Afinal, celebrar é também e muito participar e estar.

Só que, como muito bem escrevia Victor Hugo – romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos nascido a 26 de fevereiro de 1802 em França –, é triste pensar que a natureza fala e que o género humano não a ouve. Urge, pois escutar a natureza e mitigar as suas dores.

 

Olhando por aqui, ao pé da porta, há uma reflexão muito simples a fazer sobre uma realidade fundamental para a continuação da vida humana no planeta azul: a horta pedagógica não tem que ter roçadoras a cortar e a desfazer o território das abelhas.

Se não, comemorar o Ambiente será uma treta; será antes celebrar o fim.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Mão férrea do destino

Continuamos a pensar que estamos simplesmente a manipular outros seres num vácuo, como se fosse possível separar a “natureza” ou o “meio ambiente” do meio social. Mas como?

Timothy Morton, filósofo do Antropoceno, Ípsilon, 20.05.15

Leio o texto de Diana Baptista Vicente no jornal Público (21.05.21) Desastres climáticos geraram mais deslocados do que a guerra e não fico nada espantado; apenas mais preocupado. E entrando no texto o espanto vai aumentando. É que, apesar das restrições à circulação impostas devido à covid-19, cerca de 40,5 milhões de pessoas foram forçadas a deslocar-se em 2020, o maior valor dos últimos dez anos.

Porquê? Porque o seu habitat, a pequena pátria onde nasceram já não é hospitaleira. Como tantas pequenas pátrias pelo planeta.

Já pensamos que este número enorme de deslocações é três vezes mais do que as deslocações por conflitos e violências?

 

Acho que não pensamos. Pelo menos os decisores de futuros não.

E assim vamos, cantando e rindo para o fim.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

olhar da semana

 

A natureza é um campo de batalha. E a guerra em curso não é aquela imanente às leis do equilíbrio natural nem tem nenhum aspeto darwinista, mas é uma guerra civil mundial, assimétrica, entre os açambarcadores e os expropriados.

António Guerreiro, Ípsilon, 21.05.28


quarta-feira, 2 de junho de 2021

Estranha estranheza


Foi em estado de felicidade que António Costa entregou a sua moção de estratégia ao Congresso do PS. Não é para menos: foi o maior vencedor do “congresso das direitas”.

Ana Sá Lopes, Público, 21.05.28

O mal e o bem à cara vêm, dizia o avô, olhando desconfiado para as asneiras que nos faziam correr no chão térreo onde arquivávamos os dias. Lembrei o avô ao olhar para o que o vocalista dos Blind Zero escreve no Jornal de Noticias (21.05.28): há uma fragância a obituário nos derradeiros momentos do MEL, congresso no qual – apesar da omissão ao “Ergue-te” (ex-PNR) – desfilaram as várias tendências da direita e da extrema-direita portuguesa.

E não tem razão Miguel Guedes? Como, aliás, Pedro Santos Guerreiro (Expresso, 21.05.28): a convenção do MEL mostrou que não há vento nem casamento e que a direita não tem ideia do seu futuro, quanto mais do futuro do país.

Por que teria sido?

Eles é que sabem, mas o diretor do Público (21.05.29) resumiu muito bem o que se terá passado: o debate sobre o futuro da direita caiu na armadilha do vinil riscado: um determinado momento do tema, cai na repetição.

Pois é! José Mendes (Diário de Noticias, 21.05.30) alinha pelo mesmo diapasão. Repara nas suas palavras: a semana que hoje finda poderia ter sido o canto do cisne da direita portuguesa. Mas não foi. O encontro do Movimento Europa e Liberdade, também conhecido por Convenção das direitas, foi um rotundo fracasso.

O mal e o bem à cara vem, dizia o avô, olhando desconfiado para as asneiras que nos faziam correr no chão térreo onde arquivávamos os dias. E a cinza do cigarro sem filtro do avô ia caindo em magotes cinzentos, mostrava um cigarro sem filtro que ia morrendo lentamente.

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...