segunda-feira, 12 de julho de 2021

Guerra antiga

Quando se é pequeno ainda não existe dimensão para o entender, mas o sofrimento alheio atrai pelo lado dramático: como num filme.

Rui Vítor Costa, O Comércio de Guimarães, 20.03.11

 

Ao ler O som e a fúria, de Wlliam Faulkner chorei. Pela simples razão de que ainda não fui capaz de apagar da memória palavras como estas: “quando um homem trabalha o dia todo gosta de se ver rodeado pela família à hora da ceia”.

Parece que estou a ouvir o pai.

É verdade que a hora da (nossa) ceia era bem cedo; o pai tinha que conquistar o monte de Currelos, puxando a bicicleta, a velha pasteleira.

Para estar, na hora certa, no sítio certo.



 

sábado, 10 de julho de 2021

estranhos movimentos


 o homem no seu labirinto: encontro branco

na tempestade perfeita dos dias


o homem no seu labirinto; novo herói 

do século vinte e um

continua, na realidade, perdido

 

no seu labirinto; labirinto

sem cor e sem sinais de esperança.

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Vida sem futuro

O vazio da sociedade, sobretudo o vazio da ausência de valores, é (ou deveria ser) o mais ensurdecedor dos ruídos.

Rui Vieira Nery, E, 19.03.16

 

Cenas de esplanadas em tempos ainda pouco libertos:

os papás agarrados – de forma felina, na verdade! – ao telemóvel; os filhos – dois putos giros e plenos de vida –, brincando com a caixa dos guardanapos de papel.

O pai levanta os olhos e berra: eu mando-vos lá para dentro.

Os filhos, rapaz e menina, olham os pais e param.

Os pais voltam aos telemóveis e os putos deliram e riem.

 

Os tempos são diferentes, não são?

 

quinta-feira, 8 de julho de 2021

olhar da semana


Quando a orientação sexual mata talvez seja altura da sociedade parar e avaliar os seus valores, as suas prioridades, os seus medos, de sair em busca da humanidade perdida.

Carla Rodrigues, Igreja Viva, 21.07.08

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Harmonia desordenada

Todos nós, enquanto indivíduos, respondemos aos ambientes em que nos encontramos.

Charles Montgomery *, Smartcities, julho 2019

 

Outra das coisas que não entendo e que vejo logo pelas sete horas da manhã é o ruído e a poeira que uns aspiradores que a mesma Vitrus utiliza para limpar os jardins.

Ali na alameda S. Dâmaso é tremendo o barulho e a poeira no ar!

E depois sejamos realistas, o que polui mais as folhas que antigamente erram varridas ou os gases libertados por aqueles aspiradores? Ou serão bufões?

 

domingo, 4 de julho de 2021

Vias sem rumo

Há uma certa ideia de ver as cidades pelo património grandioso, as ruas, os monumentos, os jardins. Mas há também os pormenores [que] fazem a diferença.

Helder Pacheco, in Público, 20.11.06

 

Na rua da Liberdade, mas principalmente, na viela de Trás Gaia, há sempre carros fora do sítio. A estorvar as pessoas que passam e as que trabalham.

Não é a primeira vez que vejo a viatura de recolha do lixo da Vitrus ficar preso ali em Trás Gaia. Perdão, preso, não, porque ele não sai da rua da Liberdade, mas a deixar lixo por recolher porque há sempre um veículo atravessado que impede a passagem dos trabalhadores da recolha. E isto é quase diário.

E passo por ali, manhã bem cedo; podendo ver estas e muitas outras anomalias no espaço público.

Mas, enfim, é o civismo que nos emoldura como os melhores!

Tretas!

 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Olhar (local) da semana


 

Os vimaranenses são assim. Um amor incondicional à sua terra que Jorge Sampaio, de forma feliz, cunhou como um “patriotismo de cidade”. O atual Presidente da República, quando confrontado com a expressão, confirmou a felicidade da definição.

José João Torrinha, Mais Guimarães, 21.06.30

Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...