segunda-feira, 7 de junho de 2021

olhar da semana


O partido de André Ventura teve novo congresso, num encontro que teve tanto de reunião de seita como de conclave politico.

Martim Silva, Expresso, 21.06.04

domingo, 6 de junho de 2021

deus entra em campo

cruzam-me os odores; cheiros que aguilhoam memórias

permanecem saudades; certezas afirmando futuros.

passam vontades; convicções em desafios das memórias.

ficam veredas; garantias que nos conservam vivos.

 

o campo tem mais encanto; mais aromas e memórias.

no campo a vontade cresce entre os caminhos que temos na mão.

 

sábado, 5 de junho de 2021

Fechar a porta

Temos de deixar este mundo melhor, para o darmos ao futuro. Somos convidados do planeta.

Nalimi Malami, artista indiana, E, 21.02.12

 

Hoje, dia 5 de junho, a necessidade e a urgência de futuro, obrigam a celebração. Sim; a celebração do dia maior do que ao Ambiente diz respeito: o dia internacional do Ambiente, também conhecido como dia da Ecologia.

Afinal, celebrar é também e muito participar e estar.

Só que, como muito bem escrevia Victor Hugo – romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos nascido a 26 de fevereiro de 1802 em França –, é triste pensar que a natureza fala e que o género humano não a ouve. Urge, pois escutar a natureza e mitigar as suas dores.

 

Olhando por aqui, ao pé da porta, há uma reflexão muito simples a fazer sobre uma realidade fundamental para a continuação da vida humana no planeta azul: a horta pedagógica não tem que ter roçadoras a cortar e a desfazer o território das abelhas.

Se não, comemorar o Ambiente será uma treta; será antes celebrar o fim.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Mão férrea do destino

Continuamos a pensar que estamos simplesmente a manipular outros seres num vácuo, como se fosse possível separar a “natureza” ou o “meio ambiente” do meio social. Mas como?

Timothy Morton, filósofo do Antropoceno, Ípsilon, 20.05.15

Leio o texto de Diana Baptista Vicente no jornal Público (21.05.21) Desastres climáticos geraram mais deslocados do que a guerra e não fico nada espantado; apenas mais preocupado. E entrando no texto o espanto vai aumentando. É que, apesar das restrições à circulação impostas devido à covid-19, cerca de 40,5 milhões de pessoas foram forçadas a deslocar-se em 2020, o maior valor dos últimos dez anos.

Porquê? Porque o seu habitat, a pequena pátria onde nasceram já não é hospitaleira. Como tantas pequenas pátrias pelo planeta.

Já pensamos que este número enorme de deslocações é três vezes mais do que as deslocações por conflitos e violências?

 

Acho que não pensamos. Pelo menos os decisores de futuros não.

E assim vamos, cantando e rindo para o fim.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

olhar da semana

 

A natureza é um campo de batalha. E a guerra em curso não é aquela imanente às leis do equilíbrio natural nem tem nenhum aspeto darwinista, mas é uma guerra civil mundial, assimétrica, entre os açambarcadores e os expropriados.

António Guerreiro, Ípsilon, 21.05.28


quarta-feira, 2 de junho de 2021

Estranha estranheza


Foi em estado de felicidade que António Costa entregou a sua moção de estratégia ao Congresso do PS. Não é para menos: foi o maior vencedor do “congresso das direitas”.

Ana Sá Lopes, Público, 21.05.28

O mal e o bem à cara vêm, dizia o avô, olhando desconfiado para as asneiras que nos faziam correr no chão térreo onde arquivávamos os dias. Lembrei o avô ao olhar para o que o vocalista dos Blind Zero escreve no Jornal de Noticias (21.05.28): há uma fragância a obituário nos derradeiros momentos do MEL, congresso no qual – apesar da omissão ao “Ergue-te” (ex-PNR) – desfilaram as várias tendências da direita e da extrema-direita portuguesa.

E não tem razão Miguel Guedes? Como, aliás, Pedro Santos Guerreiro (Expresso, 21.05.28): a convenção do MEL mostrou que não há vento nem casamento e que a direita não tem ideia do seu futuro, quanto mais do futuro do país.

Por que teria sido?

Eles é que sabem, mas o diretor do Público (21.05.29) resumiu muito bem o que se terá passado: o debate sobre o futuro da direita caiu na armadilha do vinil riscado: um determinado momento do tema, cai na repetição.

Pois é! José Mendes (Diário de Noticias, 21.05.30) alinha pelo mesmo diapasão. Repara nas suas palavras: a semana que hoje finda poderia ter sido o canto do cisne da direita portuguesa. Mas não foi. O encontro do Movimento Europa e Liberdade, também conhecido por Convenção das direitas, foi um rotundo fracasso.

O mal e o bem à cara vem, dizia o avô, olhando desconfiado para as asneiras que nos faziam correr no chão térreo onde arquivávamos os dias. E a cinza do cigarro sem filtro do avô ia caindo em magotes cinzentos, mostrava um cigarro sem filtro que ia morrendo lentamente.

terça-feira, 1 de junho de 2021

Estranho passo

foto: João Porfírio (Observador)

Há qualquer coisa de trágico – e ao mesmo tempo de quase comovente – em Rui Rio.

Ana Sá Lopes, editorial, Público, 21.05.27

 

Rio lamenta que o PS não aproveite o líder da oposição que tem, pode ler-se em título no jornal Público do dia 27 de maio a propósito de uma participação do ainda líder laranja numa coisa com mel. Uma coisa que, como se sabe e verá a seguir, foi um fiasco a toda a prova. 

Ah! Da peça jornalística com pena de Sofia Rodrigues importa destacar: à saída da reunião do Conselho de Estado ontem Francisco Pinto Balsemão avisou Rio: não se esqueça, nós eramos de centro-esquerda.

Era tão importante que Rui Rio não estivesse onde não sabe, não era?

É que fica-se com a impressão de que a memória e a história nada valem para o ainda líder do PSD!


Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )