O partido de André Ventura teve novo congresso, num encontro que teve tanto de reunião de seita como de conclave politico.
Martim Silva,
Expresso, 21.06.04
Martim Silva,
Expresso, 21.06.04
cruzam-me os
odores; cheiros que aguilhoam memórias
permanecem
saudades; certezas afirmando futuros.
passam vontades;
convicções em desafios das memórias.
ficam veredas;
garantias que nos conservam vivos.
o campo tem mais
encanto; mais aromas e memórias.
no campo a
vontade cresce entre os caminhos que temos na mão.
Temos de deixar este mundo melhor, para o darmos ao futuro. Somos convidados do planeta.
Nalimi Malami, artista indiana, E, 21.02.12
Hoje, dia 5 de
junho, a necessidade e a urgência de futuro, obrigam a celebração. Sim; a
celebração do dia maior do que ao Ambiente diz respeito: o dia internacional do
Ambiente, também conhecido como dia da Ecologia.
Afinal, celebrar
é também e muito participar e estar.
Só que, como
muito bem escrevia Victor Hugo – romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta,
artista, estadista e ativista pelos direitos humanos nascido a 26 de fevereiro
de 1802 em França –, é triste pensar que a natureza fala e que o género humano não a ouve.
Urge, pois escutar a natureza e mitigar as suas dores.
Olhando por
aqui, ao pé da porta, há uma reflexão muito simples a fazer sobre uma realidade
fundamental para a continuação da vida humana no planeta azul: a
horta pedagógica não tem que ter roçadoras a cortar e a desfazer o território
das abelhas.
Se não, comemorar o Ambiente será uma treta; será antes celebrar o fim.
Continuamos a pensar que estamos simplesmente a manipular outros seres num vácuo, como se fosse possível separar a “natureza” ou o “meio ambiente” do meio social. Mas como?
Timothy Morton, filósofo do Antropoceno, Ípsilon, 20.05.15
Leio o texto de Diana Baptista Vicente no jornal Público (21.05.21) Desastres climáticos geraram mais deslocados do que a guerra e não fico nada espantado; apenas mais preocupado. E entrando no texto o espanto vai aumentando. É que, apesar das restrições à circulação impostas devido à covid-19, cerca de 40,5 milhões de pessoas foram forçadas a deslocar-se em 2020, o maior valor dos últimos dez anos.
Porquê? Porque o
seu habitat, a pequena pátria onde nasceram já não é hospitaleira. Como tantas
pequenas pátrias pelo planeta.
Já pensamos que
este número enorme de deslocações é três vezes mais do que as deslocações por conflitos
e violências?
Acho que não
pensamos. Pelo menos os decisores de futuros não.
E assim vamos,
cantando e rindo para o fim.
A natureza é um
campo de batalha. E a guerra em curso não é aquela imanente às leis do
equilíbrio natural nem tem nenhum aspeto darwinista, mas é uma guerra civil
mundial, assimétrica, entre os açambarcadores e os expropriados.
António Guerreiro,
Ípsilon, 21.05.28
Foi em estado de felicidade que António Costa entregou a sua moção de estratégia ao Congresso do PS. Não é para menos: foi o maior vencedor do “congresso das direitas”.
Ana Sá Lopes, Público, 21.05.28
O mal e o bem à cara vêm, dizia o avô, olhando desconfiado para as asneiras que nos faziam correr no chão térreo onde arquivávamos os dias. Lembrei o avô ao olhar para o que o vocalista dos Blind Zero escreve no Jornal de Noticias (21.05.28): há uma fragância a obituário nos derradeiros momentos do MEL, congresso no qual – apesar da omissão ao “Ergue-te” (ex-PNR) – desfilaram as várias tendências da direita e da extrema-direita portuguesa.
E não tem razão
Miguel Guedes? Como, aliás, Pedro Santos Guerreiro (Expresso, 21.05.28): a convenção
do MEL mostrou que não há vento nem casamento e que a direita não tem ideia do
seu futuro, quanto mais do futuro do país.
Por que teria
sido?
Eles é que
sabem, mas o diretor do Público (21.05.29) resumiu muito bem
o que se terá passado: o debate sobre o futuro da direita caiu na
armadilha do vinil riscado: um determinado momento do tema, cai na repetição.
Pois é! José
Mendes (Diário de Noticias, 21.05.30) alinha pelo mesmo diapasão.
Repara nas suas palavras: a semana que hoje finda poderia ter sido o
canto do cisne da direita portuguesa. Mas não foi. O encontro do Movimento
Europa e Liberdade, também conhecido por Convenção das direitas, foi um rotundo
fracasso.
O mal e o bem à
cara vem, dizia o avô, olhando desconfiado para as asneiras que nos faziam
correr no chão térreo onde arquivávamos os dias. E a cinza do cigarro sem
filtro do avô ia caindo em magotes cinzentos, mostrava um cigarro sem
filtro que ia morrendo lentamente.
foto: João Porfírio (Observador)
Há qualquer coisa de trágico – e ao mesmo tempo de quase comovente – em Rui Rio.
Ana Sá Lopes, editorial, Público, 21.05.27
Rio lamenta que o PS não aproveite o líder da oposição que tem, pode ler-se em título no jornal Público do dia 27 de maio a propósito de uma participação do ainda líder laranja numa coisa com mel. Uma coisa que, como se sabe e verá a seguir, foi um fiasco a toda a prova.
Ah! Da peça
jornalística com pena de Sofia Rodrigues importa destacar: à saída da reunião do Conselho de
Estado ontem Francisco Pinto Balsemão avisou Rio: não se esqueça, nós eramos de
centro-esquerda.
Era tão
importante que Rui Rio não estivesse onde não sabe, não era?
É que fica-se
com a impressão de que a memória e a história nada valem para o ainda líder do
PSD!
Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos ( Relógio d’ Água )