quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Realidades doentias


 Quando se começa a adulterar muito uma coisa é sinal que o original corre perigo.

Miguel Esteve Cardoso, Público, 20.08.21

 

Quando vejo por aí – nas redes sociais, pois claro! – pessoas com mais idade a mostrarem-se à varanda fico em pânico; incapaz de reagir.

Só penso em imagens graves e muito intensas de outros tempos e outros espaços. Maquiavélicos e destruidores.

Na dúvida aconselho a leitura de um senhor que sabe do que fala, Richard Zimler e os seus dez espelhos. Mesmo ficando sempre preso às dores de Primo Levi no seu  livro se isto é um homem.

 

PS – aos senhores que fecham lares e matam em vida as pessoas que não sentem nem tocam nos seus entes queridos faço um desafio: os lares-prisão que o professor de Economia da Universidade do Minho publica no semanário Expresso do último sábado dar-vos-á, seguramente, uma resposta. A não ser que queiram continuar cegos, mudos e insensíveis à dor dos dias. Por mim, que sei bem e de muito pero do que falo, só me resta um desejo: a melhor memória dos meus é a da presença; nunca será a da ausência.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Provocações pandémicas

Sensatez é o que se pede, mas não é com tanto silêncio e passadeiras vermelhas que se é sensato.

Teresa Villaverde, Público, 20.08.18

 Há presidentes que têm medo de tudo – hipocondríacos até – menos de feiras do livro ou será, apenas, impressão de quem só olha o mundo sem por o pé na soleira da porta?

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

em busca da claridade


velhas lutas; sempre o mesmo dissabor!

não, não é um título frio!; apenas realidades

frias que circulam por aí desfazendo a madrugada

cósmica – uma noite perigosa e o planeta esfalfa.

 

corpos, lugares e legados! estúpida e freneticamente

sobre o umbigo da criação. velhas lutas – em ambas

as margens da clarividência – não, não há um criador!

apenas elogio de uma criação. elogio feito corpo?

 

apenas se vislumbra o mapa das palavras.

depois; um sonho. profundo

de estilo variado.

 

o pior é que estávamos lá todos. no seu ventre

um carro branco rasga o silêncio. eis a claridade imposta

domingo, 4 de outubro de 2020

Apelo do passado

Quando falamos de Igreja, já não falamos das comunidades de cristãos que verdadeiramente acreditam no amor e na justiça que praticam.

Anselmo Borges, E, 20.08.15

 

Há uma carta aberta de pessoas que muito estimo pela forma como olham os dias – católicos “envergonhados” como titula a peça da Natália Faria (Público, 20.09.22) – que agradeço como português; cidadão de um país livre.

E não é só por se tratar de uma “desastrada forma de intervenção cívica” a forma como Manuel Clemente – que diferente se tornou este senhor; vencedor de um prémio Camões, desde que assentou arrais em Lisboa! –, apoiou o manifesto contra a obrigatoriedade e desenvolvimento.

Na verdade, a diferença entre o fascismo omnipresente do estado novo e a forma encapotada como uma certa igreja portuguesa dos nossos dias se agita não é muito grande.

 

sábado, 3 de outubro de 2020

Olhar da semana

O vírus parece ter um detetor de líderes políticos que o desvalorizam: Boris Johnson, Bolsonaro e agora Trump. É certo que Boris aprendeu, mas Bolsonaro não. Quanto a Trump, deve ser linha Bolsonaro, embora não seja exagero pensar que possa ser encenado.

Henrique Monteiro, Expresso, 20.10.03

 

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Alegre indiferença


No próximo dia 13 de outubro iniciar-se-á mais uma manobra de diversão para contornar a falta de coragem dos sucessivos governos após 76, em aplicar o consagrado na Constituição da Republica Portuguesa no respeitante à criação das Regiões Administrativas.

 Torcato Ribeiro, reflexodigital, 20.10.01

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

A mulher avança


 foto: António Pedro Ferreira (Visão)

Desde quando objeção de consciência se aplica a uma ideia da qual discordamos?

Bárbara Reis, Público, 20.09.18

 

Há dias que sofro de uma sonolência perigosa; não durmo à noite da forma como dormia habitualmente.

E porquê?

Vejo sempre uma tal de Ana Rita Cavaco – Cavaco?; cruzes canhoto! – num palco reacionário ao lado de um amigo que foi três vezes a votos para se afirmar na agremiação que dirige.

Acordo, transpiro e não paro de questionar: por que carga de água a senhora bastonária da Ordem dos Enfermeiros se mete num encontro onde, por exemplo, se defendeu uma proposta de remoção de ovários a mulheres que optem por interromper a gravidez?

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )