quinta-feira, 28 de novembro de 2013

a minha casa é o teu sorriso



os carros. a chuva. a ausência do silêncio
uma orquestra do outro lado da rua. pálida. vazia.
sons tristíssimos! a noite.
os carros passam. a chuva apaga-se. o silêncio
desfaz-se. a noite embebeda-se
os carros, as vozes, os violinos, a noite, os carros. a rua vazia
sons vazios; distantes!
na noite

uma harpa toca sob as mãos do maestro
os carros param. vozes belas! carros lindos
mulheres belíssimas. que coro!
não há anjos!
se estivessem por aí fundiam os carros
a chuva; as mãos
do maestro e as vozes das mulheres belas.

já não há foguetes. nem carros. só silêncio
que bom! a minha casa; o teu sorriso.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Frase da semana

Antecipo o pesadelo: vem aí o natal. Não, não vou falar de pobres. Nem sequer dos a fingir.
Ana Cristina Leonardo, atual, 13.11.23

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

elogio da soberba

desde que me mataste
continuo empregado de mesa; é o meu lado
selvagem
que apagava a luz da tua vaidade
no olhar; se calhar tudo começa
na dificuldade em alcançar a disciplina
das ilusões!

desde que me mataste
continuo empregado de mesa; lugar onde se vê
tudo: olhares impacientes; ausência de uma tradição
de palavras; misterioso roubo do cartaz
que nos promovia.
lado selvagem

a entrar no teu olhar; percorrendo
pedaços ténues do universo; num ritual que não sei
quem é – e o que é – uma entrada que se abre
a cada instante? desde que me mataste
continuo empregado de mesa. no insosso
espaço – temos de condensar o tempo
e caminhar com o fado que abraçaste!
no imenso espaço

alcançarei o bastante? nem tudo
o que luz é ouro no insípido espaço. desde que me mataste
continuo pronto a servir-te. na mesa

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Rotinas de fábrica

Toda a gente tem planos; todas as pessoas apostam em propostas de futuro.
Mesmo ousando diferenças!
Por isso torna-se impossível perceber que muitas das decisões importantes de futuro – seja onde for – sejam tomadas (nos locais próprios; é verdade!), mas estando já no conhecimento da comunicação social que, em primeira mão, as transmite aos membros desses órgãos; ainda que estes sejam próprios, únicos, representativos e vinculativos.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Adoro a liberdade

No nosso país ninguém sabe ouvir e toda a gente sabe muito (ou está iludida nas suas certezas). Aí reside em parte o nosso atraso.
Elísio Estanque, Público, 13.11.16
 
Por que carga de água cada um de nós não pode participar naquilo que o motiva, seja partido politico, religião ou outra coisa qualquer?
E, nesse caso, o meu partido (ou chefe partidário), por exemplo, tem que saber de que clube sou? Ou o bispo da minha religião se tenho as quotas em dias no meu clube de eleição?

Como adoro a liberdade! E ela nunca impediu a participação das pessoas seja no que for. E tem uma grande vantagem: escuta; ouve como quem sabe decidir e deixa que cada um siga em frente.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Estranhas misturas


Há diferenças entre estar onde se quer e onde se pode?
Há, com toda a certeza!
Mas há também quem misture o que não é nem deve ser misturável.

Estará por aí alguma explicação para tantos fantasmas feitos notícias de última hora que assessores deixam cair como castanhas a saltar dos assadores?

domingo, 17 de novembro de 2013

Ameaça mais séria II?

Afinal, pelos resultados que tenho recolhido (leia-se recebido), na vila de Caldas das Taipas ainda reina um raciocínio primário à volta da gestão da coisa pública de fazer feridas.

E de tal ordem que aqueles que são incapazes de apresentar uma ideia de crescimento; melhor, que só sabem lutar contra tudo o que vá de Guimarães, fazem filmes que têm como guião apenas e só a disciplina das ilusões.

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )