terça-feira, 3 de junho de 2014

Coisas que me tiram o sono

foto: rr.sapo.pt
Dirigente da justiça vai a tribunal.
Expresso, 14.05.31

Há títulos que me assustam. Perdão!, que me despertam para o mundo real.

Daí que, voltando ao semanário Expresso, e lendo

«segundo a procuradora-geral da República, existem “apenas duas investigações no MP [Ministério Público] sobre negócios militares”»
ou seja e puxando o titulo da peça jornalística, “só há casos judiciais da época de Portas”, só posso afirmar:
Que país!
Que vergonha!
Assim não!

Quando mudamos de políticos?

Tão certo como a morte

Os políticos são eleitos para trabalhar em prol do bem comum, estar ao serviço dos outros e essa função é uma forma sublime de exercer caridade, aquilo que alguns designaram de «santidade politica».
Paula Oliveira, vereadora da ação social, fiscalização e contencioso, na câmara de Guimarães, contaco svd, maio/junho
Gosto desta bondade!
Tomara que toda a gente olhasse assim para a vida politica!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Ecos de contendas III

Aquilo que está a acontecer no partido socialista – e ainda só passaram duas semanas sobre umas eleições onde a direita foi esmagada – com a estapafúrdia mania de esfaquear por dentro o que os partidos têm de melhor, é a mais primária violência. Não; não é física, é a mais estúpida e primária violência sobre quem tem dois dedos de testa!
E, depois e de forma mais suave, é vergonhoso. É cobardia; é ódio, é marialvismo (bem ao jeito do Bairro Alto), é vaidade vazia, é (como dizia o meu pai) “mania de se por em cima dos tamancos” – talvez das tamancas, quem sabe!

Ah!, para os puristas do discurso redondo ou para os convencidos da vida, urge pensar que os partidos (por mais que digam que são máquinas de ganhar eleições) são um todo em que os cidadãos deviam acreditar. Mas que, com atitudes como as que vão esfulinhando o PS, cada vez mais, não só não acreditam, como viram as costas aos partidos.

Por isso, e sem medo das palavras, este tempo que corre no PS pode ser também um tempo de pedir responsabilidades a quem gosta de se atirar de cabeça sobre supostas realidades virtuais. Será também o momento de – naturalmente que também em Guimarães – pedir imputações a quem ousa decidir e tomar posição sem ouvir quem está próximo.
E já pensamos como serão os resultados das próximas sondagens?
Quando forem publicadas veremos como a direita se vai rir às bandeiras despregadas. E, aí o feitiço poderá já estar contra o feiticeiro.

Ecos de contendas II

António José Seguro e “o fim do III Reich”, como escreveu um suposto apoiante de António Costa?
Que raio de junção vem a ser esta?

No dia em que a morte entrar pela memória dentro (da internet) haverá quem jure que nunca; nunca, mas nunca mesmo escreveu que António José Seguro “parece agir do seu ninho de águia”?
O líder que evitou a balcanização de um partido à mercê de interesses que agora (qual hidra esfomeada!) levantam pescoços prontos a sugar tudo o que mexe, e que atirou para o canto mais escuro da história um novo PRD (que alguns desejavam a todo o custo), que ganhou duas eleições com pompa e circunstância (não, não estou a falar das 150 autarquias que o partido ganhou – histórico, não é? – estou mesmo a falar do massacre na direita) pode lá andar nos fantasmas da História!

A malvadez sempre atravessou a tacanhez da Humanidade, bem sabemos, mas é preciso ser-se assim tão reles?

Ecos de contendas

E assim vai o maior partido português; aquele que devia já estar na contagem decrescente e na rampa de lançamento para pegar pelos cornos um país à deriva. Infelizmente há razões que a razão desconhece!
Com a calma das horas depois da agitação dos holofotes, que a grande maioria dos políticos cultiva, em prejuízo de outras coisas fundamentais, fico-me pelo registo de ideias para pensar; para limpar teias de aranha densas que impedem a entrada da luz.

1. É onde houve piores resultados que se exige mudança de líderes (José Luis Carneiro, Jornal de Noticias, 14.05.31)
2. António Costa lançou-se na corrida para a liderança do PS. É a terceira vez que tenta ocupar o lugar de António José Seguro. Diz-se que à terceira é de vez. Mas também se diz que tantas vezes o cântaro vai à fonte que algum dia deixa lá a asa. (Pedro Sousa Carvalho, Público, 14.05.30)
3. Com António Costa na liderança, o PS será uma certeza: a certeza de se ver reemergir a política no seu pior. (Ventura Leite, Público, 14.05.30)

Pronto!
Da minha parte acrescento que continuo a pensar e não consigo perceber o que é a Palavra em política, daí que o melhor mesmo é dar a palavra a quem sabe:
Embora haja de facto uma disputa já histórica entre ambos [Seguro e Costa] e se trate de perfis políticos diferentes e até modos diferentes de entender a social-democracia, o problema que se vive no PS está muito para além disso e prende-se com a questão de fundo que foi colocada por estas eleições europeias de forma explícita: a existência de uma crise de representação do sistema politico”.
São José Almeida, Público, 14.06.02

Não foi isso o que Seguro mostrou sábado passado no Vimeiro?

domingo, 1 de junho de 2014

Proibido esquecer

Tanta gente já andou à procura da alma em Lisboa! E anda! E vão andar!
Alexandre O’Neiill, in Uma coisa em forma de assim

Conversa “tipo café”, ali no Toural, centro nevrálgico da vaidade vimaranense e da ausência de rostos – quase sempre mascarados de dirigentes ganhadores, mas evasivos como a hora da morte.
– Tenho que me sentir chateado comigo por estar em total desacordo com aqueles que teimam em enganar-me? Era o que faltava eu continuar a fazer de parte destes senhores que só olham para o trampolim que os catapulta para além de nós!
– A politica não é a arte da fuga; antes a arte do possível, ou seja da harmonia, sabes? E um líder forte antecipa o impossível. Mesmo que pareça muitas vezes para além das utopias escondidas no futuro

     (a alegria de viver a liberdade é fundamental e é urgente)

– Mas a cidade está calma; engolindo em seco as ilusões que lhe vendem os simuladores de coisas parvas vestidas em promessas vás; é certo
– Sabes que conheci hoje uma palavra enorme: mentirologia…
– Mentirologia?
– Sim, a mentira sistemática, organizada. Como estava a dizer, terei que me zangar comigo por estar sempre a adiar e a chutar para canto quem teima em enganar-me…
– Vamos lá tomar o nosso cafezito?
 – Vamos… 

                     (a alegria de viver a liberdade é fundamental e é urgente)

rescaldo da deceção

a história começa; vou ao teu encontro. o resto?
um sonho que deu em ombro. a alma; tu
e eu. nós. se saltamos ficamos a comer lama.

não entendo; a verdade que me impões
tenho dois sois! uma casa em chamas
numa vida em cartaz: é licito matar
em nome das diferenças? espetar a faca
pelas costas. com palmadas a rir?

a história repete-se: encontro das crenças
cultura fechada; dias ditos de transição
a andar à roda. espada esperada com ansiedade;
dar conta aos parasitas que desenham a história
recontada em falsas virtudes. agora?

agora eles esmagam tudo!

Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )