quarta-feira, 30 de junho de 2021

olhar da semana


 Foto: Arquivo Global Imagens

Não deveremos esquecer nunca a imagem de Joe Berardo a rir-se no Parlamento, quando ouvido no âmbito da comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos.

Paula Ferreira, Jornal de Noticias, 21.06.30


quinta-feira, 24 de junho de 2021

luminosidade rural


uma casa semeada no centro das árvores, ramadas

prenhes de uvas americanas. o cheiro a erva húmida

acabada de cortar; o canto dos pardais – lá mais acima

no quintal sempre vestido: o advento no campo.

 

nasci por ali, ali quero voltar. tranquilidade que acende

todas as memórias. vou compor uma festa; a minha festa

de regresso. agora; o tempo é outro. preciso

de te convencer do meu regresso?

 

não acreditas num passado de glória.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Ilusões do infinito *


 V

 

amor!, desculpa os desejos

do mar – são mesmo naves

espaciais!

  

o que nos confunde é mesmo

a intensidade da torre sineira!

 

* com olhares em rui toscano e no catálogo civilizações tipo I, II e III

terça-feira, 15 de junho de 2021

olhar da semana

©UEFA.com

Não deixa de ser maravilhoso como, por uns dias, descobrimos que o futebol, mais do que os capacetes azuis das Nações Unidas, consegue fazer respeitar à escala continental um mesmo código de conduta, as regras do jogo. Em campo, países ricos e países pobres, de distintas geografias, separados por todo o tipo de diferenças culturais, sociais e religiosas, e por vezes até envolvidos em conflitos armados, aceitam jogar sob o mesmo regulamento.

Afonso Camões, Diário de Noticias, 21.06.15


 

domingo, 13 de junho de 2021

fim do princípio

Todos os fins devem ser celebrados. O fim é tão ou mais importante que o início.

Pedro Gonçalves, músico e produtor (Dead Combo), E, 19.12.14

 

O cybercentro já foi um local importante em Guimarães. Mas morreu.

Só que ainda ninguém lhe fez o funeral.

Pelo menos a julgar pela placa existente ali na avenida D. João IV.

Mas, quem sabe?, se não é mesmo só um pormenor sem importância?

 

sábado, 12 de junho de 2021

vivo na palavra


nos diálogos de um coração em risco a palavra

gera equívocos. a deusa fria do destino pousa-me; à escuta

das guitarras confinando o banco do tempo; carregando

a bandeira das geografias amarelas. sinto-a

testemunha estéril de chuvas travestidas na areia;

 

onde te encontrei na viagem às réstias de luz. palavra

de um hóspede de solidão. encontro teus olhos

numa pintura insólita dos delírios da alma; ervas amargas

na horta com nuvens cinzentas. sobre a selva densa

 

da palavra o sol é violento.  é lá que vivo à procura de ti!


sexta-feira, 11 de junho de 2021

Grito da realidade


Os limites somos nós que os definimos.

Ana Padrão, E, 19.06.29

 

Uma multinacional de entrega de refeições vai onde tu queres. Leva-te o prazer e o desperdício ao recanto mais estranho.

 

Num destes dias vi um jovem à procura do sítio exato da entrega que trazia no alforge na minha rua. Não encontrou. Só um telefonema desvendou a coisa: um casal dentro do carro – ali, paredes-meias com o multiusos –, aguardava a sua comidinha fast food.

Registei: É só abrir a porta do carro e comer.

Ah! Aquela cena feita realidade trouxe-me a luz sobre a falta de escrúpulos; pelo menos ambientais, que se constata em cada manhã, entre o multiusos e a horta pedagógica: com montes de lixo com marca registada; e multinacional.

quinta-feira, 10 de junho de 2021

silêncio na planície


vergado ao peso dos anos, coreia entre plantas viçosas.

acarinha-as. mata-lhes a sede. cava espaços

para novas companheiras. lança sementes em segredo à terra

esventrada pelas suas mãos. ao frio. ao vento. ao calor. à chuva.

cumprindo os dias. ritualizando a vida. acelerando o fim.

dando razão à sina prescrita no silêncio do nascimento rural.

 

enxada na mão endireita a vida. mata a fome; a sede. embeleza.

faz crescer. destrói companhias ingratas. que impedem crescimentos

por lá anda vergado; companheiro fiel da terra que o viu nascer.

alimentando harmonias verdes. assobia e cantarola pesadas canções.

passa os dias no seio da mãe-natureza. dá vida ao verde

tornando-se cinzento. cava o caminhando rumo ao silêncio final.


quarta-feira, 9 de junho de 2021

Estranha sedução

Quando digo que acredito em deus estou fora do campo da razão.

Frederico Lourenço, E, 16.09.10

Deus é paciente, dizes tu, mas nunca ninguém o viu nas filas da segurança social; ou nas respostas sérias aos isolamentos profiláticos.

Não gozes! Há loucuras intensas, sim! para quem conserva a alma por escrever; uma alma sempre fria e à espera de abrir a porta branca que incendeia o substancial do acesso a deus.

Posso desafiar deus?

Tu lá sabes! Mas pela forma como usas as minúsculas dás-lhe pouca importância…

 

Não é verdade que os momentos não duram nem é suposto durarem?

olhando a cidade III

  O que ainda falta em Portugal é a presença vegetal. As cidades são muito cinzentas , especialmente na periferia. Sónia Lavadinho, consulto...