há um incêndio lento no interior do silêncio — não
ardes: revelas. és a origem
secreta do pulsar, o intervalo invisível onde
o coração aprende a existir.
nos teus olhos, nada vejo: atravesso — horizontes que
se desfazem, fronteiras
cansadas de ser limite. nos teus gestos, o mundo abranda, ajoelha-se à evidência
do abrigo. e a tua voz — não som, mas memória anterior
ao som — canta
o que o tempo esqueceu antes de nascer. és a ternura que me reconstrói
dos escombros que fui, a luz obstinada que impede a
noite de me possuir
por inteiro. e quando o tempo — esse artesão da perda — tenta
dividir-nos,
o teu nome não cede: lateja gravado na matéria invisível do eterno.
no mundo, asa que me rasga para além dele. és tudo — mas
sobretudo o excesso
do que nenhuma palavra suporta dizer
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