terça-feira, 16 de junho de 2026

o teu amor: luz que não se apaga V

há um incêndio lento no interior do silêncio — não ardes: revelas. és a origem 
secreta do pulsar, o intervalo invisível onde o coração aprende a existir. 
nos teus olhos, nada vejo: atravesso — horizontes que se desfazem, fronteiras 
cansadas de ser limite. nos teus gestos, o mundo abranda, ajoelha-se à evidência
do abrigo. e a tua voz — não som, mas memória anterior ao som — canta 
o que o tempo esqueceu antes de nascer. és a ternura que me reconstrói 
dos escombros que fui, a luz obstinada que impede a noite de me possuir 
por inteiro. e quando o tempo — esse artesão da perda — tenta dividir-nos,
o teu nome não cede: lateja  gravado na matéria invisível do eterno.
 
amor, és princípio que não começa, fim que não termina. raiz que me afunda 
no mundoasa que me rasga para além dele. és tudo — mas sobretudo o excesso
do que nenhuma palavra suporta dizer

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