quarta-feira, 24 de junho de 2026

mergulho sensorial (deriva)


g
rito — claro? — não: lâmina som que abre o sonho ao meio

erguido – não por mãos gastas. alicerces gastos

(cinza sobre cinza sobre cinza)

liberdade? vento frio a atravessar ossos
máquina cega a mastigar o que ainda pulsa

memórias? suspensas — presas entre espanto E riso
um intervalo que não fecha e depois outro grito

(severo, ardente, sem corpo)

esmaga os dias, esmaga a ideia de dia o que sobra
                                                                         (não de nós, mas do lugar onde estivemos)

eápsula de sabores? de odores?
cápsula oca, um eco aromático da pele

aragem quase nada
antes do incêndio

reaprender o nome

II

ruína repete ruína, liberdade repete ausência

frio
silêncio
um campo onde o espanto falha o riso

outro grito

(depois? antes? dentro?)

quente – demasiado quente – até o tempo ceder

dias em chamas, dias esmagados, dias sem superfície

o que resta?
o que resta do cinzento quando o cinzento arde?

aragem outra vez; agora corta, agora fere

olhares: grito dentro do grito
noite ferida. fecha a janela — fecha o visível

esconde o que insiste em não morrer sob a cinza.

há um fogo pronto a aprender a regressar

 

janela: não abre, não fecha; oscila e nesse intervalo —

as coisas lindas de nós sobrevivem inteiras

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