sexta-feira, 27 de março de 2026

outra vez o vento


outra vez o vento;
a infância e as ervas verdes – quase a dessecarem
sob os carvalhos cada vez mais corcovados: sombra e encanto da minha infância!
              (recordo tão bem o carvalho do lado esquerdo do caminho;
              mesmo encostado ao muro onde a fotossíntese luminosa das pedras
              musgosas separava o passado saído do monte do caminho de ensaibro
              que me levava á escola!)
  
hoje são memórias; mesmo memórias doridas; a escola está lá –
silenciosa e despida nas folhas e nos meninos – desfrutando
de uma roda para extrair água do poço; dizem que seco!
o recreio empedrou-se e magoa os corpos.
 
hoje outra vez a vento; já não há ervas – nem secas – os carvalhos
vestiram- se de cimento e dor ensanguentada por entre o mato também morto
e nós, sentados à beira do que resta,
inventamos um tempo que não se mede em olhares.


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