domingo, 28 de setembro de 2014

E o que é depois?

O relógio bate a hora certa. O telefone não toca.
Segundos antes, uma mensagem. Bela!
Certeira. Vestida de felicidades; sempre presentes.
É nessa altura que acordo para a violência dos dias. E penso; quase em voz alta: o pior que pode acontecer a um leitor de José Saramago é chegar à página que termina com a afirmação: “no dia seguinte ninguém morreu” e perceber que as intermitências da morte são uma treta. Até na ficção!
Não podem apontar o que vem a seguir.
O relógio, esse, continua; como sempre.
Bem sei que desejamos só o que nos falta; o que tanto gostaríamos de ter, mas, por mim, confesso, não sou capaz de entender o aparecimento do tipo que conserta relógios no discurso do tempo.
Nem que o gajo esteja à janela; feito pau-mandado do tempo ou de uma qualquer plataforma onde uns parvos fazem figura de parvos. Mesmo que o gajo seja uma bacia oca; cega - antes do inicio das intermitências. 

Ah! Que bem que funciona o relógio!

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