quarta-feira, 20 de maio de 2026

Realidades feitas Epopeia VII

A América mete motor em tudo

em parte a gasolina substitui o pensamento.

Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)

sexta-feira, 15 de maio de 2026

o teu amor: luz que não se apaga? II

 

luz que não se apaga; o teu amor não é sopro: é o silêncio

onde as palavras aprendem a ficar. olhar que insiste; sentado

na demora do tempo – quando a noite pesa é ele que acende

o corpo e chama o coração – pelo nome caminha contigo; mesmo

sem voz, mesmo sem forma o teu amor: espelho aberto

horizonte ferido – raízes que prendem, asas que rasgam

e ainda assim – luz que não se apaga.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Realidades feitas Epopeia VI

 Ámen, a gasolina seja louvada,

Diz Blom

Com sarcasmo.

Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)

sexta-feira, 8 de maio de 2026

o teu amor: luz que não se apaga?

o teu amor não é só estirpe ou sopro debandando

com o vento – silêncio onde cabem todas as palavras.

ou olhar que teima em sentar-se na serenidade demorada

do teu olhar. o teu amor é quem te faz sorrir

quando a noite pesa sob as palavras. é quem o teu coração

chama, é quem caminha contigo

                (luz que não se apaga!)

o teu amor é espelho e horizonte, raízes e asas, ferida e cura,

luz que não se apaga.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Realidades feitas Epopeia V

Alguém que vive apenas para prosseguir vivo, como a tartaruga
ou a bactéria mais simples, entra de imediato na espécie animal mais reles, e do fundo do barco de Noé.
Gonçalo M. Tavares, in O fim dos Estados Unidos (Relógio d’ Água)

sexta-feira, 1 de maio de 2026

labirinto de ideias IV

entre a terra e o mar, a agitação escumante - profunda e lendária

suporta a narrativa enérgica do silêncio dos corpos calcinados -

a solidão trivializada tenta em vão soltar a vida evaporizada!

entre a terra e o mar o misterioso declínio da narrativa mais enérgica

de nós; caras eretas olhando o clima de guerras abertas – misterioso

declínio onde o silêncio se agita húmido por entre o silêncio que aparta

terra e mar.

 

entre a terra e o mar – solidão e vida evaporada! - há portas 

húmidas e frias – frases que perdem valor na agitação marítima

e no desejo de serem o que sempre foram: palavras ordenadas

em silêncios petrificados - corpos calcinados, vida se evapora,

na solidão trivializada que comanda os dias fatais no silêncio do teu rosto.


sexta-feira, 24 de abril de 2026

e o mundo engolindo o que resta de nós

 Se o mundo está a arder, se as chamas e as altas temperaturas se tornarem um dado estrutural, então há boas razões para dizer que estamos na era do Piroceno.

António Guerreiro, jornalista, Ípsilon, 25.08.22


Realidades feitas epopeias IX

    Morre por queda de peso de cima , no acidente, ou por falta de solo e baixo , por velhice. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Uni...