segunda-feira, 21 de outubro de 2019

tentativa de erosão

foto: centro Internacional das artes josé de guimarães

não comerei jamais o coração
da tua cena; tão alta e suspensa
em cordas tensas
ai de quem apagar as minhas palavras!

falta-me contar-me a suspensão
do teu corpo
és capaz? é preciso
incendiar o quê? memórias?

posso, agora, olhar teu corpo
vera montero? prometo
não comer teu coração

domingo, 13 de outubro de 2019

corpo habitado


tempo oriental – coreografia – a impermanência de volta
à forma de tantos refúgios – um lugar sedutor. entra no pensamento;
fotografia anónima ou primavera selvagem?

dois corpos; cruzando-se entre corpos
o corpo branco cruza a perna direita sobre a cabeça
do corpo negro. a mão negra prende o pé
branco. o pé negro doa-se
sobre o pescoço do corpo branco – há gelos que atraem! – eis o tempo
de dois corpos – dois vestem calção cinzento, sem deus nem mestre.

tempo oriental – coreografia – a impermanência começa com um piscar de olhos
tantos refúgios – num lugar sedutor; encantando
uma constelação de nós! sem deus nem mestre, principio
de obra eufórica
o tempo nem sempre é transparente!


domingo, 6 de outubro de 2019

Passará por Guimarães? *

Foto tnsj.pt
Habituei-me (se calhar mal) a ver todas as estreias de Nuno Cardoso lá em cima em Vila Flor. E isso era lindo; dava-me um gozo muito próprio como vimaranense.



Hoje, para ver a sua última criação (A morte de Danton, de George Büchner) – a primeira na qualidade de diretor artístico do Teatro Nacional S. João – fui a Braga, ao Theatro Circo (a sala mais carismática da cidade de Braga), com uma plateia esgotada e mais alguns lugares nas frisas). Para ver teatro em Portugal é obra! Sendo certo que não foi ali a estreia que tinha acontecido no Porto, o mês passado.
E estive numa uma enorme festa do teatro com uma enorme plateia – e enormes atores em palco.

Realidades dos dias que correm! não é? Em Guimarães vai-se perdendo qualidade, novidade e criação e ganhando "Tcharan".

* ou então não; hoje tudo é feito com carne humana

olhando a cidade III

  O que ainda falta em Portugal é a presença vegetal. As cidades são muito cinzentas , especialmente na periferia. Sónia Lavadinho, consulto...