domingo, 1 de março de 2015

Tempo do mundo

Lavo o olhar…
e a paisagem flutua-me irreal.
Alberto Gomes, in Indícios de mar e silêncio
foto: sbentoperas.pt
Desço suavemente o monte de São Bento das Peras. Chove; uma chuva miudinha que enerva o olhar e se entranha no corpo.
Vejo alguém; discreto. Caminha, naturalmente. Distante de tudo. Cabisbaixo. Na mão leva um molho (não, não era um ramo, tal era o amachucamento) de cravos vermelhos.

(Se bem me lembro do que me diziam quando também ia ao outro São Bento – o da porta aberta –, o homem que subia o São Bento das Peras não podia falar)
Que paciência!

Não a dele, mas a minha que caminhava meia centena de quilómetros. Em direcção ao outro São Bento.
Outros tempos!

(E não levava nada nas mãos. Apenas caminhava).

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Realidades feitas Epopeia III

  Tudo o que está longe de nós está perto de algo ou de alguém. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  (Relógio d’ Água)