domingo, 10 de agosto de 2014

já somos nós

entre o cruzar do nosso olhar
e o desejo
dos nossos corpos nasce um sorriso
ténue, espantado, agitado. sedento

demos as mãos. ao fim da tarde
simpática. vestida
de muitas cores sobre a água fria e salgada
e a esplanada. cala-se
olha. o sorriso sedento
dos nossos corpos.

o sol vai apagando
o fim de tarde. delicado
pasmado. ansioso

pelo cruzamento completo do nosso olhar
as mãos que nos deram o mar
ao fim de tarde. já se uniram.

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Realidades feitas Epopeia IX

  Deem-me um boato e eu mudo de sítio o mundo. Gonçalo M. Tavares, in  O fim dos Estados Unidos  ( Relógio d’ Água )