domingo, 26 de maio de 2019

gente disfarçada


em frente
o poder. estampado nas torres intensas; altas
tantas janelas!

a rua, vazia
e um porco circulando
entre livros por abrir. estão
empacotados. sim
lá longe, muito distante
vê-se o símbolo do estupor do hitler – odeio este olhar na europa!

o quadro nada pitoresco
com fundo lilás
existe

não; não fui nunca
pintor


quinta-feira, 16 de maio de 2019

memória prostituída


a ternura das noites de luar morreu
na minha terra. secaram silvas e matagais
nas mãos ásperas do cimento. armado
em cores contagiantes da memória.

recordar a minha terra é sonhar a harmonia
vestida de cores nostálgicas.
viver na minha terra é naufragar
na fragilidade de traseiras de sucesso.

a minha terra cresce sobre as ruínas
dos pacatos sofreres de amores. esperados
ansiosamente ao luar. adornados
de sonhos que desenhavam a paixão.

a minha terra perdeu a virgindade
na loucura do crescimento
na luta inglória contra o vício fresco da alma nómada.


do livro "Matéria de Sonhos"

olhando a cidade III

  O que ainda falta em Portugal é a presença vegetal. As cidades são muito cinzentas , especialmente na periferia. Sónia Lavadinho, consulto...