terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Visão dos pássaros


Politica não são os partidos, é tudo. A gente debaixo desse viaduto é política.
Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

1. Do fim-de-semana chegam-nos sempre momentos diferentes; uns simpaticamente bons e calmantes das dores dos dias, outros nem tanto. Do último fim-de-semana, que foi excelente – com teatro de qualidade em Pevidém onde estive na sexta-feira – (grande mostra senhores do Teatro Coelima com esta mostra internacional de teatro!) a dar-nos a comédia da marmita, uma comédia latina de Plauto, pela mão da Nova Comédia Bracarense) – e dança de cortar a respiração (aquele início de noite no último sábado com o coletivo com origem em Inglaterra Akram Khan Company com outwitting the devil foi fabuloso) lá em cima em Vila Flor.

2. Mas guardo, infelizmente, dois registos com dor. Uma com a pena de Miguel Sousa Tavares (Expresso, 20.02.08): a lição que agora recebemos de Washington é que a democracia deixou de ser aquilo que nos ensinaram desde pequeninos. Uma posição que subscrevo sem receios; muito menos sem pensar nas moedas de ouro do senhor Euclião (que vi no palco em Pevidém).
O outro, com escrita de Paula Santos (Baixos, no Expresso, 20.02.08) Carlos César Presidente do PS
Agitar a bandeira da demissão de um governo perante uma votação já não é uma novidade, mas exibi-la no arranque de uma legislatura, soa a banalização de uma ameaça. O PS governa em minoria, sem acordo parlamentar assinado.

3. Não sou capaz de enquadrar em nenhum dos momentos fabulosos de um fim-de-semana de se lhe tirar o chapéu.
Felizmente que a vida, o nosso caminhar diário, não tem sempre descidas de um qualquer presidente de um partido politico; se não todos os espantos sobre os populismos seriam puras encenações em palcos sujos, mas com muitas luzes brilhantes a tapar a poeira.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Vou excitar a tua imaginação

Foto: Rui Minderico (Lusa)

[O PSD] não se monta nos sapatos do PCP.

João Oliveira, líder parlamentar do PCP, no debate sobre o Orçamento de Estado 2020, 20.02.06

Voz do infortúnio

foto: Natacha Cardoso (Global Imagens)

Regressos: livro de Carlos Moedas que vai ser apresentado por Passos Coelho tem prefácio de Cavaco Silva e introdução de Durão Barroso.
o Inimigo Público, 20.02.07 *


Nota de rodapé – a voz hipnótica do senhor Passos Coelho levará mesmo ao colo uma voz de medo ao senhor Rui Rio ou Carlos Moedas vai só à rua comparar castanhas quentes?

* no seu jeito brincalhão a mostrar as linhas com que se cose um certo PSD.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

palavras nascidas da raiva




essa gente; gente aberta em carne viva, feridas
profundas de um viver agressivo; essa gente
feita presente de senhores
combinando filosofia barata e raiva

essa gente; feita de beleza subtil
tão profunda – profunda e penetrante – tão humana!
artes do diabo? salto de fé ou atores do diabo?
nada ou infinito;

continuas a adorar chocar as pessoas!

essa gente; gente feita de carne viva

é a minha gente.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

E quando é, quando?

foto de outubro de 2016; e já havia tantas promessas!
Prefiro ser rude e apontar com o dedo a ser acusado de conluio com qualquer dos falecidos filósofos franceses dos últimos anos.
Manuel S. Fonseca, E, 17.12.01


Emídio Guerreiro, o deputado vimaranense na Assembleia da República, voltou à carga – e muito bem – e questionou o governo do senhor Costa sobre o atraso na construção do novo quartel da Guarda Nacional Republicana (GNR) na vila vimaranense de Lordelo.
Há tempo e tempos e o tempo das constantes – e adiadas – promessas para as novas instalações da Guarda em Lordelo; uma história que começa a ter barbas mais compridas que as obras de S. Torcato.
Mas enfim!, há quem considere normal este fazer de conta…
A Guarda e os cidadãos de Lordelo é que não, estou convencido.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Fintar a fatalidade

foto: maisguimarães

Após o planeta, é a sociedade que está em risco de sofrer alterações profundas, irreversíveis.
A. Betâmio de Almeida, Público, 20.01.20

Se há forma de estar na vida pública e mais concretamente na ação política que aprecio é ter sempre a coerência à mão; como prática corrente, como atitude diferenciadora e como afirmação pessoal.
Aquilo que Ângela Oliveira anunciou por estes dias, retirando-se da assembleia municipal de Guimarães por não se identificar com uma direita que não é a sua (saída do último congresso do CDS/PP), é um excelente exemplo de que a coerência é coisa fundamental no dia-a-dia de quem está na vida pública.
Sendo certo que, noutros tempos, já tivemos alguns desfasamentos de pontos de vista, importa-me aqui e agora vincar a atitude de Ângela Oliveira e seu gesto nobre. Chamo a isso dignidade.

Ah! Gosto tanto da sua vontade em não ser uma evangélica política. Muito mais que coerência é sensatez.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Divisor e caótico

foto: record.pt

Estamos em plena cultura da imagem. Não é de agora, tem vindo do século da fotografia.
Eduardo Lourenço, Público, 17.07.31

Por estes dias; muito mais que nos outros dias, há uma agitação sadia olhando o português Rui Pinto.
E isso é bom ou é mau? Para começar, Rui Pinto está preso. Coisa que para Miguel Sousa Tavares (Expresso, 20.02.01) significa que Rui Pinto é um preso político.
Será por isso que Luís Marques (Expresso, 20.02.01) pergunta: afinal quem tem medo de Rui Pinto?
Sendo tudo tão estranhamente estranho, deito um olhar atento – que aconselho vivamente – às palavras de Bárbara Reis (Público, 20.01.31): Li com espanto que as procuradoras do Ministério Público que investigam o pirata informático [Rui Pinto] cujos roubos estão na origem do Football Leaks e do Luanda Leaks nunca quiseram saber o que estava dentro dos ficheiros.
E não me espanto com este olhar de Francisco Louçã, Expresso (Economia), 20.02.01: Branqueamento de capitais e manipulação de contas, prejudicando empresas e outros acionistas, são assuntos graves. Ou, se houver caso criminal, é por ter havido a informação de Rui Pinto que permitiu (ou obrigou) que houvesse uma investigação.

Por fim, e podia ser logo de início, dou atenção a Henrique Monteiro, Expresso, 20.01.29:
Aquelas algemas dizem tudo. Faremos com Rui Pinto o que mandam os verdadeiros poderes. E esse, infelizmente, estão onde não deviam estas – de Luanda ao estádio da Luz (e muitos outros locais que por agora desconhecemos).
As algemas de Rui Pinto são, de certa forma, um retrato de cobardia do nosso país. Na política, na Justiça, na sociedade.
Que ele [Rui Pinto] pague os erros que cometeu, aceito. Que não se investiguem seriamente os crimes que ele denuncia, é arrepiante.