quinta-feira, 28 de novembro de 2019

o que é um deus?


onde a morte gosta de morar; mostrando-se
em construções com selo social, o tempo constrói
as marcas pobres – da pobreza
                (onde as mulheres são sempre guardiãs
da memória e viagem aos olhares
de futuro? não sou capaz de imaginar o fim)

bunga; encenando ciclos da construção
e destruição
                (explora condições de despojamento
e nomadismo)
– uma imagem de tantas misérias; há palavras
e olhares que parecem rosas; ao lado da sala
em penumbra. completamente encenada
na arquitetura da vida

onde a morte gosta de morar; ao teu lado

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Em vez de sabonetes, Ventura vende policias*

gravura: ihu.unisinos.br

Ao fim da tarde desfez-se o segredo de polichinelo, o mais recente tabu da vida política portuguesa, da ligação de André Ventura a setores das forças de segurança descontentes.
Ventura fez o seu primeiro comício a céu aberto em São Bento, com o à-vontade de quem fala aso seus.
Nuno Ribeiro, Público, 19.11.22

* Título do texto de Bárbara Reis, na mesma edição do jornal Público. Um texto a merecer toda a atenção e de onde destaco: relevante é a forma como Ventura usa o marketing e manipula a realidade.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

tentativa de erosão

foto: centro Internacional das artes josé de guimarães

não comerei jamais o coração
da tua cena; tão alta e suspensa
em cordas tensas
ai de quem apagar as minhas palavras!

falta-me contar-me a suspensão
do teu corpo
és capaz? é preciso
incendiar o quê? memórias?

posso, agora, olhar teu corpo
vera montero? prometo
não comer teu coração

domingo, 13 de outubro de 2019

corpo habitado


tempo oriental – coreografia – a impermanência de volta
à forma de tantos refúgios – um lugar sedutor. entra no pensamento;
fotografia anónima ou primavera selvagem?

dois corpos; cruzando-se entre corpos
o corpo branco cruza a perna direita sobre a cabeça
do corpo negro. a mão negra prende o pé
branco. o pé negro doa-se
sobre o pescoço do corpo branco – há gelos que atraem! – eis o tempo
de dois corpos – dois vestem calção cinzento, sem deus nem mestre.

tempo oriental – coreografia – a impermanência começa com um piscar de olhos
tantos refúgios – num lugar sedutor; encantando
uma constelação de nós! sem deus nem mestre, principio
de obra eufórica
o tempo nem sempre é transparente!


domingo, 6 de outubro de 2019

Passará por Guimarães? *

Foto tnsj.pt
Habituei-me (se calhar mal) a ver todas as estreias de Nuno Cardoso lá em cima em Vila Flor. E isso era lindo; dava-me um gozo muito próprio como vimaranense.



Hoje, para ver a sua última criação (A morte de Danton, de George Büchner) – a primeira na qualidade de diretor artístico do Teatro Nacional S. João – fui a Braga, ao Theatro Circo (a sala mais carismática da cidade de Braga), com uma plateia esgotada e mais alguns lugares nas frisas). Para ver teatro em Portugal é obra! Sendo certo que não foi ali a estreia que tinha acontecido no Porto, o mês passado.
E estive numa uma enorme festa do teatro com uma enorme plateia – e enormes atores em palco.

Realidades dos dias que correm! não é? Em Guimarães vai-se perdendo qualidade, novidade e criação e ganhando "Tcharan".

* ou então não; hoje tudo é feito com carne humana

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

segredo envergonhado


olhar em escombros; intrigador – noturno no alto
da ponte avenida fria subindo ao lado da fábrica em ruínas
que canudo avermelhado e alto
é aquele?
tantos silêncios nas paredes mortas!

Vestidas de vidas misteriosas e uma família enigmática –
emancipando os corpos cansados! projeção de fantasmas
de vidas perdidas; agredidas entre aquelas paredes frias

olhar em escombros; resto de nada depois
de tantas inseguranças e angústias a fábrica?
não há nada; apenas uma longa chaminé ao alto

segunda-feira, 15 de julho de 2019

há que viver a realidade


marcham pela rua num passo branco
mãos a escaldar; mãos da cor da terra
é uma maratona alva de meditação: a guerra
das civilizações ganha força no mundo, sabes meu amor?
guerra sem fim; guerra ritual
guerra sem retorno

há guerras e magia negra na rua; sim
pessoas – tanta gente! – em vigília; outra arca
para abrir; há palavras desse lado
há palavras que salvam, mas há espetáculos degradantes.
expetativas degradantes. marcham pela rua
numa marcha branca; guerra de propaganda