quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Escuridão do passado

Os foragidos acabaram por conhecer o caminho certo das patrulhas e, naturalmente, passaram a evitá-lo.
José Cardoso Pires, in O hóspede de Job
Secretas passam informação a empresas privadas, admite antigo dirigente [dos serviços secretos] escreve em título o jornal Público (15.09.25)
Pronto!
Assim vai Portugal; um país à deriva, com enormes rombos no casco de um navio que devia já estar no mar alto da normalidade democrática.

Pistas para a verdade

Não percebo nada de sucesso. Lamento. De Portugal ainda menos.
Valter Hugo Mãe, E, 15.09.26
foto: cp.pt
A candidatura da CDU no distrito de Braga (re)pegou num assunto fundamental nas comunicações no minho: a ligação em comboio entre as cidades de Guimarães e Braga.
Carla Cruz, cabeça de lista daquela coligação pelo círculo eleitoral de Braga, não tem dúvidas de que “uma ligação direta [entre as duas principais cidades minhotas] permitiria uma articulação maior e necessária”.
Estou completamente de acordo com esta ideia. Só lamento é que se pegue nela (apenas) em tempos eleitorais. E repare-se que escrevi que a CDU (re)pegou na questão!

Há, infelizmente, outros que fazem de conta que sabem de que falam quando ignoram coisas fundamentais no futuro dos minhotos. E, já agora, no futuro do ambiente.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Ele não está aqui

Não sei muito bem qual é a vida de um político. Um político vive rodeado de uma corte que serve simultaneamente de barreira contra o real e de filtro da realidade.
Clara Ferreira Alves, E, 15.09.26
Há um texto tremendamente malandreco de Nuno Sá Lourenço no jornal Público de sexta-feira, dia 25.
Como leitor assíduo daquele diário direi apenas que, ou alguém no atual PS (de António Costa) não sabe o que diz ou o jornalista não entende que António José Seguro, na noite em que perdeu para o senhor Costa a liderança do PS se retirou da política.
Essa treta de que quem não estiver não pode, depois vir pedir meças, é isso mesmo: treta.
Sublinho só que o jornalista termina a sua peça escrevendo: “na altura da elaboração das listas, não houve sequer um contato para aferir da disponibilidade de [António José] Seguro”.

Regresso às cinzas

A grandeza da democracia é que se pode conviver com as contradições.
Bernardo Carvalho, Ípsilon, 15.09.25
Ponto prévio: Não conheço pessoalmente António Marques, mas sei muito bem que é um senhor que tudo faz para tirar do rascunho da sebenta a realidade industrial e comercial do minho. Claro que sei que António Marques é presidente da AIM.

1. Os incentivos que o governo está a lançar na economia não servem para a região do minho. São penaltis que saem a 30 metros da baliza, diz o senhor presidente da associação industrial do minho (AIM).
Caramba! Que afirmação! 30 metros da baliza?

2. Senhor presidente da AIM, tem (quase) toda a razão: as empresas minhotas são, de certeza absoluta, “as que têm a maior taxa de cobertura das importações pelas exportações”.

3. Caro senhor António Marques não só tem razão quando diz que “os apoios financeiros vão para o sul e não para as empresas que mais exportam”, como, sim!, o nosso consumo não vai desequilibrar as exportações; “estamos a dar cama, mesa e a roupa lavada”.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Sem manias de realeza

Ainda não acredito em algumas delas [pessoas] e sinto-me menos sozinho com elas do que com as libelinhas e os caranguejos.
Valter Hugo Mãe, E, 15.09.26
1. A política é, sempre foi ao longo da história dos homens, uma coisa tipo casa de alterne. Na política cabe tudo; até o parvo que insiste em dizer que é um deus; o deus da salvação da Humanidade.
Com o passar dos dias; acordamos dos sonhos e do sono em que nos querem manter e vemos, com cores violentas, que há deuses em todo o lado. O melhor é deixarmo-nos com os novos demónios. São violentos; parvos até. Tiram o sono, mas – porra! – são sinceros; não criam; cenários.

2. É domingo. Hoje não quero subir ao centro da cidade. Não estou cansado; pelo contrário! Mas odeio ser enganado por desejos parvos ou por encenações baratas.

3. Nestas coisas de campanha eleitoral, Guimarães – a cidade que adoro –, pelos vistos, só tem direito a uma arruada. Ai o gajo!

4. Sabes, diz-me um amigo aqui mesmo ao meu lado, qual é uma das vantagens que encontro em viver? Pensar; por mim. E não me deixar iludir com arruadas onde a pressa nem é capaz de mostrar quem vai lá dentro. As bandeiras agitam-se muito e ninguém vê nada.
Sempre gostei de amigos.

Olhar do silêncio

Quero sublinhar que os resultados de Seguro eram mais fruto da crise geral da esquerda democrática (algo que Costa, por muito que faça, não pode ultrapassar) do que da sua falta de jeito.
Henrique Monteiro, Expresso, 15.09.26

Ah! O título da crónica, caramba! é tão atual! Grande Gil Vicente!

domingo, 27 de setembro de 2015

Descoberta do mundo

O Pantagruel imaginado pelo Teatro Experimental do Porto e pelo Teatro Oficina é um delírio à mesa (…) para pensarmos sobre o poder e violência.
Samuel Silva, Ípsilon, 15.09.18
foto: diogo baptista (publico.pt)
1. Celebrar dez anos de vida é importante. Olhemos para a alegria das crianças quando atingem a primeira maioridade! Ficam extraordinariamente felizes, não é?
E então as instituições? É sinal de vitalidade!
E se for um centro cultural? Dez anos é vitalidade; criatividade e certeza de barriga cheia, exagero meu, não é?
Que importa ter a barriga cheia se ela só lá tiver pó bafiento?
Pronto; já chega de introdução.

2. O espetáculo Pantagruel, que estava pensado para o jardim do Centro Cultural Vila Flor, mas que o tempo que esteve no início da semana obrigou a que o espectáculo tivesse que migrar (que palavra!) para os bastidores do palco do grande auditório, é um espetáculo. Oh! Se é!
Tudo se passa em 2050, num tempo que, não estando longe, vai ser o que já e e sempre foi, mesmo que Pantagruel seja da autoria do senhor Rebelais (que viveu de 1494 a 1553).

3. Excelente adaptação de Rui Pina Coelho que “respeita – tanto o teatro pode respeitar o excesso pantagruélico – a estrutura narrativa de Rabelais”.

4. As interpretações de Ivo Alexandre e Marcos Barbosa são, assim, a cereja no cimo daquele centro; uma bela refeição servida enquanto nos brindavam com interpretações excelentes. Que mania que vocês têm de trazer o senhor Karl Marx para ali, tão discretamente, isso é descoberta de (outros) mundos. E que coisa estranha ouvir o senhor Pedro Passos Coelho a querer fazer-nos comer! Isso não descoberta de outros mundos; não, é realidade que estrangula. Ver Marcos Barbosa a distorcer sons melómanos em certos concertos não lembraria ao diabo! Mas a verdade é que se o responsável pelo Teatro Oficina faz isso e muito mais numa excelente interpretação.
É extraordinário; este Pantagruel.