segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Vem cá toma!

Quando não houver água
Beberei a terra
Casimiro de Brito, in Subitamente o silêncio
 Há coisas que não compreendo, por mais esforço que faça; por mais que gaste os meus neurónios; ou então eles é que já não me ajudam, não é?
Palavra que ler que uma entrada paga “triplica número de visitantes”, faz de mim um coitado de um analfabeto que deixa de acreditar na verdade oficial.
Mas, devo ser eu que estou mais velho do que a Sé de Braga; mesmo que me tentem dizer que ali “foi implementado um sistema de visitas guiadas nas línguas mais faladas da Europa”.

Um dia; um belo dia, quando a ilusão já não for o que pintam certos doentes da ilusão, eu estarei com o Casimiro. Não, não é meu conterrâneo, é mesmo um fabuloso poeta.

domingo, 13 de setembro de 2015

Descida agreste

Os governos caem debaixo
do peso dos alforges das suas bestas
Agustina Beça-Luis, in O mistério da légua da Póvoa
Já ninguém liga a eleições em Portugal; muito menos à abstenção. A começar por aquela coisa economicista da liga portuguesa de futebol.
E, ainda por cima, são uns doutos senhores que têm a ‘lata’ de falar em agendas!
Que país é este que só vê futebol à frente do nariz?
Com o crescimento deste “F” parvo, os outros dois de que Salazar tanto gostava – a começar por aquele que transformou um fenómeno solar no centro do país em fenómeno nacional, até ficam com ciúmes. Não; o “F” do fado é suficientemente português para não se deixar embarcar em parvoíces baratas.

Geração sem grilhões

Se chovesse, agora,
o mar inteiro
me entraria pelos olhos
Mia Couto
A noite está bela, João! Que mania que tens de dizer que a felicidade só pode estar junto dos teus amigos…
Algumas pessoas, bem sabes!, andam irritadas; procurando conflitos. Fica bem longe delas; a batalha que eles querem travar não é contigo (nem comigo, ou com a realidade que nós conhecemos bem) é com eles próprios.
Sabes que uma delas – belo almoço, João!, que tivemos na margem sul do Tejo! –, quer ser primeiro-ministro do nosso país? É teu amigo, bem sei; também o conheci, mas, como bem sabes, não simpatizamos (logo) um com o outro. Nada! Jamais poderíamos estar lado a lado. Muito menos depois daquela bela refeição proporcionada por ti na margem sul do Tejo!
Todos caçamos um deus para a nossa vida, bem sabes! Somos capazes de tudo; de tudo o que imaginamos, de tudo a que nos propomos…
Não divagues, João. Antes do teu amigo mostrar aquela faca parva, doentia com que matou o meu amigo – também sei João, que achavas o meu amigo mais betinho do que o teu –  para agora quer ser primeiro-ministro. Vá lá João…
Sabes?, os nossos amigos só têm o primeiro nome em comum. O resto nada tem a ver connosco.
A diferença – e tu bem sabes, João –, está na facilidade com que o mais seguro da vida sempre olhou para o humano – algo João, que nos aproximou – que fez de nós os amigos que somos; nós que estamos agora a centenas de quilómetros de distância. Desculpa, João, mas sabes muito bem, porque nos conhecemos à brava, que o teu amigo está parvo, vestido da facilidade da ganância, do frete vítrico e comezinho. Só quer manter os compadrios…
Mantenho, como bons amigos que somos, um ouvido no início de uma longa história; mesmo que a noite já não recorde silêncios macabros.
Pronto; não continues João com a facilidade do ar (gosto muito do Eugénio de Andrade. Ah!, pois é, e tu. Por hoje só posso deixar-te aquele abraço; um abraço, sempre mo disseste, que nos leva para além das ilusões). Respeito, como sempre, a nossa amizade. Admiro o teu silêncio, nesta altura em que o teu amigo quer ser primeiro-ministro do nosso país. Coitado! Já quase não sabe onde pousar o seu desejo louco. Manterei outros silêncios, João, mas, bem sabes, não quero que o teu amigo seja primeiro-ministro.
Fica bem; há ausências que são um bom sinal.
Abraço João. Quando voltamos a almoçar no outro nosso amigo da margem sul do Tejo?

sábado, 12 de setembro de 2015

Coitado! Tão só

Qual de nós pode, voltando-se no caminho onde não há regresso, dizer que o seguiu como devia ter seguido?
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto: noticiasaominuto.com
Há apenas 10 meses a discussão era se a maioria absoluta ou não. Como se chegou aqui?”, admira-se um antigo dirigente do PS, pode ler-se no texto O PS não quer acreditar que pode perder, que os jornalistas Bernardo Ferrão e Cristina Figueiredo assinam na edição da passada semana do semanário Expresso. É um texto que todos os portugueses deviam ler; mesmo aqueles que adoram atropelar quem sabe o que quer, pondo-se em bicos de pé para tentar perceberem onde estão e o que querem da vida – da vida; não o que pensam os seus potenciais eleitores.
 Também eu – cada vez mais distante de uma certa estupidez partidária –, manifesto a minha concordância com o dirigente socialista (antigo, não é?) citado pelo jornal Expresso. E com outra pergunta: há 10 meses a dinâmica demonstrada pelo PS – uma dinâmica fruto da ação de António José Seguro e da sua equipa; que ousou a maior vitória de sempre em autárquicas em Portugal e com a vitória na Europa –, estava assim tão errada?
Por agora o que me interessa mesmo é enaltecer o silêncio inteligente de António José Seguro. Será dele, como reserva moral tão será necessária e fundamental, não tarda muito, que Portugal vai precisar.

Olhar do silêncio II

As inaugurações públicas são um exemplo de irracionalidade económica, com gasto para o erário público, que se vêm revelando não ter qualquer utilidade.
Manuel Ribeiro, Reflexo, setembro 2015

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Viajando em transportes públicos

Abandonarei o ruído a mandíbula
Das cidades
Casimiro de Brito, in Nem senhor nem servo
1.Como seria o cenário de municipalização dos transportes se eles fossem colocados ao serviço da sustentabilidade social, económica e ambiental?
2. Poderia garantir a articulação da rede de transportes públicos, criaria uma tarifa única suportável pelos utentes e aumentaria o envolvimento dos munícipes?

Estas duas perguntas que Carlos Gaivota coloca no seu trabalho – desenvolvimento sustentável e transporte público urbano – publicado na edição de agosto do jornal le Monde diplomatique, devem fazer-nos (a todos) pensar. Mas, a nós vimaranenses, abertos à extraordinária realidade que será a capital verde, muito mais. Desde logo, porque, como se pode ler neste trabalho: “as estatísticas de saúde comprovam o aumento do número de óbitos por doenças respiratórias, e outras causadas pela excessiva carga dos elevados volumes de circulação automóvel nas cidades”.
Daí que, como também é vincado, as “cidades habitáveis e saudáveis” são a grande prioridade.
Do futuro; do presente e, portanto, das politicas de proximidade que os dirigentes políticos têm que ter entre mãos sem medo de as implementar.
Em suma, e é isso que – por aqui e agora –, importa valorizar: “Para haver sucesso e concretizar esta política pública de sustentabilidade, a vontade política é um fator preciso e objetivo. Está nas mãos do governo da autarquia”.
Sim! Eu acredito inteiramente que isso será uma realidade vimaranense.

Sempre presente

É preciso tonificar os músculos para manter saudável a coluna vertebral. Os princípios essenciais não admitem piruetas.
João Paulo Baltazar, E, 15.05.01
foto: publico.pt
Deve ser defeito meu – até já me dizem que não tenho emenda –, mas não serei daqueles que ficarão à espera do dia 5 de outubro; mesmo que, mais à esquerda outras decisões sejam diferentes. É que eu nunca fui dos que se deixam limitar por timings partidários ou outros com dimensões que escapam à minha leitura dos dias.
Escrevo – assumindo já, pública e definitivamente –, que a anterior presidente do PS, Maria de Belém, é, para mim, uma pessoa de confiança; uma mulher que merece todos os apoios de quem acredita que o futuro nem sempre se faz de jogos baixos ou cedências da coluna que compõe o esqueleto humano.
Sempre gostei de olhar no passado e esmiuçar o trabalho desenvolvido por quem sabe o que faz: Maria de Belém Roseira conhece o que é Portugal e como esta nação deve rumar ao futuro.
Como gosto de Maria de Belém e não dependendo de calendários políticos, Maria de Belém é a minha candidata à presidência da República. Com toda a naturalidade. Eu sei que PCP e BE estão com Sampaio da Nóvoa, mas isso não me fará mudar.
Ah! Considero fundamental dizer que é um prazer estar com a segunda mulher candidata à presidência da Republica em Portugal. Adorei, há uns anos, o facto ter participado – ativamente e muito próximo – na candidatura de uma outra mulher extraordinária: Maria de Lurdes Pintasilgo.
São realidades diferentes, bem sei!, mas são mulheres de armas; as duas. E quando assim é!