sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Fugir do tédio

Se não há nada
Além do pó
Onde principia
O corpo?
Casimiro de Brito, in Nem senhor nem servo
foto: observador.pt
Que raio terá aquela coisa chamada Movimento Partido da Terra (MPT) para atrair tanta gente à deriva? Será mel? Será frete? Ou outra coisa que escapa à Palavra?
Porquê?
Só quem anda distraído é que não reparou que Carmona Rodrigues (alguém se lembra do senhor?), antigo presidente de câmara de Lisboa, será o mandatário daquela coisa feita partido que levou Marinho e Pinto até Bruxelas.
Que país!

Nota final: Casimiro de Brito é um poeta muito para além da estúpida parvoíce dos dias; como sabe levar o seu olhar para além da estupidez dos dias!

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Rua de desgostos

Contemplo
O meu lixo
Casimiro de Brito, in Subitamente o silêncio

Leio um título – recorrente; diga-se –, numa certa imprensa (Guimarães atrai cada vez mais turistas) e olho para o meu último sábado passado ali no Campo da Feira (já tinha saudades, caramba!, vivi ali trinta anos). Adorei a esplanada, como sempre, mas fiquei com pouca vontade voltar lá, para ficar na esplanada.
Porquê?
Ora!, para além do cheiro a cozinha dos autocarros (ditos) citadinos, o barulho, o fedor a gasóleo queimado pelos autocarros à espera de grupos (quase tudo gente idosa, não sei porquê) de pessoas – feitos cordeirinhos controlados, desde lá de cima da colina sagrada – por placas sempre em riste com as numerações e palavras muito altas dos donos das ditas –, sítio onde foram largados para descer no tal percurso ‘histórico’ – para entrarem nos autocarros, já fumegando à sua espera, para irem almoçar a Braga; até ouvi o nome de um dos restaurantes e tudo, mas não faço publicidade a quem não é de cá.
Que mania de nos tentarem dizer que Guimarães atrai cada vez mais turistas estrangeiros!

Em silêncio converso contigo

Um peixe percorre o fundo onde estavas
Brancas flores florescem ao lado dos longos cursos de homens
Mas o conhecimento é demais
Firmino Mendes, in Bumerangue 1
foto: José Carlos Carvalho (Expresso)
Há um trabalho jornalístico extraordinário no semanário Expresso (15.08.22); um trabalho que merece a reflexão de muitos eruditos deste país feito de sabedores de palavra ao alto; cá mais para norte.
Não gostei logo do título – salvar uma igreja crowdfunding –, mas a peça de Carolina Reis fez-me mudar de opinião ao mostrar como em Portugal a igreja católica; às vezes, parece uma treta. Porque não é homogénea nas suas preocupações.
Aconselho vivamente a leitura do texto principal do lead da notícia:

Como gostaria de conhecer o pároco de São Cristóvão, na Mouraria; na Lisboa mais afastada das luzes da ribalta. Tem que ser homem de coragem. E vê-se que quer dar homogeneidade a uma instituição que, não raras vezes, age a várias velocidades; a igreja portuguesa.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Realidades boas. Verdes; ao pé da porta

As poetisas autorizam as poetisas
a escrever sobre rosas
Adília Lopes, in Bumerangue 1
Acreditando no que vou lendo – e não tenho razão nenhuma para duvidar – do que os meus olhos leem a câmara de Guimarães “vai proceder à limpeza e manutenção regular e programada de 103,2 quilómetros ao longo do concelho”.
É um texto que vi em vários sítios, desde as notas de informação da autarquia vimaranense aos órgãos de comunicação social do distrito; mesmo aquele que é responsável pela comunicação e imagem de um dos municípios minhotos, coisa estranha não? Deve andar muita gente a dormir por aí.
Já me perdi, caramba!
Mas então a autarquia presidida por Domingos Bragança contratou (ou vai contratar) serviços para limpar bermas e valetas de parte da rede viária vimaranense. Boa!
Uma coisa destas só pode vir de Amadeu Portilha; se há vereador com visão para além do rio Ave (seja em que margem for) é ele!
Por mim - por hoje - fico-me por um pequerrucho comentário de rodapé: já chega de outros levarem louros que não merecem!

Confirmações á vista de olhos

Deixei que a minha mente fosse livre como o vento
Casimiro de Brito, in Subitamente os silêncio
foto: Nuno Botelho (Expresso)
Leio um título do semanário Expresso, no seu caderno de Economia que, de repente, me faz pensar que houve engano daquele semanário: “Estado gasta € 12 milhões em edifícios que não usa”.
Infelizmente ao ler o resto da peça jornalística, mormente – em três anos, duplicou o númerode imóveis particulares arrendados ao Estado: em 2012 eram 1097, em 2015 são 2033 – não só fica confirmado o título como desaparecem todas as dúvidas. Foi este governo, o tal de Pedro e Paulo, quem mais fez pelos imóveis particulares, deu-lhes vida e muito dinheiro a ganhar aos seus donos.
Caramba! E são os tais que agitam bandeiras tão enganadores!

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Sim; gosto

Tudo chega até eles com uma clareza terrível. Leem os sons, decifram os passos como um livro aberto.
José Cardoso Pires, in O Hóspede de Job
gravura: energiasolar10action.abae.pt
Mais outra decisão para enaltecer. A câmara de Guimarães “instala energia renovável na reabilitação de prédio social de Urgeses” (título do Diário do Minho, 15.08.20)
Mas, atenção! Esta é a primeira ação nos bairros sociais vimaranenses. Todos os outros espaços habitacionais sobre responsabilidade da autarquia vimaranense receberão igual tratamento.
É mais um (pequenino) passo verde.
Mas as grandes caminhadas começam por pequenos passos, não é?

Pior é impossível

O que nasce, então, traz consigo
esse nome: morte? Ou algo que cresce
no silêncio dos muros.
Nuno Júdice, in Bumerangue 1
foto: publico.pt
1. Ana Cristina Leonardo escreve (E, 15.08.29) clarinho, clarinho sobre a dura realidade que perpassa a Europa. Transcrevo uma afirmação: “eis senão quando aos que atravessam o Mediterrâneo para o lado de cá (aquele onde escrevo) se deixou de chamar ‘refugiados’ e se passou a chamar ‘migrantes’. Refugiado é uma palavra com conotação dramática evidente”.

2. Se dúvidas houvesse sobre estas palavras e, obviamente, sobre a violenta realidade que entrou na casa da velha senhora; sempre vaidosa, veja-se o editorial do semanário Expresso do último sábado – A União Europeia errou ao ajudar na queda de Kadhafi sem pensar no que se seguia na Líbia e ao deixar o caos instalar-se na Sérvia. Só quando as sucessivas vagas de migrantes e refugiados lhe bateram à porta é que acordou“.
Percebemos melhor para onde vai a tal senhora pomposamente vaidosa.

3. Ou seja, “o Ocidente ganhou milhares de milhões a explorar pobres e ignorou os pobres que acabaram explorados. E agora, quando eles nos batem à porta e nos morrem aos pés, os lideres europeus olham uns para os outros. Gastaram-se milhares de milhões em guerras que criaram calamidades, mas discutem-se tostões para ajudar as vítimas das bombas“ (Miguel Conde Coutinho, Jornal de Noticias, 15.08.29)

4. Pois é! John Weizierda (Banda Anon Diül II, E, 15.08.29), “as revoluções são sempre estúpidas e só servem para substituir um cretino por outro cretino".
Será assim tão descabida esta afirmação?