quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Grandeza de alma

A luz a dilatar-se movia tempestades
com os paredões de esperança aromáticas, os ventos
Carlos Poças falcão, in Bumerangue 1

foto: gcm chaa

Escreve o Diário do Minho (15.08.07) que “escuteiros levam sorrisos e alegria aos doentes internados no hospital” de Guimarães.
Gostei.
Por várias razões.
Pelos doentes, obviamente!
Pela curiosa coincidência de duas amigas desde os tempos mais antigos da infância e adolescência – irmãs; reparemos no apelido – estarem juntas nesta excelente iniciativa; uma de cada lado: escuteiros e saúde. Muito bem Augusta e Conceição.
Só podíamos ser conterrâneos.

Esperança perdida

A descoberta da verdade é uma história sem fim.
José Gameiro, E, 15.07.11
foto: publico.pt
Afinal qual é o desemprego em Portugal? E que números são os verdadeiros?
Confesso que gostaria de saber. Estaria, de certeza, em melhores condições para perceber melhor o que a demagogia barata de que se faz a politica em Portugal. Como não sei, vou registando opiniões a ver se entendo alguma coisita.
Como esta: “o caso dos números do desemprego revela mais do que uma utilização chocante da desgraça e um ataque desmemoriado ao INE, que lhe resiste com fleuma institucional. Ele antecipa a pobreza da agressividade eleitoral que se segue. Para ganhar, o PSD não está disposto a tudo está disposto a nada. (Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 15.08.08.
E esta: “António Costa O PS foi notícia, esta semana, por duas (más) razões – Tem razão Carlos Silva, da UGT: “se o PS acha que os números estão mascarados assuma o compromisso de alterar as regras”, escreve Cristina Figueiredo, que baixa Costa no Expresso (15.08.08)
Terei percebido um pouquito do que se faz certa forma de fazer que se esclarece os portugueses. Mas confesso-me desiludido. Há políticos – infelizmente são cada vez mais – que são uma valente treta.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Futuro assombrado pelo futuro

O lado mais gasto da folha
o luxo da terra.
Emanuel Botelho, in Bumerangue 1
foto: mazezito.com
Num destes dias, procurando um outro documento sobre o futuro de Guimarães, encontrei um (quase perfeito) para os dias que correm: “A pista de cicloturismo Guimarães-Fafe: uma oportunidade perdida para a criação de um corredor verde?”.
É um trabalho de João Sarmento e Sara Mourão, da Universidade do Minho.
Podendo parecer estar mais ou menos balizado no tempo (o trabalho de campo aconteceu em janeiro de 2001), falar em atualidade do texto que deveria que deveria ficar algures pela ciclovia que ocupa o espaço da antiga linha férrea que levava o comboio de Guimarães até Fafe.
Mas ainda é atual – será cada vez mais, de certeza! – a importância dos corredores verdes.
Ah! Naquele trabalho pode ler-se que havia “despejo de efluentes domésticos, dando origem a um canal de esgoto a céu aberto, prolongando-se ao longo de uma distância de 500m, em Belos Ares”. E “a presença de um depósito de entulhos claramente visível da pista”. E lixo doméstico, de forma esporádica, ali por Belos Ares e Paçô Vieira.
Os dias passaram; o tempo também. E o lixo e a descarga de efluentes terá melhorado. Mas (era) é uma realidade que diz muito de certas sensibilidades ou forma de estar em sociedade.
O corredor verde é que vai ganhando forma. Há imenso trabalho pela frente, com toda a certeza, mas se pensarmos que “a ideia de corredor verde remonta ao princípio do século XVIII”, ainda se está com um atraso considerável.
Ali já se fala da ligação da ciclovia ao parque da cidade, o que permitiria “a continuidade entre a pista até praticamente ao centro da cidade e mesmo até ao início do teleférico”.
É sempre bom recordar um passado com preocupações para um futuro melhor.

É preciso agarrar o essencial

O pensamento pode ter elevação sem ter elegância, e, na proporção em que não tiver elegância, perderá ação sobre os outros.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Escreve António Guerreiro na sua habitual crónica do Ípsilon (15.08.07) que «sempre que o Presidente da República se dirige à Nação e faz apelos aos “agentes políticos”, ecoa nessa nomeação burocrática a mais despudorada ideologia da antipolítica».
É uma afirmação basilar; melhor, uma verdade – por que raio?! – nos passa (demasiadas vezes) ao lado.
Porquê?
Ora, ora! Reparemos na observação de António Guerreiro:
«Como é óbvio, ninguém consegue imaginar que um governo de “agentes políticos” seja baseado num projeto de sociedade ou numa ideia de alternativa de Estado».

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Estar no tempo

Estou sozinho, nas estantes, restos
da minha vida.
Eugénio de Andrade, in Rente ao dizer

Aquando da visita à feira de artesanato de Vila do Conde tive a oportunidade de pegar e ler um desdobrável – certificar o artesanato valorizar a identidade portuguesa – que me deixou feliz. E vaidoso por ser vimaranense.
Lá estava Bordado de Guimarães. E um pequeno texto de onde destaco “a profusão dos motivos aliada à riqueza dos pontos utilizados confere ao bordado de Guimarães uma expressão única e marcante”.
Gostei. Ali mesmo em Vila do Conde onde os bilros se exibem em grande formação.

Olhos públicos num céu vazio

Morrer é um truque
como tudo o mais
Adília Lopes, in Bumerangue 1
foto: dn.pt
Agora que estou distante – e a distância ajuda-nos a perceber tantas coisas! –, das coisas partidárias estou a adorar a forma como a direção de António Costa faz que faz que tem um candidato presidencial.
Nem mesmo com tanto ‘peso pesado’ e da sua confiança pessoal o senhor ex-presidente de câmara em Lisboa olha para Sampaio da Nóvoa. Que coisa!
Não deixo de apreciar o crescendo em volta de Maria de Belém que, pasme-se!, não disse nada sobre presidenciais e já vai onde vai.

domingo, 9 de agosto de 2015

Redenção inédita

Mas em Lisboa dirá o guarda-livros a el-rei, saiba vossa majestade que na inauguração do Convento de Mafra se gastaram, números redondos, duzentos mil cruzados, e el-rei respondeu. Põe na conta, disse-o porque ainda estamos no princípio da obra, um dia virá em que queremos saber.
José Saramago, in Memorial do Convento
foto: rtp.pt
Quando o silêncio nos obriga a sair de nós, é porque há notícias fortes que nos lançam muito para além da normalidade dos nossos olhares, para além de nós. E então para nós vimaranenses, sempre convencidos de que éramos uns senhores no que à cultura diz respeito!
Perco, então, o fio ao meu silêncio ao ler que “o melhor ano de sempre” do Theatro Circo, em Braga, acontece devido “à qualidade de programação, à gestão do espaço e à adesão do público”.
Porra!, que se passa? Por Guimarães, claro.
Sim, sei que vem aí por, por exemplo, o Manta – que duas grandes malhas! –, mas fico com uma tremenda dor de cotovelo ao ler que “Festival indie reforça centenário do Theatro”.
OK, por Guimarães não há centenários, mas isso não faz diminuir a dor que sinto.

Nota de rodapé: há títulos jornalísticos que me enfurecem. Palavra! Reparemos neste (Correio do Minho, 15.07.25): Guimarães quer ser cidade europeia da cultura.
Devo andar distraído; não o entendo.