terça-feira, 30 de junho de 2015
Há um urso em palco; olhar sombrio
Um dos malefícios
de pensar é ver quando se está pensando. Os que pensam com raciocínio estão distraídos.
Os que pensam com emoção estão dormindo. Os que pensam com a vontade estão
mortos.
Fernando
Pessoa, in Livro do Desassossego
Como adoro
ver um país que se verga, levanta e volta a vergar!
Ui! Que
foi? Que disse eu?
Transcreverei,
somente, o título do semanário Expresso
(15.06.27): MNE reabre embaixada para chefe de gabinete de Passos.
Ui! Será
aquela embaixada (era UNESCO, não era?) encerrada à pressa, porque não
interessava aos senhores do governo?
É?
Porque raio
tenho que continuar em Portugal, um país que não sabe o que quer para si?Olhar do silêncio III
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| foto: ww.blopsi.pt |
Ana
Cristina Leonardo, E (Expresso), 15.06.27
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Os anjos ainda abalam os céus?
Quem está
no canto da sala dança com todas as dançarinas. Vê tudo, e porque vê tudo,
vive.
Fernando
Pessoa, in Livro do Desassossego
Excelente!
Sabes?,
por mim, só lamento mesmo é que nem todos tenham podido ver tudo; a confusão
era tanta nas ruas! O que, em boa verdade, percebo!
Por mim,
tirando uns coicezitos (isso não se diz, pois não?) e uns empurrões na rua de Santa
Maria, adorei fotografar coisas lindas. Diferentes – num parêntesis discreto –
vi profissionalismo sério nas ruas. E então ali junto ao Arquivo municipal!
Claro que
lamento a tremenda confusão nas ruas, mas isso faz parte da festa! (A propósito:
será que demorar vinte minutos da alameda - ainda é S. Dâmaso, não é? - à estátua
do rei Fundador, a do Senhor Cutileiro, é bom? Mas pronto!, é da vida!)
E, verdade,
verdadinha, quem viu o que quer que seja? Ver o que quer que seja num evento
destes é um autêntico milagre. Pois! bebe-se uns copos, come-se umas coisas
(será que era assim que se fazia na idade média?) e apreciam-se petiscos. Ah! A
seguir vem a noite branca. Já no próximo fim-de-semana.
Que bom!
Entro de férias na quarta!domingo, 28 de junho de 2015
Dói-me a alma; agora não direi mais nada
A vida fica
muito ruim sem caipirinha.
Dilma
Rousseff (falando numa visita oficial ao México), E, 15.06.06
![]() |
foto: flickr.com
|
Não se percebe,
pois, a fanfarronice e o estrondo com que rebentam (alguns) foguetes como quem
bebe um copo de água. Sempre nos sítios onde presbíteros presunçosos consideram
(e berram) dominar o território. Como se por ali houvesse zonas de marcação
para caças malévolas. E, então no início (e no fim) do mês de maio! O ribombar,
ao fim do dia; quando a noite já rouba a luz, mesmo a mais divinal!, é tremendo.
2. Eles sabem, mesmo que as suas barrigas estejam prontas
a estourar – seja de vaidade, seja de outras coisas que só eles conhecem – que
a vida é efémera. Mas, sabe-se lá porquê, teimam em fazer festanças que entopem
as normalidades dos dias, desviam a regular regularidade da rotina das pessoas;
enfim, gostam de complicar. Seja no trânsito, seja no ruído, seja no exagero
das palavras. Que mania!
3. Mas eles gostam. São sacerdotes feitos em tempos
vazios; sem sentido prático. Regados a sabores adocicados e distantes. Sabores
que se perdem no tempo; felizmente!
4. Amanhã a sua alma estará nas mãos, como todos os
humanos, doutros seres humanos solidários com os que sofrem. E esse tempo (já)
não demora a chegar. Por mais foguetes que os presbíteros façam estoirar!
A luz, essa,
nunca entrou em janelas fechadas, escondidas ou por limpar.
E não é que
estamos mesmo no ano da Luz?
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