terça-feira, 16 de junho de 2015

À porta do inferno

Não sinto nada
já sentiram tudo por mim
Marta Duque Vaz, in Aclive


Apesar de contar com oito votos contra, o Azerbaijão foi o único país a candidatar-se a ‘ganhar’ a realização dos primeiros Jogos Europeus.
Curiosamente (será por acaso?) este país “deteve pelo menos 34 jornalistas e críticos do regime” no último ano. E, segundo as organizações de direitos humanos, a “repressão está a aumentar”.
Vale a pena ler – e pensar sem ficar de braços cruzados – o trabalho que Félix Ribeiro assina no jornal Público (15.06.12).
Sem pretender influenciar a leitura, importa vincar o “silêncio do comité olímpico”.
Afinal nem todas as medalhas devem ser celebradas!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Olhar (local) do silêncio

foto: reflexodigital.com
Seja como for, seja qual a causa, o certo é que o tempo passa e a Pensão Vilas é um barco perdido no meio da vila. Não vale a pena deitar as culpas a Guimarães, antes de as procurarem entre quem governa as Taipas sozinho.
Cândido Capela Dias, Reflexo, junho 2015

Olhar do silêncio

imagem: 123status.org
Já fomos um país e reinventámo-nos como um simpático e obediente protetorado.
Luis Afonso, Bartoon, Público, 15.06.12

domingo, 14 de junho de 2015

história ligada à pedra

adoro a hipocrisia! mesmo quando a noite
cruza o tempo, ficamos. por al
rindo dos sorrisos embutidos – tipo botox
presos aos desejos. suspensos
na lentidão do ar. frio

adoro abraços fétidos; tempos perdidos; a luz
entre vagas pouco iluminadas – colunas
que nunca se endireitam. corpos curvando-se
moles; debaixo da integridade. adoro

a hipocrisia! a noite; todos à espera do silêncio
pirilampos iluminando outros tempos – tanto
tempo; eternidade mais densa que o ar.
lamentarei; em definitivo a hipocrisia; o por-do-sol
sempre bonito antes da tempestade.

sábado, 13 de junho de 2015

Homem de afetos

Encontro-me aqui
neste lugar óbvio
para alguém
Marta Duque Vaz, in Aclive
foto: observador.pt
1. Miguel Laranjeiro, os vimaranenses – todos os vimaranenses, mesmo os que militam (ou simpatizam) noutros partidos –, o sabem, é um cidadão vimaranense; também um político que ama Guimarães. Uma pessoa que respira e vive, de muito perto, as realidades de todos aqueles que residem num distrito que precisa – como pão para a boca –, de quem os defenda no areópago onde tudo se decide em Portugal.
Miguel Laranjeiro, pela grande experiência parlamentar que tem, é uma enorme mais-valia para Guimarães; que os vimaranenses não podem ignorar. Nem ignoram.

2. Talvez por isso, Eliseu Sampaio, diretor da mais Guimarães, tenha decidido conversar com o deputado socialista, publicando essa conversa na edição de junho 2015.

3. Desse diálogo interessante, vinco três ideias que considero a marca e a identidade de Miguel Laranjeiro.
A primeira: “faz-me mais impressão que os jovens que ainda estão no sistema de ensino, a única coisa em que pensam, porque o país não lhes dá oportunidade, é em sair”, é bem o olhar do Miguel Laranjeiro. Por isso, afirma: «como diria o professor Marçal-Grilo, “a educação é como um porta-aviões, pode-se mover mas move-se devagarinho”. É uma estrutura muito grande, mas tem movimentos que depois ficam». E, em jeito de remate perfeitamente conclusivo: “os níveis de empobrecimento voltaram a subir nos últimos anos ao contrário da tendência que estava estabelecida de descida”.
Estas palavras de Miguel Laranjeiro são um murro na indiferença e vazio que vão matando Portugal, não são?

4. E, sem medo das palavras, o deputado eleito pelo círculo eleitoral de Braga, mostra por que é tão querido junto dos cidadãos; daqueles que, antes dos partidos, sabem olhar para as pessoas: “não havendo círculos uninominais em Portugal, tento ter uma atividade política de proximidade e faço-o com grande gosto porque acho que é assim”.
Pena não existirem círculos uninominais, não é? Porque, tal como defende o deputado socialista, é “importante que haja uma ligação entre o eleitor e o eleito. Isso só se faz conhecendo o território, estabelecendo ligações e creio que isso é que pode aumentar a confiança”.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Comer o pão amargo do silêncio?

Não faço ideia de como vai ser o futuro, mas sei que são tempos socialmente impiedosos. (…) Não se saberá quem manda, quem assume, quem é responsável.
Miguel Conde Coutinho, Jornal de Noticias, 15.05.23
Um conjunto de pessoas, utentes do Centro Hospitalar do Alto Ave – que (ainda) é o hospital de Guimarães –, criou uma comissão de utentes com o “único objetivo” de “defender o nosso hospital, as suas especialidades e os utentes”.
Como aprecio gente corajosa!
Faz-me pensar em todos aqueles que sofrem as agruras provocadas por quem, de forma completamente cega, apagou todas as janelas de futuro. Com a safa de um tal Pedro e apagão de um senhor, que adora seguros, e decidiu fazer da saúde em Portugal a malvadez que é injustiça à americana, onde só o dinheiro das seguradoras garante trabalho médico.
E, sejamos justos, é bem preciso um grupo assim, porque o hospital de Guimarães (já) está moribundo.
Não? Tenho um amigo que se não fosse para Braga (até já tem cirurgia marcada e tudo!) continuaria a encolher-se de dores no chão cheio de coisas poeirentas dos corredores do CHAA, incapaz de suportar a ‘faca’ violenta que o vai trespassando, rins adentro. Continuando a sua passagem violenta e fundamentalmente, dolorosa por aquele hospital, cujo responsável até já ganhou prémios e tudo!, mas, coitado!, apesar do extraordinário profissionalismo dos médicos de serviço, nada mais é feito do que umas receitas de analgésicos que escondem a dor. O resto será mais caro?

Crápulas que roubam as namoradas dos vizinhos

A multidão em fúria
passeia placidamente nas ruas da cidade
de mente plácida
placidamente
António Gedeão, in Poemas Escolhidos
foto: publico.pt
1. Prioridades da coligação PSD/CDS ignoram cultura e recuperam promessas de 2011 [do Programa de Estabilidade] pode ler-se no jornal Público da última sexta-feira, dia 5.

2. Companhia O Teatrão fica sem apoios da Cultura. Sem apoio da DG Artes em 2015, a companhia é forçada a despedir, reduzir custos e cancelar parte da programação, leio na mesma edição do diário Público, numa peça de Camilo Soldado.

3. Fico convencido: vêm aí dias tremendos. Vazios. Escuros. Prontinhos a entrar em competição com a longa noite de 48 anos que destruiu o meu país; os sonhos e o futuro.

4. António Gedeão sempre foi um senhor. Na criação poética, no olhar do futuro, na denúncia (justa) das realidades doentias. Continua vestido de razão: a multidão passeia placidamente; de mente plácida.
Infelizmente Rómulo de Carvalho já por cá não está.