segunda-feira, 4 de maio de 2015

“É a liberdade, António Costa”

António Costa, a quem não posso pedir desculpa por existir, peço desculpa pelo incómodo de existir.
De pensar pela minha cabeça. Por estar aqui. Por andar por aí.

João Vieira Pereira, Expresso, 15.05.01

domingo, 3 de maio de 2015

Chegar com as andorinhas

Os poetas não costumam dar bons empreendedores.
Ana Cristina Leonardo, E, 15.03.28
foto: mulher.net
Carlos Abreu Amorim – podia estar aqui Inês de Medeiros, do PS, ou Telmo Correia, do CDS, mas o projeto de Lei que ressuscitava o ‘exame prévio’ na comunicação social é a cara chapada das fogosas ideias deste deputado do PSD. (…) É a tentaçãozinha controleira e o tiquezinho antidemocrático a vir ao de cima.
José António Lima, Sol (sombra), 1504.30

A mania (doentia) que os políticos têm de que só eles são os detentores da verdade e os donos do futuro devia ser esmagada por quem diz aos políticos que estão onde estão porque lhe deram um voto.
Infelizmente, os dadores de votos, são cada vez mais como os dadores de sangue que salvam vidas: nem todos o podem fazer num país que vira as costas a quem pensa. Ou age de forma diferente da maioria.

Não estou para nostalgias; vivo bons momentos

O céu terreno é esse nada fazer, estar contente no tédio.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
foto: dn.pt
Carlos Brito acha que o novo movimento de esquerda pode levar o PCP e o BE a refletirem sobre os caminhos que têm tomado, escreve Sónia Cerdeira, na revista tabu (15.04.30), como introdução à entrevista ao antigo dirigente comunista que abandonou o partido há uns tempos.
Dessa conversa, para além de ficar bem vincada a dor forte de Carlos Brito – “fiquei magoado pela forma como me trataram. Estava no partido desde os 21 anos, sempre dando o melhor” –, importa, direi mesmo que é fundamental, vincar esta afirmação:
[Carvalho da Silva] é também um candidato forte.
Também eu considero que Manuel Carvalho da Silva é um excelente candidato à presidência da República.

sábado, 2 de maio de 2015

Novidades que se esperam

Tudo assalta tudo, e eu sou
A imagem de tudo.
Herberto Helder, in Do Mundo
foto: radiovizela.pt
Não devíamos já ter notícias da via intermunicipal (VIM) no troço correspondente ao concelho de Guimarães?

Amanhã, hoje e o vazio que matará

No apodrecimento
há fermentação.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
foto:planetasustentavel.abril.com.br
Ao falar em poluição no rio Ave, importa olhar o (e no) futuro; esse sim!, o local onde moram as preocupações que vão matar as noites de sossego (a quem sabe que a grande maioria dos que fazem a Humanidade se borrifa para a grande minoria que morre e morrerá porque a grande maioria se borrifa).

Peço desculpa pela derivação!
Vamos à realidade: segundo a OCDE, “a economia mundial” será “quatro vezes maior em 2050”, ano em que haverá sobre este planeta, à deriva, “mais dois milhões de pessoas”. Ou seja, “haverá um aumento de 55% no consumo de água”.
Cum catano!, diriam alguns.
Ah! Nos dias que correm, à volta de 350 milhões – que número! – de pessoas, no continente africano, nem sabem o que é a água ou, sabendo, nem lhes tocam. A não ser que seja em pocinhas conspurcadas. E 200 milhões no médio oriente que deixam a s suas vidas para ter água nas mãos, isto é, 950 milhões de pessoas no mundo procuram água para sobreviverem.

Poderia escrever que o Homem sabe contornar exageros, estupidezes e vaidades, mas – sendo verdade – não posso. Porque a água nunca vai além de si. Seja por cá – onde também vai desaparecendo – seja onde a morte tem a nudez da seca.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Génesis criativo

É uma coisa estranha este verão
e no entanto ia jurar que estive aqui.
Ruy Belo, in orla marítima e outros poemas
Mais de 51 mil euros vão ser distribuídos pelo território vimaranense por quem é capaz de “valorizar, reconhecer e incentivar a cultura e os agentes culturais”.
É muito? Será muito pouco? O tempo dirá.
Uma coisa é certa: sendo verdade que “o território de Guimarães como referência cultural europeia” terá que ser feito com as “entidades e agentes culturais” que, por terras de D. Afonso, “produzem e difundem cultura”, como defende Domingos Bragança, presidente de câmara em Guimarães, a verdade é que nem tudo o que é cultura em Guimarães passa por Vila Flor (grande slogan do João Paulo para a TSF!); nasce, cresce e afirma-se pelo território vimaranense. Não foi por acaso este uso abusivo de ‘território’!
E aí está muito da pureza cultural. Mas sei muito bem que é preocupação da vereação de José Bastos.
Com sei muito bem que o orçamento é curto. Daí que, caro vereador, também sou um grande apreciador de quem ousa olhar para além dos palácios.

Contas por acertar

O segredo deste fogo nasce da pedra
que ele consome
Nuno Júdice, in a Figura do canto
Para pensar; muito!
Recupero uma afirmação de Recep Tayyip Erdoğan, presidente da Turquia, citado no E (15.04.18): “sempre que políticos, funcionários religiosos, assumem os deveres de historiadores, sai delírio, não facto. Quero avisar o papa não repetir este erro”, para me questionar se as misturas entre desejos e afirmações de grupos não são um jogo perigoso.
Um jogo que degenera sempre em terríveis distrações e vidas amputadas; de ícones enganadores na mão.