De noite
os cabelos crescem tanto que neles se arranca a cabeça
crescem em
cada pancada de sangue
Herberto
Helder, in Do Mundo *
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| foto: record.xl.pt |
Se quem
assiste regularmente às sessões da assembleia municipal (AM) de Guimarães –
haveremos de poder fazê-lo todos e em casa, pelos vistos – fizer de conta que Luís
Cirilo, o antigo deputado na AR e ex-governador civil de Braga, comanda o grupo
parlamentar do PSD na AM vimaranense, poderá dizer, sem medo de errar, que o
maior partido da coligação de direita em terras de D. Afonso até sabe intervir
nas reuniões da AM.
Infelizmente
Luís Cirilo só lá vai às vezes.
E, quando
vai, fá-lo de recados estranhos na mão que nada têm a ver com a sua postura
habitual sobre as coisas de Guimarães. Necessidades de afirmação, será?
Mesmo
assim, Cirilo está a léguas (para muito melhor, obviamente) da melhor forma de
César Teixeira, atual líder da bancada laranja na AM de Guimarães.
(um
parêntesis para fazer um mea culpa do
tamanho do grupo parlamentar do PSD local para dizer que quando, há cinco anos
atrás, escrevi que César era uma boa solução para o PSD vimaranense, me enganei
redondamente. Afinal, e dando a mão à palmatória, sou obrigado a dar razão ao
povo na sua infinita sabedoria: “nem tudo
o que luz é ouro”).
Com César
Teixeira o PSD de Guimarães perde brilho. O PSD não sabe o que quer, não diz o que
sabe (e devia saber); não fala do que deve, mesmo que o seu líder parlamentar
vá fazendo um esforço para, por vezes – às vezes –, dizer que o seu partido tudo
faze por Guimarães.
E César,
olhando na vertical do púlpito que sustenta os seus papéis e os seus olhares (sempre
pomposos), baixando-se em direção ao chão que pisa, nada diz. Repete-se; vê-se
perdido para esgotar o tempo (como na última sexta-feira) do seu partido e,
quando devia responder, pergunta para não responder; porque nunca tem
respostas, apenas perguntas pouco entendíveis.
O PSD de Guimarães,
também na AM, precisa de outra liderança. E Guimarães e os vimaranenses querem
ganhar.
* sou um
incondicional leitor da poesia de Herberto Helder. Há imensos anos. Muito antes
de ouvir falar, como ouvi na última sexta-feira na Plataforma das Artes em
envelhecimentos apressados. O poeta sabe bem o que diz. E com ele deixa que as
pancadas sejam silenciosas.