quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Fogo nos céus

Coando a espessura das palavras.
Herberto Helder, in Do Mundo

Leio no jornal taipense Reflexo (fevereiro 2015) que a [Associação Vimaranense Ecologia] “Ave defende discussão pública da via de ligação ao Avepark”.
E gosto. Do título e da ideia da Ave.

Sempre ouvi que da discussão nasce a luz! E esta discussão precisa de luz, urgentemente.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Achas mesmo que ainda existem almas brancas?

Só o riso global derruba o poder financeiro, ao mostrar que, também ele, vai nu.
Mário de Oliveira, Tertúlia no CAR, 15.02.05
gravura: cantinholiterariososriosdobrasil
O Brasil é o caos em forma de organização.
O Brasil é o fim da organização, mostrando a estupidez humana, no seu mais puro desejo de confirmação da avareza. Pura! Violenta.
O Brasil, mesmo – e principalmente – nas cidades de maior dimensão, é o caos alimentado por (alguns) políticos, ditos de esquerda, que matam o desejo humano; porque fazem do absurdo um atentado à capacidade de pensamento, ação e organização humanas.
O Brasil – tal como já aconteceu noutros desejos pretensamente de esquerda (mas onde alguém lucrou, dizem que passando por Portugal) é uma ilusão que diz ter um governo de esquerda.

Paro aqui na evasão do pensamento e leio o título do semanário Expresso do último sábado: “oito milhões de pessoas sem água: incúria ou fatalidade?”.
Os brasileiros têm a resposta. Seguramente.
Por mim, fico sem fôlego ao pensar em tanta gente sem poder usufruir de um bem essencial. Que é de todos.

Fé no poder racional

Tão limitada é a imaginação da gente comum.
José saramago, in Alabardas
foto: oconquistador.com
Numa lógica de melhoramento do espaço urbano percebo que a Casa dos Pobres, ali na rua de Donães, saia dali; sinceramente não me tira o sono a decisão do executivo liderado por Domingos Bragança.
Agora o que me faz pensar é o porquê de afastar quem passa dificuldades do miolo urbano. Faz-me lembrar o desejo de António Costa, em Lisboa, em querer ‘apagar’ em ‘ocupações’ (ou pô-los em movimento) os sem-abrigo da cidade durante o dia.
Acredito no bom senso dos responsáveis da área social da autarquia vimaranense, mas se vir nas instalações aqui mais perto de mim, assim tipo Creixomil, a sopa dos pobres a correr, considerarei tal afastamento uma limpeza social na cidade. E depois falaremos de espaços urbanos vazios, ocos, sem vida e sem pessoas.
Mesmo assim, ainda há o histórico albergue de S. Crispim, não é? Em pleno miolo urbano. Onde se poderá sempre exibir presenças em ceias natalícias. Sempre muito concorridas; principalmente em anos eleitorais.

Olhar (local) do silêncio

Deixar passar um plano e orçamento que se classifica de mau é postura própria de quem é alternância mas não é alternativa.
Cândido Capela Dias, Reflexo de fevereiro 2015

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Nem todos os militares são sisudos

Wollgang Schäuble resumiu a reunião com o homólogo grego dizendo: “concordamos em discordar”. Yanis Varoufakis nem com isso concordou.
Sérgio Aníbal na peça Grécia encontra na Alemanha obstáculos ao acordo, Público, 15.02.06
foto: tvi24.iol.pt
1. As eleições na Grécia ainda estão ao rubro. O resultado, esse já pouco importa, a não ser para eleitores que olharam o futuro com outra esperança. Porque agora o que se agita os donos das vontades e dos dominadores do futuro são outras coisas. Que nem sempre os eleitores entendem. É o dar-se por certo a certeza de que não se pode dominar tudo o tempo inteiro. E isso enerva quem quer continuar a dominar a seu bel-prazer. É claro que haverá ainda muito sangue até que tudo volte a ser como dantes. Tal e qual como antecipa Teresa de Sousa (Público, 15.02.06): “depois de receberem algumas palmadinhas nas costas e até uma gravata de seda, Alexis Tsipras e o seu ministro das Finanças regressaram a Atenas sem grande coisa para contar, a não ser algumas más noticias”.

2. Mas todos, mesmo os que dizem ter tudo controlado, estão expetantes. E nervosos. Em constantes telefonemas pelo telefone mais discreto. E dão recados de bonecos ou de histórias para criancinhas de outros tempos, mandam atoardas como se de verdeiros pensamentos se tratasse e fazem de conta que os outros, aqueles que aparecem agora, estão no mau caminho. Repare-se nestas palavras de João Viera Pereira – Expresso (Economia) 15.02.07 “aqui ao lado, em Espanha, o PSOE reza todos os dias pela queda da Grécia, a única coisa que pode realmente travar a ascensão meteórica do Podemos”.

3. Ainda há quem não vá na mesma direção da grande maioria – “levemos a sério os sinais de sobressalto cívico que nos vêm da Grécia, porque só com crescimento e emprego se derrota a austeridade”. (Afonso Camões, editorial, Jornal de Noticias, 15.02.07), o que obviamente dá azo a que se pense em alternativas. O que em democracia não só é salutar; é a salvação.

4. Uma coisa é certa, por cá, por continuarmos a fazer de conta e ficarmos à espera do que diz o chefe, tudo é como dantes. Reparemos: “sobre a questão grega, Passos Coelho não muda de opinião: está sempre com Merkel. António Costa também não muda: está sempre do lado de onde sopra o vento”. (Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 15.02.07) Até ver! Porque o mundo também se faz de militares de sorrisos abertos.