sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Desculpa, quem és tu?

À noite bebo água quieta, durmo as chamas desatam-se. E é com isso que sonho.
Herberto Helder, in Do Mundo
foto: esquerda.net
21 de janeiro. José Bastos, vereador da cultura da câmara de Guimarães, recorda – e muito bem – os três anos que já passaram sobre o estrondoso sucesso que foi a Capital Europeia da Cultura (CEC 2012) em Guimarães.
Nesse dia, o vereador da cultura vimaranense não teve dúvidas em referir, vincando-o como tinha que ser, que, graças à CEC 2012, Guimarães continua a produzir “mais e melhor cultura”.
E nem vale a pena, por tão óbvio, vincar o que o vereador disse na sua intervenção na reunião do executivo do dia seguinte – “Guimarães estimula o crescimento da sua economia criativa” – porque isso está à vista de todos (mesmo de quem insiste em inventar cenários catastróficos do fim da cultura em Guimarães), mas fundamentalmente porque, como José Bastos, sou dos vimaranenses que não tem dúvidas de que Guimarães é, indiscutivelmente, “uma cidade expandida económica, simbólica e convivialmente” assente na indústria, comércio locais, nas indústrias criativas e uma nova realidade cultural, cientifica e educativa que é mais reconhecida fora de Guimarães
Não? Olhe-se à volta e veja-se as imitações vizinhas do que de bom se vai fazendo por cá. 
Pena que os parceiros locais dos vizinhos digam o contrário, por cá.
Lamentavelmente eles insistem que não é por cá que se faz o futuro!

Sim é verdade, as notícias morrem. Os efeitos duram, duram,…

Só bate e mata quem antes nunca foi escutado.
Gonçalo M. Tavares, Noticias Magazine, 14.12.28
Imagem:/bip.inesctec.pt
Segundo se pode ler no editorial do jornal Público (15.01.30) “lidar com os ventos helénicos está a perturbar partidos portugueses. Cá dentro, o PS está mais ou menos na mesma, talvez embraçado pelo tsunami que varreu o seu homólogo Pasok da cena política grega, talvez incapaz de saber como tirar o partido da situação, como ainda há dois dias provou no parlamento”.
Curiosa leitura do Público! Que, quer queiramos, quer não, é uma realidade que nos faz (devia fazer) pensar a nós portugueses sempre contentes com o nosso umbigo. Desde logo, porque “a vitória do Syriza conseguiu o milagre que a política nacional não conseguiu: pôr a esquerda a falar em uníssimo” (Expresso, 15.01.31), ou seja, os partidos portugueses dizem até ao fim que todos fazemos de conta que o que é mau é só para os outros; nós somos excelentes.

Por mim, independentemente de sublinhar a posição de João Garcia (Expresso, 15.01.31) – o debate do pós-eleições gregas está a mostrar que a Europa enquanto instituição ou coletivo não existe. (…) Cada país anuncia a sua convicção e marca lugar. Espeta o alfinete onde bem quer e junto dos aliados que lhe interessa –, faço questão de vincar, sem receio de ser arrumado do sítio onde estou há muito (quem sabe se há tempo demais!) que os partidos portugueses fazem de conta que (tal como outras instituições, afinal vizinhas na ação diária), só a sua verdade é absoluta; total e só ao alcance dos iluminados. Que, por isso, têm que pertencer ao cubículo.
Há muito que perdi a vontade de suportar vontades alicerçadas em vaidades, sempre em bicos de pé, de tipos inertes, vazios e incapazes. Isto é, só posso subscrever as palavras de João Adelino Faria (Dinheiro Vivo, 15.01.31): detesto usar gravata, mas não tenho alternativa. Parece que precisamos de ter um nó de sede na garganta para podermos ser levados a sério.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Choque ao contrário

Por isso ele era rei, e alguém suporia diante da realeza ter um pensamento; uma palavra súbdita.
Herberto Helder, in Do Mundo
imagem: ephemerajpp.com
1. Há um comunicado da responsabilidade da comissão política do CDS vimaranense que diz que A Oficina promoveu um despedimento coletivo. Um despedimento coletivo? Ó diabo!
Há um texto que terá saído do punho de um certo CDS de Guimarães, onde se fala de uma qualquer coisa – tipo pompa vistosa e, quiçá, espampanante, para jornalista ver – que diz que “uma onda de despedimentos” terá acontecido na cooperativa cultural vimaranense A Oficina. Ups! Que isto está assim à-espécie-de-tsunamis-que-se-elevam-de-uma-onda-descalibrada. 
Há um opúsculo – que, pelos vistos, morreu à porta de um microfone vaidoso e sem escrúpulos, sempre pronto a fazer estragos – que, tentando ser um texto sério, terá a assinatura de Orlando Coutinho,
(um parêntese para vincar que, mantendo o que escrevi sobre o atual líder do CDS vimaranense, ainda acredito que Orlando Coutinho jamais escreveria o que terá escrito sobre José Bastos)
não passa de um desejo apressado de (também) ir a Santa Clara; a exemplo do que aconteceu (tinha mesmo que ser?) com André Lima.
Ok, Domingos Bragança sabe que André Lima controla o resto da oposição vimaranense!

2. Mas falar em modelos “de gestão moderna” ou de “proximidade” só revela o quão distante um certo CDS vimaranense anda da realidade local. Só revela um CDS que, afinal, regressa sempre ao populismo demagógico. E isso, confesso-o, não fazia parte do que penso de Orlando Coutinho. Não queria mudar de opinião, mas depois deste episódio, assim, à-espécie-de-ciúme-pelo-parceiro, ter-ido-ao-convento-sem-mim, eu não quero pensar que pode estar de regresso o PP que os vimaranenses rejeitaram.

Em suma, olhando para aquilo que o CDS vimaranense tornou público, só posso olhar para o PP de outros tempos (não muito distantes) e, sem medos, vincar e assinar por baixo as palavras do vereador da cultura da câmara de Guimarães, José Batos: “que seria de Guimarães se quem faz comunicados desta estirpe tivesse que tomar decisões”?

Olhar do silêncio III

O PS pode agora dizer que não houve qualquer encosto à conquista de Tsipras, mas a verdade é que os socialistas passaram a semana a corrigir a imagem dada pelo líder na noite de domingo. O partido de Costa é assim: um dia mais à esquerda, outro à direita.
Bernardo Ferrão, Baixos do Expresso, 15.01.31

Dias de brasa qua abalam as nossas noites

Os animais copiam os homens malucos.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos

2,7 milhões em risco de pobreza ou exclusão.
Título do Jornal de Noticias, 15.01.31
Onde?
Em Portugal. Como se pode ler numa peça jornalística do Alfredo Maia.

Depois disto, olho para o meu país e confirmo (mais uma vez) que se torna impossível – por não me sair da cabeça, há muito tempo – apagar uma dor violenta: Portugal está em causa! E o nosso futuro coletivo (já quase) não existe.

Não? Que tal ler o texto que Lucília Tiago escreve no Dinheiro Vivo do último sábado?