quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

História antiga e cruel

O animal maluco é bem mais perigoso que o ser humano que perde a sensatez.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
Segundo o relatório anual da Human Rights Watch (HRW) “muitos governos cometem o erro de olhar para os direitos humanos como um luxo de tempos menos conturbados”.
Reforçando esta tremenda realidade, e segundo o diretor-executivo da HRW, Kenneth Roth, há “um ciclo vicioso de repressão e violência que os governos alimentam”, quando destroem ou atacam os direitos dos cidadãos.
É uma realidade, tristemente negativa, que caminha, cada vez mais, para ocidente, onde uma sociedade apática continua a pensar que só mais lá para oriente se cortam pescoços, se atiram corpos vivos para o fogo ou se obriga a trabalhar de chicote na mão.
Não?

Não está sempre o ocidente a fechar os olhos às realidades violentas que não acontecem dentro das suas portas? Até mesmo quando surgem em momentos igualmente destruidores no velho continente? Ok, no velho continente houve cerca de uma dezena de mortes; enquanto na mesma altura e em África forma ‘apenas’ uns milhares.

Proteger o presente e o futuro

A Europa é uma comunidade também de vontades (agora incluindo a vontade do Syriza) e só querendo se faz parte dela. Mas não é possível querê-la para o que convém e rejeitá-la quando nos afeta.
Henrique Monteiro, Expresso, 15.01.31

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Ausência de novo

A verdade é que estava cansado da vida de toupeira. Gostava de me mudar para lá para cima.
José Saramago, in Alabardas

Não li a coisa (na sua totalidade) porque não me interessa ver coisas onde alguns gostam de se exibir, mas sei que alguém em Guimarães escreveu que “o MPT nunca se rebaixará perante a prepotência de qualquer presidente de câmara”.
Caramba! O que será esta coisa?
Ao que sei pela imprensa é que tal afirmação consta de uma nota de um tal movimento que quer ser partido (seja lá isso o que for, depois do esvaziamento provocado pelo populismo que Marinho e Pinto levou até ao parlamento europeu) e que, à boleia de outros e sem apresentar nada de seu, entrou, há uns tempitos, na assembleia municipal de Guimarães, por exemplo.

Se eu fosse presidente de câmara, em Guimarães, fazia de conta que alguém se pôs em bicos de pé e que, portanto, só pode ficar onde está: nos bicos dos pés.

Rochas fundas e a procura da luz

Os ditadores só usam canetas para assinarem condenações à morte.
José Saramago, in Alabardas
João Adelino Faria escreve um texto de opinião no Dinheiro Vivo (15.01.31) que justifica, só por si, a leitura daquela publicação. Por nada em especial, a não ser a realidade das pequenas coisas, como muito bem o jornalista da RTP sabe escrever. Ou seja, insignificantes insignificâncias que nos colocam os dias em dia na agenda por onde, cada vez mais, levitamos

Reparemos então:
Durante décadas, os governos quando queriam mostrar que estavam próximos dos eleitores e do povo tiravam as gravatas e faziam reuniões informais, às quais apareciam todos com roupas descontraídas. Trágico. Quase nunca resultou, pois quando despiam as faradas os ministros mais pareciam peixes fora do aquário”.

Quando olho em volta e vejo pescoços apertados em vaidades forçadas (sempre desfeitos depois das luzes quentes dos registos instantâneos) fico desconfiado.
Ah! A propósito: alguém já reparou como é a vestimenta dos ditos nas partes que não são visíveis nos ecrãs?

Tempo de enfrentar outra realidade

Do terraço deste café olho tremendamente para a vida.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Jovens contrariam tendência de descida ténue do desemprego, que no mês de dezembro subiu para 34,5%, eis um dos ecos da imprensa do fim-de-semana.
Enfim! Se a esta realidade – tremenda para os nossos filhos – juntarmos a drástica diminuição no número de desempregados com direito a subsídio de desemprego estamos esclarecidos.
Por mim, infelizmente, estou.
Há muito que perdi todas as ilusões em que se emplastra todo em frente às câmaras e depois se esvazia sem conteúdos no silêncio dos gabinetes.