sábado, 31 de janeiro de 2015

Nem tudo são rosas

Escreve António Guerreiro (Ípsilon, 15.01.23) que «o poeta russo Mandelstam, que morreu no Gulag, terá dito um dia à sua mulher: “não nos devemos queixar, em nenhum outro lugar se respeita tanto a poesia: até se mata por causa dela”».
Como é tremendo viver, pensar, dizer o que vai na alma; ser diferente.
Só não entendo por que, cada vez mais, se vende menos poesia.

Ou, pensando bem, entendo.

Ideia do lugar II

Não há pior castigo do que estar a cair.
Gonçalo M. Tavares, in animalescos
Parece que o Quadrilátero Urbano do Minho será agora o quadrilátero de ouro.
Tomara! De projetos muito interessantes à total descoordenação entre os quatro municípios que compõem o projeto politico que junta as câmaras de Guimarães, Braga, Famalicão e Barcelos, era bom que percebêssemos o que, afinal, mudou.
Distração minha, de certeza!
Mas ouvir Domingos Bragança falar em necessidade de inteligência e a importância da união essencial leva-me aquilo que penso há muito da coisa. Aliás, Ricardo Rio, nem tão pouco o esconde. Mesmo que diga que aquela junção de interesses de quatro municípios “não é uma mera oportunidade de aceder aos fundos comunitários”.

Ah! Famalicão até já só manda vereadores às reuniões. Curiosamente Leonel Rocha não esconde ao que vai: o quadrilátero “tem grande futuro, queiram as autarquias”.
Não tem. Jamais será de ouro.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Ideia do lugar

O tempo corre. Graças a ele, em primeiro lugar, somos seres vivos, o que quer dizer: acusados e julgados.
Milan Kundera, A Festa da Insignificância
O presidente de câmara de Guimarães, Domingos Bragança, defende que o objetivo do executivo a que preside é que o concelho de Guimarães “seja referência para se viver a nível europeu”, ou seja, o que Bragança diz com todas as letras é que Guimarães tem que ter e ser “um território sustentável”.
É assim que a capital verde entra por terras de D. Afonso, por exemplo.
Sem medo das palavras e juntando ao “destino preferido”, já não restam dúvidas: Guimarães terá uma capital verde em grande.

Olhar do silêncio II

Diga o mal que quiser dos jornalistas, mas pense no que seria por exemplo o último ano sem jornais. O BES e a PT teriam adorado.
Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 15.01.24

Discreto, mas indispensável

Também entre as armas há diferenças, a uma metralhadora ligeira não lhe passa pela cabeça sentir-se ofendida por não competir com um canhão de tiro rápido.
José Saramago, in Alabardas
Quando li, na passada quinta-feira, dia 22, o título do jornal i – “espião apanhado a falar com Sócrates sobre bastidores do PS” – fiquei incrédulo.
Depois de ler com toda a atenção o texto que Sílvia Caneco assina fiquei mais calminho, mas ciente de que há coisas na política que – quando se tornam públicas e é tão raro, tão raro! – afastam os cidadãos dos partidos.

Não irei, agora e aqui, por esse caminho de afastamento dos cidadãos, mas registo o essencial da notícia: “Almeida Ribeiro, quadro do SIS e ex-estratego de Sócrates, foi chamado a conselheiro por Seguro. Por telefone fazia briefings ao ex-governante sobre o que se passava no partido”.
Não tenho vontade de fazer qualquer comentário. Mas continuo a admirar muito António José Seguro.