quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Turismo com marca

foto: visitazores.com
As comunidades intermunicipais (CIM) do Ave, do Cávado e do Alto Minho resolveram juntar uns tantos trapinhos, numa forma a que deram o nome de Naturminho. Pelos vistos, a ideia é “colocar o minho no mapa do turismo da natureza”.
Está bem!
Deste primeiro encontro a três, para já, importa e por mim, destacar as palavras de Júlio Pereira, responsável pela CIM do Alto Minho: “a parceria entre as três CIM é singular, assim como a oportunidade de fazer parceiros com atores privados”.
Amanhã veremos. Os atores privados devem estar encantados!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Olhar do silêncio III

Muitos dos apelos, à partida justos, feitos por dirigentes políticos na reação imediata a este ato bárbaro em França, como em relação a outros, são inevitavelmente fragilizados porque partem de quem, em muitos casos, é responsável ou corresponsável por hediondos crimes contra milhões de seres humanos.
Manuel Carvalho da Silva, Jornal de Noticias, 15.01.10

Olhar do silêncio II

Há mais de 20 anos que a ideia de igualdade de culturas tem prevalecido, como se a Declaração Universal dos Direitos do Homem ou os preconceitos da inviolabilidade da vida humana não pudessem ser aplicados a todos os seres humanos e em todas as latitudes. Henrique Monteiro, Expresso, 15.01.10

Liberdade de expressão: valor fundamental

foto: revistapontocom.org.br


A liberdade de expressão é um valor das nossas sociedades. Não se pode ceder neste ponto.
Editorial, Expresso, 15.01.10


1. Quando Rui Cardoso escrevia, em editorial do Courrier internacional (edição de janeiro d e2015), que “o desafio do jornalismo moderno é muito mais ajudar o leitor a orientar-se na selva informativa do que arrancar grandes exclusivos e noticias bombásticas”, nem lhe passava pela cabeça o que o terrorismo faria em Paris.
Parecendo que em face dos trágicos acontecimentos da capital francesa a questão jornalística está aqui a mais, até porque o texto de Rui Cardoso (pensado para um contexto editorial – excelente! – sobre a teoria da conspiração, mas não só) nada tem a ver com o que aconteceu: morte de pessoas e tentativa de destruição de uma bela ideia editorial onde a liberdade de expressão é que domina.
Mas, apetece-me dizer que teve. Quem mata pessoas não mata ideias. Quem destrói espaços não apaga memórias. E a morte de um conjunto (muito importante) de fazedores de um jornal não é o fim do jornal. Mesmo que na selva informativa levitem muitos vampiros. Que, esses sim, tentam a todo o custo confundir, baralhar e denegrir; para reinar.

foto: revistapontocom.org.br
2. Na verdade, o que os jornalistas (e empresas jornalísticas) franceses fizeram a seguir à destruição só prova que nem todos os seres humanos são parvos. Há Homens que estão para além do seu tempo. Há realidades editoriais que agarram as realidades humanas.
Daí que considere importante refletir nestas palavras de João Garcia (Expresso, 15.01.10): “os adjetivos estão esgotados. A loucura bárbara vai obrigar-nos a criar neologismos a menos que a consigamos combater com eficácia”. Desde logo com uma pergunta inocente: como se diz solidariedade em linguagem (e ação) humana, seja jornalística ou não? Pois, se calha! Mas em França é muito fácil. Faz parte do trio que comanda a normalidade das sociedades: igualdade, fraternidade e liberdade.
Por mais que isso custe a uns tantos. Não só os que habitam a selva informativa, mas principalmente os que teimam em dominar a selva humana de alguns recantos ideológicos.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

E Paris ardeu. Continuará em chamas?

Os inimigos da democracia não suportam ser expostos – nem ridicularizados. Daí este massacre. Mas como disse Charb, diretor do “Charli” e uma das vítimas, é preferível morrer de pé a viver de joelhos.
Nicolau Santos, Expresso (Economia), 15.01.10
1. Falar do que aconteceu em França é falar de dor. Violência. Falta de princípios. Perda de valores. Haverá quem ouse dizer: para nós ocidentais. Direi que matar nunca tem perdão; seja em que circunstância, sociedade, religião, regime ou estado,… for.
Falar do que aconteceu em Paris, obviamente sem esquecer toda a violência e destruição de outras cidades europeias, é falar de terrorismo. E “a experiência mostra que o terrorismo favorece a renúncia dos calores democráticos”. (Dominique de Villequin, in Expresso, 15.01.10).
Falar da morte que tentou matar um jornal francês é dar a razão a Nicolau Santos.

A rejeição do medo é uma luta pela preservação da espécie ocidental que somos.
Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 15.01.10
2. O jornalista João Adelino Faria (Dinheiro Vivo, 15, 15.01.10) dá-nos uma explicação, não para o que aconteceu em Paris, mas para a forma como o jornalismo (sim, em Portugal e aqui em Guimarães também) faz de conta que enaltece uma classe: “infelizmente nos últimos tempos muito jornalismo começou a tornar-se mais diplomático e simpático em vez de crítico e denunciador. Por instinto de sobrevivência foi perdendo a coragem e a eficácia para mudar o mundo”. Subscrevendo em absoluto as palavras do jornalista da RTP – ouso até aplica-las à imprensa local –, sublinho com uma pergunta do editorial do jornal Público (15.01.09: “e depois de sermos todos Charlie?

3. É grave, perigosamente grave, o que aconteceu em Paris. Como é grave o que aconteceu em Madrid, Londres… Mas o ataque de Paris vai para além dos homicídios: alguém quis matar a liberdade de expressão – é verdade que uma forma muito própria (atenção que Salman Rushidie na última edição do Expresso tem razão quando afirma que “a arte da sátira foi sempre a rama da liberdade contra a tirania”) de expressão.

4. Em jeito de conclusão (impossível em situações extremas como a da semana passada em França) talvez não seja exagero reproduzir o que o semanário Expresso (15.01.10) faz dos anonymos: “declaramos-vos guerra, terroristas. A liberdade de expressão sofreu um ataque desumano. É nosso dever reagir”.
Para mim, mesmo já não exercendo esta bela profissão que é o jornalismo, só posso sublinhar: “a liberdade de expressão sofreu um ataque desumano”. Por que terão os jornalistas de virar as costas uns aos outros como se vai vendo por aí?

Olhar do silêncio

Haverá, entre nós, quem apregoe a moral de que o riso e o risível são falsos prazeres, experimentados pela multidão medíocre de homens. Acontece que não se elimina o riso eliminando o livro, o jornal, o pensamento.
Afonso Camões, Jornal de Noticias, 15.01.08

Caminhos para a prisão

Caminhos para a prisão – como gosto desta capa com foto de Miguel Oliveira! – é um livro que parte da tese de doutoramento da Sílvia Gomes.
Porque – confesso, sem medos, ainda não o li e por razões da grande proximidade que tenho com a autora – não emitirei neste texto uma opinião pessoal sobre o livro, ou melhor sobre o seu conteúdo.
Transcreverei um excerto do texto que Francisco Teixeira da Mota publicou no jornal Público (15.01.09): “o mundo prisional é uma realidade que se encontra escondida debaixo do tapete social. Normalmente, a sociedade prefere não saber o que se passa nas prisões, ignorando a vida dos seus habitantes”.
Ah! Gostei muito do texto que o Correio do Minho publicou na última quarta-feira. E sublinho o título da peça jornalística – de mãos dadas com o que escreve Teixeira da Mota: “exclusão social potencia crimes nos grupos étnicos”.