segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Bonecos fora de mão

A rua Paio Galvão, em Guimarães, é, nos dias que correm, o melhor exemplo do que não deve ser uma cidade que aposta tudo nas pessoas e as pretende cativar para horizontes mais altos – tipo cidade verde ou apostas para a pessoas viverem harmoniosamente.
A rua Paio Galvão em Guimarães é um excelente teste à paciência dos peões, ou seja, as pessoas, os cidadãos.
É um abuso ter um boneco – do tamanho de pelo menos uma pessoa – de cinco em cinco metros, a obstruir a passagem de pessoas.
Por estes dias eu não gostava nada de passear um bebé num carrinho ou dar uma volta a um idoso com dificuldades de mobilidade. Pelo menos, na rua Paio Galvão em Guimarães não o faria.
A não ser que a rua não tivesse trânsito automóvel.

Mercadorias da moda

Leio no fim-de-semana: “já despachei os presentes de Natal”.
Sei muito bem quem o afirmou, mas não interessa nada para o caso. O que interessa é o que vale esta afirmação. Se dúvidas houver basta sublinhar o verbo utilizado: despachar.
Que tal ver no dicionário o que significa?
É esta a ideia de natal que os tempos que correm nos dão, não é?
É bem feito! Enquanto continuamos com a mania de que não temos que pensar e agir, aquilo que as figuras públicas – tenham elas a dimensão que tiverem – nos transmitem é que vale.
Que bom que é estar bem connosco e não ficar a olhar às parvoíces feitas slogans da moda que por aí abundam.

domingo, 14 de dezembro de 2014

pouco menos que uma lenda

que raiva percorre as tuas veias; o teu olhar
incendeia os caminhos. ali onde se faz
a noite. nós ficamos. as tuas veias

sangram; ausências. sonoras
as dores, que raiva! a percorrer os corpos
amanhã iremos. outra vez curar
as feridas. veias
secas. caminhos redondos. paralelos

o futuro? já foi!

sábado, 13 de dezembro de 2014

Realidade bela em Guimarães

Aquela coisa parva, barulhenta e sem sentido que há tantos e tantos anos entrava pelas casas dentro e entupia os ouvidos dos vimaranenses a que, pomposamente alguns chamavam de animação de natal, morreu.
Finalmente!
Sinto-me um pouquinho ‘culpado’, mas extremamente feliz. Afinal, já não há ruídos parvos e coisas a que chamam música a sair dos cantos, recantos e esquinas da urbe vimaranense.
E fico ainda mais feliz com a novidade deste ano: música, teatro e dança dizem aos vimaranenses que a animação de natal só tem que ser inteligente e tocar no essencial: as pessoas.
Obrigado ao dono da ideia de “sons com tons em Guimarães”.
Há tanta coisa linda por cá. Até o silêncio e o sossego criativos.
Esperamos todos pelas surpresas que darão outro colorido na cidade.
A não ser que iluminações atropelem as pessoas.

E agora matamos?

Há coisas tão distantes entre si que, de repente, se parecem tão próximas das realidades que nos matam todos os dias. Há verdades que só quem anda permanentemente distraído é incapaz de não perceber.
Repare-se no que Pedro Santos Guerreiro escreveu (Expresso, 14.12.06): “quando falamos de corrupção e de negócios de extração de valor, falamos de foras de lei e de foras da ética. Poucas pessoas repararam mas três bancos foram forçados pelo Banco de Portugal a deixar de o ser”.
Ou nesta ideia defendida por Sílvia de Oliveira (Dinheiro Vivo, 14.12.06): “Angel [Merkel] é, indiscutivelmente, o rosto mais evidente das políticas económicas erradas e ineficazes que têm governado a Europa nos últimos anos”.

Cá, entre barreiras, lá, sobre barreiras, a coisa é sempre a mesma…
E a seguir o que fazemos?