quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Geminações e parecerias

Da geminação das cidades de Guimarães com Dijion – Tantas geminações! – dizem-nos que poderá nascer a potenciação ou construção de uma cultura europeia nos mais novos
Quem sabe!

A ideia das geminações sempre passou um pouco por aí, mas depois de uma capital europeia que uniu tantas e tantas realidades, pensava eu que isso de geminações era coisa do passado.
Parece-me que estou desatualizado.
Mas, nem por isso, deixo de vincar: há internacionalizações – é só olhar à volta – que se esvaíram totalmente. Outras que nunca se perceberam.

Dores transversais

Nem sempre o que nos vai na alma é explicável por palavras; nossas. Umas vezes só os silêncios o explicam. Muitas vezes, há quem leia outras dores que atravessam a alma. E use as palavras certas. No momento certo.
Por isso, por agora, e com a devida vénia, uso as palavras dos outros.

1. 126 mil desistem de procurar trabalho por trimestre A cada três meses, 15% dos desempregados passam a inativos.
Expresso (Economia), 14.11.08

2. Ao contrário do que afirmam os economistas ultraliberais, a sociedade não se constrói à semelhança de uma pirâmide que funcione fazendo com que quanto mais dinheiro chegue aos do topo, mais dinheiro corra para baixo, para ser distribuído pelas outras camadas da pirâmide, uma a uma até à base.
António Pinto Ribeiro, Ípsilon, 14.11.07

3. Em parte da UE há este descrédito; a promiscuidade entre os poderes fez o egoísmo institucional afastá-los [políticos e instituições] do cidadão. (…) há 2000 anos os romanos disseram que não nos governamos, nem nos deixamos governar. Mas o que fizeram os partidos, senão convidar os euroromanos para nos comandar?
Jack Soifa, Público, 14.11.07

4. O mundo não está interessado em resolver questões de longo prazo como a falta de água ou as alterações climáticas. E com o crescimento do terrorismo e dos fundamentalismos por todo o mundo, pode dizer-se que a terceira guerra mundial já começou.
Jacques Attali, no World Business Forum, que teve lugar em Milão há uma semana, in Revista, 14.11.08

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Que vergonha a pobreza envergonhada

foto: oconquistador
Há mais pobreza em Guimarães?
A realidade social dos tempos que correm é igual, pior ou melhor do que (pelo menos) há 80 anos?
A mim parece-me pior. Mas não vivi nesses tempos. E apoio-me nas palavras de José Castelar, presidente da valência da rua de Donães, do Lar de Santo António, que com a crise vêm-se mais pobres envergonhados.
A verdade é que se continua a existir uma casa dos pobres é por que ela faz sentido.

Onde está o dinheiro?

Escreve Samuel Silva (Público, 14.11.06) que “será um banco a ajudar a pagar a reforma da torre de menagem e adarve do castelo de Guimarães”.


Curioso; a assinatura do protocolo, na última quinta-feira, dia 6, ter tido lugar na torre da menagem!

O resto é uma realidade que trespassa as realidades de muitos países.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Já só faltam as correntes

Na edição de outubro do Le Monde Diplomatique (edição portuguesa) Sandra Monteiro assina um texto – “Avaria o Estado” – que mata em definitivo o desejo de ser feliz; o desejo de acreditar num futuro justo para cada cidadão.
Numa extraordinária análise da realidade portuguesa aquele texto começa por tirar o sono ao leitor, quase de imediato: ”o atual disfuncionamento da sociedade é uma consequência previsível” daquilo que a Europa deseja, na medida em ele advém “da transformação estrutural imposta pela austeridade, pela dívida, pela arquitetura europeia e monetária”. E não tem dúvidas: “avariar o Estado é um elemento central deste empreendimento”.

E como se avaria o Estado? Muito simples: “através dos cortes de financiamento e das transferências de recursos, isto é, com políticas de desinvestimento público, degradação do Estado Social, ataque ao mundo do trabalho e canalização dos recursos aí gerados para o sistema financeiro”.

E trará vantagens para o futuro?
Nem pensar. Desde logo porque este “avariar o Estado”, o que faz é prosseguir “a desvalorização interna, a aposta num país com salários tão baixos que possa competir com todas as indignidades laborais que outros conseguiram impor aos trabalhadores”. Algo que “nas mentes” destes avariadores do Estado “há de levar ao fim do modelo atual de Segurança Social e ao alargamento do mercado dos seguros privados”.

E a cereja no cimo do bolo deste texto: “as mais eficazes avarias do Estado, ou os melhores arranjos pessoais e negócios privados, fazem-se discretamente. De alguns até há noticias como acontece com o «caso Tecnoforma» ou o «caso BES».
Por fim, “avarias o funcionamento do Estado é fácil: corta-se, transfere-se, destrói-se e desrespeita-se a vida da maioria dos cidadãos”.

E nós cidadãos indefesos gostamos de ouvir notícias sobre este tipo de avarias no sofá. Enquanto temos! Por que por este andar não falta muito tempo que sentamos o traseiro em pedras húmidas ou dormimos em camaratas onde de vez em quando libertam os gases.