terça-feira, 11 de novembro de 2014

Já só faltam as correntes

Na edição de outubro do Le Monde Diplomatique (edição portuguesa) Sandra Monteiro assina um texto – “Avaria o Estado” – que mata em definitivo o desejo de ser feliz; o desejo de acreditar num futuro justo para cada cidadão.
Numa extraordinária análise da realidade portuguesa aquele texto começa por tirar o sono ao leitor, quase de imediato: ”o atual disfuncionamento da sociedade é uma consequência previsível” daquilo que a Europa deseja, na medida em ele advém “da transformação estrutural imposta pela austeridade, pela dívida, pela arquitetura europeia e monetária”. E não tem dúvidas: “avariar o Estado é um elemento central deste empreendimento”.

E como se avaria o Estado? Muito simples: “através dos cortes de financiamento e das transferências de recursos, isto é, com políticas de desinvestimento público, degradação do Estado Social, ataque ao mundo do trabalho e canalização dos recursos aí gerados para o sistema financeiro”.

E trará vantagens para o futuro?
Nem pensar. Desde logo porque este “avariar o Estado”, o que faz é prosseguir “a desvalorização interna, a aposta num país com salários tão baixos que possa competir com todas as indignidades laborais que outros conseguiram impor aos trabalhadores”. Algo que “nas mentes” destes avariadores do Estado “há de levar ao fim do modelo atual de Segurança Social e ao alargamento do mercado dos seguros privados”.

E a cereja no cimo do bolo deste texto: “as mais eficazes avarias do Estado, ou os melhores arranjos pessoais e negócios privados, fazem-se discretamente. De alguns até há noticias como acontece com o «caso Tecnoforma» ou o «caso BES».
Por fim, “avarias o funcionamento do Estado é fácil: corta-se, transfere-se, destrói-se e desrespeita-se a vida da maioria dos cidadãos”.

E nós cidadãos indefesos gostamos de ouvir notícias sobre este tipo de avarias no sofá. Enquanto temos! Por que por este andar não falta muito tempo que sentamos o traseiro em pedras húmidas ou dormimos em camaratas onde de vez em quando libertam os gases.

As obras quando nascem não são para todos

Não sei se concordo com Torcato Ribeiro, o vereador da CDU na câmara de Guimarães, quando afirma que o “aperto de cinto” da autarquia presidida por Domingos Bragança “é uma estratégia de formiga que está a tentar amealhar capital que poderá ser ‘solto’, digamos, no período eleitoral”. Desde logo porque, sendo verdade em muitos municípios, ali juntinho aos atos eleitorais, se veem mais placas ao alto de obras públicas no terreno do que paragens para passageiros, a verdade é que em Guimarães, basta olhar em redor todos os dias para não notar grande aumento no número dos ditos adornos.

No entanto, estou em sintonia com o vereador da CDU numa coisa: “existem obras orçamentadas ao longo dos tempos que vão ficando pelo caminho e sendo atrasadas”. E o pior é que essas obras tocam sempre aos mesmos. Ou melhor, às mesmas freguesias. Aos mesmos espaços. Às mesmas instituições. E, no caso destas, nem todas têm direito a visitas presidenciais.

E Espanha aqui tão perto

O novo partido que em Espanha ameaça a hegemonia bipartidária da história da democracia espanhola é uma manifestação organizada em oposição a uma tecnologia governamental e uma organização do Estado que derivam de uma transformação do regime democrático em regime oligárquico alargado.
António Guerreiro, Ípsilon, 14.1107

E as balas de todos os dias?

Passos só não alcança meta do défice se os russos continuarem a obrigar caças a gastar tanto gasóleo para correr com eles.
O Inimigo Público, 14.11.07

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Será mesmo?

A locação do Avepark vai ser das poucas que vão ser financiadas, diz Manuel Castro Almeida, secretário de estado do desenvolvimento regional.
Jornal de Noticias, 14.10.25

foto: mca.pt

Segundo o jornal Público (14.10.259 o “Governo diz que há mais fundos da UE para norte e centro”. Na peça da responsabilidade de Margarida Gomes, fica-se a saber que a estas palavras de Castro Almeida, o governo a que pertence, “jamais prescindiria da participação forte das autarquias na elaboração dos regulamentosespecíficos dos programas operacionais”, ou seja, “é evidente queas autarquias vão ter um papel importante na preparação de regulamentos”.

Como diriam os putos de há uns anitos: que fixe!
Hoje, mais crescidinhos, eles não acreditam que os números do futuro para o norte; sim para Guimarães, sejam “números à prova de bala!”, como diz Castro Almeida.

Por mim, peço desculpa, mas também deixei há muito a expressão “que fixe!” até porque ainda não acredito nos apoios da União Europeia na ligação ao Avepark.