sexta-feira, 7 de novembro de 2014

olhar do silêncio

imagem: politicaabrincar.com
A democracia, a igualdade e a liberdade estão em causa. (…) há uma divisão entre a direita e a esquerda sobre a natureza destes desafios, que passam pelo reconhecimento da deliberação e participação cívicas, sociais e pessoais.
Francisco Teixeira, Público, 14.10.26

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Bater com a mão no peito?

Francisco, o papa que acaba de ter uma (parece-me mais aparente) pequena derrota dos barões vaticanistas, a propósito da afirmação da Família – com maiúsculas e sem mais conotações – é um homem inteligentíssimo. Uma pessoa que não tem dúvidas de que a pena de morte (tenha ela a forma, os meandros e as estupidezes pintadas de ideais religiosos que tiver) é uma violenta parvoíce, daí que o líder dos católicos não hesite: é “inaceitável para um cristão apoiar a pena de morte.

Como este Homem é inteligente! E sem papas na língua.

É curioso como esta afirmação tão importante do papa Francisco que agita a igreja católica quase não teve eco em Portugal.

Não é só pena; é sintomático dos pretensos religiosos que conduzem os nossos destinos. 
Ah! é só exibição dominical.
Bem me parecia.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Usar (e abusar) (d)as pessoas

foto: vitaefratrumordinispraedicatorum.blogspot.pt
Depois dos cristos de Nova Huta, Burgos, Estreito e Viana do Castelo, hoje olho para o meu Cristo partido. Encontrei-o dentro de um cesto do lixo na cidade de Guimarães. Já não tinha cabeça nem braço esquerdo.
Jesus Amaro, Contacto SVD, outubro 2014

1. Torcato Ribeiro disse – já lá vão uns dias, bem sei, mas o assunto é sério –, que não é da competência da câmara “a organização deste tipo de eventos” de “ritual religioso. Daí que o vereador eleito pela CDU lamente que a câmara de Guimarães “tenha substituído a diocese – será arquidiocese, não? – de Braga na organização de um encontro religioso e católico”.
Refira-se que Torcato Ribeiro estava a falar de uma eucaristia que teve lugar no pavilhão multiusos de Guimarães com idosos do concelho. Uma grande encenação que só alguns entendidos entenderam.

2. Para além do facto democraticamente normal, ou melhor, de ação democrática, de uma qualquer câmara ou junta de freguesia se dever abster, em absoluto, de participar, incitar ou promover concentrações de duvidosa utilidade pública, importa vincar que ali no multiusos esteve muita gente que não foi tida nem achada (sublinhe-se porque a coisa é muito séria: pessoas que não tiveram decisão na sua participação) para entrar no autocarro que rumou a Guimarães, mais concretamente ao pavilhão pago com dinheiros dos contribuintes.
foto: vitaefratrumordinispraedicatorum.blogspot.pt

3. Infelizmente conheço de perto uma ou outra situação de pessoas que, não só adornam procissões na freguesia, porque sim!, ou fazem figuras estranhas em cortejos que nem elas sabem para que são, como não têm memória de lhes ter sido comunicado para onde iam quando as mandaram entrar no autocarro ao sair do seu espaço de repouso na velhice.

4. Não será, de certeza, por o cristo do multiusos de Guimarães estar mais completo que os outros cristos que os idosos mudam de local de culto.

Olhar (local) do silêncio

foto: upmagazine-tap.com
“Desejos de abril” de Graça Morais “foram feitos à mesa do café Óscar, um estabelecimento histórico de Guimarães.
Jornal de Noticias, 14.10.25

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Democracia em voz alta

O mundo é um espaço sempre estranho; quase sempre sem sentido, tantas e tantas vezes uma roda onde ninguém se entende; porque não quer.
Se, por exemplo, olharmos para o que aconteceu no passado dia 23 de outubro em que os todo-poderosos (serão mesmo?) senhores do Conselho da Europa fizeram de conta que se preocupavam com as alterações climáticas, o que vimos? “divisões põem em causa papel da UE na luta contra alterações climáticas”.

Que novidade! Numa peça de Ricardo Garcia e Ana Brito (Público, 14.10.24), percebemos como a Europa é uma treta. E “recuperar a liderança” das questões que matam o planeta – isto é, que nos tiram a vida – é algo que Bruxelas faz de conta que quer fazer; isto depois do enorme falhanço de 2009, na cimeira climática de Copenhaga.

Se eu fosse politico diria isto: quero lá saber que os gajos cheguem a acordo! Quando o caos chegar eu já fui.

Eu sou apenas humano e de uma forma violentamente dorida digo: meus filhos; peço-vos desculpa pelo caos em que vos deixo.