domingo, 26 de outubro de 2014

fogo dos dias que correm

a chama cresce, o fogo ateia
a dor. crepita
salta de pranto em pranto
a dor arde; em cada chama
madura saída dos braços
das labaredas. vamos deixar
que as chamas cresçam?

se a tua voz destoa das vozes
do todo
por que teimas em morar
no todo?

ah! as partes do todo
são toda iguais. e as chamas
purificam-no queimando
pedaços impuros!

sábado, 25 de outubro de 2014

Ontem já sabíamos

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) disse ao candidato pela coligação de direita “juntos por Guimarães”, André Lima, que se devia “abster de na véspera do dias das eleições publicar conteúdos propagandísticos”.
Até que enfim! Tardou, mas os senhores que deviam fiscalizar tudo o que às eleições em Portugal diz respeito, foram contundentes: o líder laranja tem que ouvir; ler, sentir, acalmar e esperar.

Mais comentários? Agora eles não importam nada, os eleitores de Guimarães já disseram tudo. E muito antes da CNE.

É curioso a forma como os eleitores leem as coisas mais simples. E não arquivam nada, por via das dúvidas.

O jogo dos jogos

Sites de informação postam título para terem mais cliques: “Este professor foi colocado em apenas UMA escola. Não vai acreditar no que acontece a seguir”.
O Inimigo Público, 14.10.24

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Olhar (local) do silêncio II

[A gestão de Domingos Bragança] Instituiu a descentralização, implementando reuniões públicas nas freguesias, desconstruindo o modelo herdado, muito mais fechado, laboriosamente urdido.
Torcato Ribeiro, Mais Guimarães, outubro de 2014

Execução sumária

Faz sentido beneficiar as famílias que ganham mais e as empresas que lucram no mesmo orçamento em que se corta metade dos apoios aos pobres?
Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 14.10.18
foto: www.ntgospel.com
Que pergunta!
E quando, infelizmente, nos dá tudo para vincarmos estas palavras de Fernando Madrinha (Expresso, 14.10.18) – “a mais importante reforma do Governo é o sorteio dos automóveis das Finanças” –, nos leva a perceber bem depressa que há no governo de Pedro e Paulo quem faça de conta que sabe governar; que naquela espécie de governo onde até a estúpida estupidez que coloca professores onde, de seguida, o engano os atira para as cercanias de uma outra terrinha deste país, sem “rei nem roque”, onde até uma criança da primária – ainda será assim que se diz depois de tantas e tantas alterações de Crato? – percebe que o que ontem era uma bela realidade, hoje é uma valente dor de cabeça; estamos falados.

Com as dores que não param da matar a alma, até me perdi no raciocínio.
Perdão!
Socorro-me, por instantes, das palavras de Manuel Carvalho da Silva (Jornal de Noticias, 14.10.18):”a União Europeia impõe-nos graves condicionalismos, mas o OE 2015 não tinha que ser seguidista”.

A seguir, havemos de perceber que “basta o orçamento para ficarmos deprimidos”. Mesmo que, afinal, o OE ”seja uma pequena gota num mundo carregado de tempestades e com promessas de algo assustador” (Henrique Monteiro, Expresso, 14.10.18).

E quando lemos Manuel Carvalho da Silva (Jornal de Noticias, 14.10.18) “o OE para 2015 é, sem dúvida, o Orçamento da continuidade de estéreis políticas de austeridade e da confirmação de que este Governo impôs e continuará a aprofundar”.
Ou o Editorial do Público, 14.10.17: “numa altura em que a carga fiscal suportada pelos portugueses está em máximos históricos, é quase de mau gosto subir mais impostos, sejam verdes ou de outra cor qualquer”.