domingo, 14 de setembro de 2014

à noite sem horas

queria tanto a felicidade
da noite; ausência apressada
das horas dolorosas. queria
tanto o desejo calmo
da noite; certeza quente
da ausência das horas.

queria tanto viver
nas realidades feitas crenças
de identidade, afirmação
motivação de um corpo para além do corpo.

queria tanto estar
onde não estou; viver a felicidade
da noite. o seu desejo permanente:
ausência de horas.

sábado, 13 de setembro de 2014

Guimarães lidera o Ave

Os concelhos do vale do Ave são os que, na região do minho, mais contribuem para os fundos que garantem que os reformados e os inválidos deste país sem respeito pela memória e por quem lutou para que o presente chegasse onde está vão tendo algum dinheiro. Por muito pouco que seja! É, afinal, aqui na região do Ave, que se regista o maior equilíbrio entre “o deve e o haver” da caixa registadora de um país sem norte, uma vez que 175.562 contribuintes ajudam 97.388 pensionistas e reformados.

O vale do Ave já foi região de bandeiras negras; ainda não está bem, mas os indicadores sobre o que nos espera são francamente melhores do que a realidade de muitos e muitos locais deste país à deriva. Com uns senhores que se limitam a passar a letra de forma o que o capitalismo selvagem manda.

Sem vaidade de vimaranense – até porque gostava que tudo fosse bem melhor –, Guimarães é “o concelho com melhor rácio entre contribuintes e reformados”.

Acertar o rumo


O PCP, de quando em vez – principalmente quando não ousa fazer dos seus vizinhos “os outros” –, tem preocupações que deviam unir as pessoas que gostam de olhar o futuro com seriedade.
Registo, porque o PCP é um partido com atenção importante ao poder local, uma preocupação do seu líder: Jerónimo de Sousa não considera “como definitivamente arrumado o processo de reorganização administrativa que levou à extinção de mais de mil freguesias”.

Como gostaria que estivéssemos mais vezes do mesmo lado da luta!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Adeus, com tristeza

Já quase todos nós sentimos na pele dos nossos familiares que está cada vez mais difícil ser velho.
Agora é a ARS Norte que vem a público reconhecer que o distrito de Braga precisa de mais 434 camas.

Numa reportagem do Joaquim Martins Fernandes o Diário do Minho (14.08.30) escrevia que as 23 unidades do distrito de Braga que integram a Rede Nacional de Cuidados Integrados da Saúde “estão sem capacidade de resposta para as solicitações crescentes” que todos os dias aparecem.

Não quero antecipar bruscamente o futuro – nem nunca tive atributos de adivinho –, mas aposto que não tarda muito, não faltam lugares.
Pagos a peso de ouro. Em “coisas” que ainda não sabemos o nome.
Privadas.

Olhar do silêncio II

Seguro disse mais coisas,
com mais convicção e de forma mais fluida
do que um sonolento Costa.
João Miguel Tavares, Público, 14.09.14

Olhar do silêncio

Também na política, o essencial são as pessoas e a proximidade dos responsáveis à realidade.
Rui Reis, mais guimarães, setembro 2014

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Mania de manter as convicções acesas

Tenho em mim os meus rostos anteriores, como a árvore tem os anéis da sua idade. O que sou é a soma de todos esses rostos. O espelho só vê o meu rosto mais recente, mas eu conheço todos os anteriores.
Tomas Tranströmer
1. Eu, pelo menos, fui assim educado; sempre estive convencido de que – no mínimo – é falta de educação invadir um espaço privado. Tenha ele e forma ou caracterização que tiver.
Daí que, não duvidando nem um pouco de que o futuro se orienta para nós, sou peremtório: há momentos em que temos que sair do palco; não nos deixarmos empurrar. Afinal, a arte do eterno só pode ser uma ilusão para quem não conhece as portas da redenção. Por isso, o importante mesmo é ser-se! Se percebemos isso, não só não andamos por aí a arrastar-nos em cenas tristed – feitos cavaleiros da salvação – como amanhã a porta de saída será solene.

2. Podemos percorrer caminhos novos, mas o que importa é sair de nós; em busca de uma estrada nova – aventura forte através da rota do nosso olhar.
Morto. Antes de avançarmos.

3. Ainda há muitas pedras no caminho e vamos continuar a caminhar com a indiferença? Não te parece que chegou a hora de entramos na estrada da ousadia?

4. Nunca escreverei para adolescentes, nem para políticos que avancem à deriva!