domingo, 7 de setembro de 2014

cidade que morre em cada noite

quando ontem subimos a rua apressada a cidade
estava vazia. não havia silêncio; vivia-se silêncios
as agitações exageradas dos dias fingidos morrem.
tudo faz sentido fora de muros.
a vaidade fica tão esbatida; entre pazes e as vozes
finas das paredes, esquecidas noutros dias.
quando ontem entramos na cidade
senti vontade de a namorar; ficar
abraçado à sua luz suave. tão distante da vaidade de outros dias
beijar com a sofreguidão do silêncio tantas e tantas vezes ausente

quando ontem entramos na cidade sentimos o desejo atávico de olhar, não foi?

sábado, 6 de setembro de 2014

Marco António

Marco António Costa criticado no PSD porque a acusação de o PS ser uma ‘oposição cristalizada, imobilista e retrógrada’ estava guardada para ser atirada ao CDS.
O Inimigo Público, 14.09.05

Portugal com a espada nas costas

Novas regras incham PIB com droga mas duplicam recessão da troika.
Título, i, 14.08.30
O meu país, aquela pátria à beira mar plantada e onde o sonho cresce em cada olhar dos poetas é uma selva. No comando dos seus destinos perdeu-se o controlo dos dias; mataram-se todos os desejos e experimentam-se todas as encenações macabras.
No meu país – que, temo, não seja mais o futuro dos meus – o “emprego: está a aumentar, o que é ótimo. Mas quase dois em cada três contratações das empresas estão a ser subsidiadas pelo Estado”. (Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 14.08.30)

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Olhar (local) do silêncio

As formas humanas estão um pouco por toda a bienal de arte têxtil contemporânea Contextile, em Guimarães. Mas há quem tenha procurado um ponto extremo no contato entre o corpo e os tecidos.
Samuel Silva, Ípsilon, 14.08.22

Portugal? Está lá no fundo


foto: ganha-facil.com
Quando se lê no editorial do semanário Expresso (14.08.30) que “a caixinha de milagres de São Bento é muito parca de imaginação”, fica-se a pensar no que será um país cujo governo vai tentando tudo para não mostrar a dimensão do buraco no barco que devia estar a dirigir: a seguir, já todos sabemos, é o naufrágio.

E até apetece dizer, por instantes, que os senhores que fazem editoriais em jornais parece que só gostam de pegar com o povo.

Pura ilusão! Desde logo, e como salienta Pedro Marques Lopes (Diário de Noticias, 14.08.31) “dada a incapacidade de conseguir governar de acordo com o texto constitucional, lá veio o Governo apresentar o seu oitavo Orçamento Retificativo. Um verdadeiro recorde”.
Ou seja, o país está de tal ordem que “se o Passos de 2011 encontrasse o Passos de 2014, arrasava-o” (Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 14.08.30)

Será que Ana Bacalhau (Noticias Magazine, 14.08.31) tem razão quando escreve: “dizem que não devemos olhar o Mal nos olhos, porque ele nos fica a conhecer e nos deixa mais vulneráveis à sua vontade”?

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Eles comem tudo…

A vida ordinária tem má imprensa, sobre ela recai um inalterável descrédito, como se vivêssemos a achar que é no outro lado que está o que nos falta.
José Tolentino Mendonça, Revista, 14.08.30

Há realidades que se transversais a toda a nossa vida.
E então na vida político-partidária! Basta olhar para a contenda partidária em curso no nosso país.

Ah! o mundo de quem observa não é o mundo de quem é observado.

Já não se olha para o outro

[A tia Matilde] no mercado de Guimarães era amada e temida. Tanto enchia de nabiças o saco dos pobres como de estalos a cara dos atrevidos. Pelo bem dava a camisa. Pelo mal, dava luta.
José Maria Cardoso. Contacto/svd, julho/agosto

Preocupação demasiado séria: segundo o Eurostat os números da pobreza não param de crescer entre os jovens. E, numa década, há um aumento de 22% para 30%; (na população entre os 20 e os 24 anos) da pobreza.
Como é possível que, nós, os mais velhos, estejamos impávidos e serenos a olhar para esta realidade tão dramática? Não devíamos ser como a tia Matilde?

Percebe-se, pois, estas palavras assertivas de Luís Pedro Nunes (Revista, 14.08.30): "a cidade não está preparada para o silêncio. Cada vez mais se atravessa a rua a escrever SMS. Os turistas andam de telemóvel ligados ao GPS no meio da passadeira. Tive que começar a usar a voz, o assobio e o insulto para os afastar”.