sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Olhar (local) do silêncio

As formas humanas estão um pouco por toda a bienal de arte têxtil contemporânea Contextile, em Guimarães. Mas há quem tenha procurado um ponto extremo no contato entre o corpo e os tecidos.
Samuel Silva, Ípsilon, 14.08.22

Portugal? Está lá no fundo


foto: ganha-facil.com
Quando se lê no editorial do semanário Expresso (14.08.30) que “a caixinha de milagres de São Bento é muito parca de imaginação”, fica-se a pensar no que será um país cujo governo vai tentando tudo para não mostrar a dimensão do buraco no barco que devia estar a dirigir: a seguir, já todos sabemos, é o naufrágio.

E até apetece dizer, por instantes, que os senhores que fazem editoriais em jornais parece que só gostam de pegar com o povo.

Pura ilusão! Desde logo, e como salienta Pedro Marques Lopes (Diário de Noticias, 14.08.31) “dada a incapacidade de conseguir governar de acordo com o texto constitucional, lá veio o Governo apresentar o seu oitavo Orçamento Retificativo. Um verdadeiro recorde”.
Ou seja, o país está de tal ordem que “se o Passos de 2011 encontrasse o Passos de 2014, arrasava-o” (Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 14.08.30)

Será que Ana Bacalhau (Noticias Magazine, 14.08.31) tem razão quando escreve: “dizem que não devemos olhar o Mal nos olhos, porque ele nos fica a conhecer e nos deixa mais vulneráveis à sua vontade”?

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Eles comem tudo…

A vida ordinária tem má imprensa, sobre ela recai um inalterável descrédito, como se vivêssemos a achar que é no outro lado que está o que nos falta.
José Tolentino Mendonça, Revista, 14.08.30

Há realidades que se transversais a toda a nossa vida.
E então na vida político-partidária! Basta olhar para a contenda partidária em curso no nosso país.

Ah! o mundo de quem observa não é o mundo de quem é observado.

Já não se olha para o outro

[A tia Matilde] no mercado de Guimarães era amada e temida. Tanto enchia de nabiças o saco dos pobres como de estalos a cara dos atrevidos. Pelo bem dava a camisa. Pelo mal, dava luta.
José Maria Cardoso. Contacto/svd, julho/agosto

Preocupação demasiado séria: segundo o Eurostat os números da pobreza não param de crescer entre os jovens. E, numa década, há um aumento de 22% para 30%; (na população entre os 20 e os 24 anos) da pobreza.
Como é possível que, nós, os mais velhos, estejamos impávidos e serenos a olhar para esta realidade tão dramática? Não devíamos ser como a tia Matilde?

Percebe-se, pois, estas palavras assertivas de Luís Pedro Nunes (Revista, 14.08.30): "a cidade não está preparada para o silêncio. Cada vez mais se atravessa a rua a escrever SMS. Os turistas andam de telemóvel ligados ao GPS no meio da passadeira. Tive que começar a usar a voz, o assobio e o insulto para os afastar”.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Olhar de merceeiro

Corte no Estado Social foi mais profundo em Braga.
Correio do Minho, 14.08.27
A população dos 14 concelhos do Baixo Minho foi a mais penalizada dentro dos portugueses que não param de sofrer as agruras do governo de Pedro e Paulo, com a diminuição dos apoios sociais aplicados pelo governo, escreve o jornalista Joaquim Martins Fernandes no Diário do Minho.

O mesmo jornalista acrescenta que o número dos inscritos no Rendimento Social de Inserção (RSI) no Centro Distrital da Segurança Social “desceu para um novo mínimo histórico”.
O Minho tem dirigentes muito sui generis.
Infelizmente quem mais ajuda à morte destes portugueses da região é de Guimarães. Grr!

É nestas alturas que valorizo ainda mais as palavras de um dos escritores portugueses que mais aprecio, Gonçalo M. Tavares: “o estúpido é um inteligente parado, alguém que administra pensamentos com a balança do merceeiro”.