quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Já não se olha para o outro

[A tia Matilde] no mercado de Guimarães era amada e temida. Tanto enchia de nabiças o saco dos pobres como de estalos a cara dos atrevidos. Pelo bem dava a camisa. Pelo mal, dava luta.
José Maria Cardoso. Contacto/svd, julho/agosto

Preocupação demasiado séria: segundo o Eurostat os números da pobreza não param de crescer entre os jovens. E, numa década, há um aumento de 22% para 30%; (na população entre os 20 e os 24 anos) da pobreza.
Como é possível que, nós, os mais velhos, estejamos impávidos e serenos a olhar para esta realidade tão dramática? Não devíamos ser como a tia Matilde?

Percebe-se, pois, estas palavras assertivas de Luís Pedro Nunes (Revista, 14.08.30): "a cidade não está preparada para o silêncio. Cada vez mais se atravessa a rua a escrever SMS. Os turistas andam de telemóvel ligados ao GPS no meio da passadeira. Tive que começar a usar a voz, o assobio e o insulto para os afastar”.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Olhar de merceeiro

Corte no Estado Social foi mais profundo em Braga.
Correio do Minho, 14.08.27
A população dos 14 concelhos do Baixo Minho foi a mais penalizada dentro dos portugueses que não param de sofrer as agruras do governo de Pedro e Paulo, com a diminuição dos apoios sociais aplicados pelo governo, escreve o jornalista Joaquim Martins Fernandes no Diário do Minho.

O mesmo jornalista acrescenta que o número dos inscritos no Rendimento Social de Inserção (RSI) no Centro Distrital da Segurança Social “desceu para um novo mínimo histórico”.
O Minho tem dirigentes muito sui generis.
Infelizmente quem mais ajuda à morte destes portugueses da região é de Guimarães. Grr!

É nestas alturas que valorizo ainda mais as palavras de um dos escritores portugueses que mais aprecio, Gonçalo M. Tavares: “o estúpido é um inteligente parado, alguém que administra pensamentos com a balança do merceeiro”.

Pesadelo gelado

Passos toma banho gelado e nomeia dez milhões de contribuintes.
O Inimigo Público, 14.08.29

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Diferenças

O discurso europeu olha para a cultura cada vez mais e apenas no sentido do seu valor económico. Mas depois o que acontece é a redução sistemática dos orçamentos para a área.
Jean-François, atual, 14.08.30
Escreve o jornalista Joaquim Martins Fernandes no diário bracarense Diário do Minho (14.08.27) que as cidades minhotas de Guimarães e Braga estão nos “três municípios que mais investiram em cultura e desporto” em Portugal, entre os anos de 1995 e 2012.
É excelente!
E só ter ‘por cima’ Lisboa, que pela sua dimensão - não espanta -, o tamanho orçamental, é sinal de diferença: de fazer diferenças.

Guimarães está mais do que referenciada quer ao nível cultural quer ao nível desportivo. E - independentemente da importância que tiveram como marcas de excelência - nem sequer vale a pena trazer aqui e agora a CEC 2012 ou a cidade europeia do desporto, porque o que acontece regularmente em Guimarães já é a normalidade que os vizinhos seguem. E, já alguém reaprou?, sem pagar direitos de autor?

Daí que, como vimaranense, fique feliz com a mudança que vai acontecendo em Braga, desde logo, porque eleva a patamares importantes os cidadãos desta região.
E, por outro lado, no que concerne a Guimarães, fica claro que a ‘bota bate com a perdigota’, isto é, o discurso politico não está além da prática politica.

Olhar do silêncio

foto: publico.pt
Há cerca de 70 anos, a Europa despertava do pesadelo nazi levado a cabo em nome da superioridade rácica. Hoje o que se ouve são gritos de “Allah Akbar”. A burocracia da morte foi substituída pelo tumulto guerreiro, mas depois de Auschwitz ninguém terá perdão se desviar o olhar.
Ana Cristina Leonardo, atual, 14.08.30

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O que uma espada faz!

A revolta de um povo que viu o seu rei perder a espada.
Título do Diário de Noticias (14.08.31) sobre “jovem que partiu a espada da estátua do primeiro rei de Portugal”.

foto: miguel pereira (global imagens)
Há títulos que são um espanto!
E o pior é que cada vez mais se vai criando a ideia de que se pode fazer jornalismo à distância.

Rememorar é fundamental III

foto: publico (nelson garrido)
Para recordar, porque a memória é urgente.

Houve sempre uma certa Lisboa que tentou impedir a progressão de quem não pertencesse ao inner circle.
O país tem zonas de podridão. É preciso retirar o lixo porque, por baixo, existe um país fantástico.
Para algumas pessoas, no interior do PS, interessa é aquele que dá poder e o distribui.
António José Seguro em entrevista a Miguel Carvalho, Visão, 14.07.31