segunda-feira, 11 de agosto de 2014
domingo, 10 de agosto de 2014
Silêncio e tanta dor
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes.
Mário de Sá Carneiro
O barulho que percorre os dias que não param de nos agitar é tremendo. Violentamente agressivo. É um barulho que parte dos sítios mais violentos, porque despedidos da proximidade das pessoas. É um barulho que, à boa maneira dos pretensos donos da verdade, nasce no vazio da vaidade, da falta de respeito pelas mais elementares regras de vivência e convivência com o outro.
É um barulho que se faz de luzes efémeras – ignorantes da importância do detrás da cortina onde o palco se mantém aceso e com luzes ufanas.
O barulho que perpassa as realidades politicas e sociais é uma parvoíce. Bem ao jeito da opacidade de que se fazem os dias dos pretensos donos da verdade. O barulho que veste cada vez mais gente que não pensa, porque se acarneira nos gostos dos seus pretensos mestres, é – que tristeza! – a ilusão da politica onde os políticos fazem de conta que olham para os outros.
Que triste realidade o espelho lhes vai mostrando!
O barulho das horas que faltam até ao descalabro das ideias e das propostas sérias é – um infeliz Portugal que dorme, dorme e dorme – a realidade que mata o pensamento. A realidade onde os oportunistas esperam o lugar prometido.
O barulho violento que afasta as pessoas da beleza das coisas públicas é – infelizmente! – a violência das facadas nas costas.
Assim quem mais acredita na política?
já somos nós
entre o cruzar do nosso olhar
e o desejo
dos nossos corpos nasce um sorriso
ténue, espantado, agitado. sedento
demos as mãos. ao fim da tarde
simpática. vestida
de muitas cores sobre a água fria e salgada
e a esplanada. cala-se
olha. o sorriso sedento
dos nossos corpos.
o sol vai apagando
o fim de tarde. delicado
pasmado. ansioso
pelo cruzamento completo do nosso olhar
as mãos que nos deram o mar
ao fim de tarde. já se uniram.
e o desejo
dos nossos corpos nasce um sorriso
ténue, espantado, agitado. sedento
demos as mãos. ao fim da tarde
simpática. vestida
de muitas cores sobre a água fria e salgada
e a esplanada. cala-se
olha. o sorriso sedento
dos nossos corpos.
o sol vai apagando
o fim de tarde. delicado
pasmado. ansioso
pelo cruzamento completo do nosso olhar
as mãos que nos deram o mar
ao fim de tarde. já se uniram.
sábado, 9 de agosto de 2014
Fátima quer ser ‘uma praia da alma’ *
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Estavam os pastorinhos a pastorear muito sossegados quando avistaram no cimo de uma azinheira uma senhora que vestia um manto azul de estrelas muito brilhantes. Intrigados e, claro, um pouco assustados, aproximaram-se devagarinho da azinheira e puseram-se a olhar para cima para a senhora que estava pousada na árvore. Um deles, mais afoito, ouso dirigir-lhe a palavra. Perguntou-lhe “Quem és tu?”. A senhora sorriu, com um sorriso benigno e complacente, e disse. “Sou a Nossa Senhora e venho trazer a verdade ao mundo!”. Ao ouvir aquelas palavras, o segundo pastorinho deu uma cotovelada para o lado e comentou: outro marxista!”.
Ana Cristina Leonardo, atual, 14.05.17
O mundo ao contrário?
* Título do semanário Expresso (14.05.10)
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