quarta-feira, 16 de julho de 2014

Olhar literalmente centralista

Só no ano passado tive a perceção de que não conhecia bem a realidade do país. Vários anos sem sair de Lisboa ou a siar só pelo aeroporto dão nisto.
Ana Rosado, Sol, 14.07.11

Realidade de um país centralista?
Ou a confirmação de uma classe que domina sem sair da cadeira do comodismo?
Sim do comodismo.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Paisagem humana; viva e com sentimento

Eu sei que o povo de Gonça detesta parvoíces; odeia contumélias e ignora quem lhes bate nas costas para, de seguida, o tentar esfaquear.
Eu sei, muito bem, da humildade, simplicidade e carinho com que as pessoas de Gonça recebem quem vai até elas.
Mas sei também que em Gonça se odeia ou ama.

Não fico espantado, por isso, com a manifestação na última semana no Porto. E, estou certo, que o povo de Gonça não vai cruzar os braços á espera que certos iluminados façam de conta que olham o futuro. À custa da tentativa de fragilização de pessoas como os habitantes de Gonça.


Quem disse, em Santa Clara, que Crato, o ministro da destruição de uma parte de Portugal, estava certo?
Talvez não fosse má ideia subir até S. Miguel de Gonça e pedir desculpa.

Inércia? Portugal? Ui!

Parece que nesta história a Dona Inércia foi o Banco de Portugal.
Pedro Filipe Soares, in Público, 14.07.11

Olhando para os dias – outra vez violentos nas contas que ficam por pagar – que percorrem este Portugal cada vez mais sem rumo e sem norte – deparo com esta afirmação de Manuel Tavares (Jornal de Noticias, 14.07.12):


O BES viveu no centro de um vulcão bolsista que a dimensão de Portugal e do seu mercado bancário não justificariam em tempos de normalidade. Mas é de incertezas que vivemos, nós, a Europa e, feitas as contas, todo o mundo capitalista”.
Pois! Que país…

Fico a pensar no que Henrique Monteiro (Expresso, 14.07.12) escreve: “se é verdade que os pobres toda a vida viveram em crise, ao contrário da classe média que começa a senti-la há cerca de três ou quatro anos, parece que agora a crise chega aos ricos. Terá chegado?”.
E pergunto-me (tal como João Silvestre e Nicolau Santos (Expresso Economia, 14.07.12): e o “País está melhor?” Infelizmente, responde Angel Gurria, secretário-geral da OCDE: “Não há país sem pessoas”! *

O que lamento mesmo – tira-me o sono, palavra de honra que tira –, é que sou obrigado a dar razão (não é que não comungue dos seus pontos de vista, muito pelo contrário) a quem diz que “a sociedade portuguesa está a viver tempos de excesso de serenidade e de silêncios”.

* Espera! Pessoas? País de emigração? Não é o que António José Seguro não se cansa (infelizmente houve quem o tentasse travar; quem sabe pela indiferença com tais dores!) de alertar para este drama?

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Feira do futuro (que já anda por aí)

Num tempo em que se fala de tantos milhões de desfalque em banco e afins, a história de David Cunha [despedido no McDonnald’s da Rodovia em Guimarães] revela bem como o mundo é desigual e injusto. Bem precisa o papa Francisco de rezar contra a desumanidade da sociedade.
Vítor Rainho, tabu, 14.07.11
Por mim já decidi: não vou mais à rodovia.
Pois…
Pronto!, e ao Guimarães shopping, também não.

Mas atenção, não consta que o papa Francisco seja apreciador de fast-food. Muito menos de rezar sobre desigualdades e injustiças.
O que vamos sabendo é que o máximo responsável da igreja católica não só abomina desigualdades e injustiças, como não mostra ter medo das palavras para as denunciar.
É capaz de não ser má ideia dar-lhe mais atenção. Também em terras vimaranenses.

Já não há praias da alma

Uma máscara não serve só para esconder, muitas vezes também serve para revelar dimensões escondidas.
Josef Nadj, Ípsilon, 14.07.11
Escreve Viriato Soromenho Marques (Diário de Noticias, 14.07.11) que “mais tarde ou mais cedo, a zona euro vai ter que escolher entre encontrar um novo método para enfrentar a questão da dívida ou correr o risco de arriscar a implosão”.

Não só estou totalmente de acordo com esta afirmação, como considero urgente que todos nós europeus convictos nos questionemos se não foi essa a ideia que uniu os europeus trazendo (e perdoando dívidas fortemente violentas) à Alemanha para o seio de uma comunidade que queria crescer e ajudar quem mais precisava.