quarta-feira, 25 de junho de 2014

“Grande festa do teatro em Guimarães”

Pela qualidade e diversidade dos espetáculos que estiveram em palco nas duas semanas dos festivais Gil Vicente é sempre muito complicado falar de um espetáculo em particular. Mesmo assim ouso escrever que o primeiro, o de abertura e da sexta-feira, no palco do pequeno auditório em Vila Flor me marcaram. Entre um e outro não sei qual o maior. Mas há mais.

Demónios (de Lars Noren) é um texto! Violento, belo, verdadeiro, sem subterfúgios, realista. Extraordinariamente próximo de cada um de nós que temos a mania que só na casa dos outros é que há copos partidos ou pontas de cigarro pelo chão, frigoríficos plenos de bebidas estranhas… gente que nos parece bela e que é pior do que nós. E a interpretação dos quatro atores?

Impecável, tão verdadeira que dá raiva. Tão dramática que nos deixa pruridos. E o cenário simpaticamente tão ‘natural’ que pena uma peça destas não encher uma sala maior.
Pronto já disse o que penso sobre um dos espetáculos que mais me marcou nos festivais deste ano.
A Tempestade, além de abrir os festivais (um espetáculo Voadora – que pareceria esta coprodução do centro Cultural Vila Flor, XXX Mostra Internacional de Teatro de Ribadaria, Teatro galego! – e ouvir falar ‘português’ da Galiza soube tão bem!) foi algo de soberbo. E então se o senhor Shakespeare (bem sei que há ali “muitos elementos em comum entre o texto e a linguagem da companhia”) visse aquela maravilha dava-lhe alguma coisinha. É que alguma vez o senhor teria lata para entregar uma pizza numa ilha? Ah! A Tempestade foi uma estreia; em Guimarães.

O texto de Harold Pinter, Traições é excelente. A representação da companhia belga tg Stan, na Asa, foi um violento murro no estômago da nossa mania de que temos a mania que sabemos viver nas calmas e os outros é que são o mal. Se houver perfeição no teatro esta apresentação na black box esteve quase lá.
E vão três.

OZZZ mesmo que me tenha cabido em sorte entregar umas sopas “na casa”, foi para mim aquele que menos me prendeu. Por um erro crasso: não duvido do gozo que terá dado aos atores as viagens pelos sítios mais extraordinariamente diferentes do mundo, mas o vídeo, para além de demasiado grande, sem legendas foi uma valente seca. E sentado no chão só com as peúgas calçadas e o rabo frio fez aumentar o incómodo.

Tartufo, imponente. Sem dúvida! Talvez do cansaço, não aguentei e fui descansar antes do fim.

Não gostei de “na solidão dos campos de algodão” num texto de Bernard-Marie Koltés. Embora tenha visto uma encenação fabulosoa.


Há um novo Portugal a despertar

As palavras são para mim corpos tocáveis, sensualidade encorpada.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego


Ana Cristina Leonardo escreve (atual, 14.06.21) que «se é verdade que muitos homossexuais portugueses continuam escondidos no armário, segundo artigo publicado no “Público” os intelectuais de direita andam a sair de lá. A 1ª conclusão a tirar é que “homossexuais portugueses” e “intelectuais de direita não são uma e a mesma coisa».

Há quem, de repente e por pruridos que jamais entenderemos, se sente incomodado por perceber que adormeceu no sofá do tempo, há tanto, tanto tempo!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Falando a sério

Teatro Oficina 2014 Guimarães é uma publicação bela!
Com textos excelentes.
E com marcas dos momentos altos do Teatro Oficina.
Os reparos jornalísticos estão muito bons.
O papel (nos dias que correm começa a ser uma raridade) é excelente e o formato (não é o Expresso, não senhor!) dá um certo jeito na mão.


Em suma, e ficando sem palavras perante uma realidade tão bela, quem tem a ousadia de afirmar que em Guimarães não se valoriza as coisas boas da Cultura?

Vai linda a brincadeira *

Individuo tocou na TV enquanto António Costa falava e já curou o cancro.

Passavam 5 minutos das 23 horas de ontem, quando um individuo estava sentado no sofá, pisou acidentalmente o comando e mudou para o canal 5.
O Inimigo Público, 14.06.20


* quem será capaz de apanhar os cacos?

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Dignidade na viagem final

Já não é a primeira vez que leio que Torcato Ribeiro, o vereador da CDU na câmara de Guimarães, defende a criação de uma casa mortuária em Guimarães que não tenha símbolos religiosos.
É fundamental que tal aconteça. E não é por o vereador comunista o defender, não, é porque na morte todos somos iguais.

É verdade que o presidente de câmara recorda o que já acontece (e bem) em Creixomil, onde há um espaço para velar a memória dos que nos deixam, mas nunca é demais recordar que se não fosse a Sociedade Martins Sarmento, as cinzas de Emidio Guerreiro não teriam um espaço digno (com a dignidade que o Homem merecia) para serem veladas antes da sua viagem até à Atouguia.