segunda-feira, 23 de junho de 2014

Maldições e pragas

Há dias em que a minha beleza superdivina me esmaga com carapaça de chumbo.
José Gomes Ferreira, in Aventuras de João Sem Medo
foto:sicnoticias.sapo.pt
Manuel Carvalho da Silva escreve no Jornal de Noticias (14.06.21) que «os nossos governantes, políticos e palradores que nos dizem ser imperioso reduzir salários, pensões e direitos fundamentais, continuam a negar o fracasso absoluto destas politicas, ao mesmo temo que condescendem e protegem, de forma mais ou menos direta, os roubos, os negócios escuros e promíscuos presentes em “gestões competentes” de BPN, BCP e BES».

Caramba!
Eis o Portugal que tantos pretendem preservar.
Pelos vistos já não importa só se o azul e o laranja são as cores da moda que se elevam nas gestões competentes; há um certo tom de rosa que se desbota por aí à espera de vestir a beleza que esmaga com carapaças de chumbos.

Olhar do silêncio


foto: envolverde.com.br
Quando se deixa tudo ao livre funcionamento do mercado, ficamos com as convicções mas sem o investimento.
Nicolau Santos, Expresso (Economia), 14.06.21

domingo, 22 de junho de 2014

Mudar de olhar para não morrer

Eu sabia que, também por cá se agitavam ventos diferentes; eu sabia que por cá já andava há muito tempo gente a contar espingardas, inclusive quem já tivesse a contagem completa na mão; pronta a entregar na primeira bandeja promocional que se vende, não como o primeiro prato de lentilhas, mas na primeira tranche para continuar sem fazer nada na agitação dos dias, desde que a bajulação seja completa. Sabia mas não valorizava. Pela simples razão de que há festins que nunca são a minha festa preferida.

O café está sempre tão saboroso e a companhia dos meus amigos é bem mais importante do que todas as vaidades, que nem sempre valorizei as palavras dos meus amigos!

(É claro que os meus amigos continuam a ser meus amigos – era o que faltava se aqueles com quem me sento na mesma mesa, ainda que para um simples café, não fossem meus amigos, pessoas que fazem da integridade e da transparência o seu dia-a-dia!)

O que não quer dizer que não tenha que dar a mão à palmatória e passar a olhar com outro olhar tudo o que me rodeia. Sim, sim, também por cá! Onde também há quem diga de véspera o que nega (aos microfones) na manhã seguinte; onde também há quem sempre vestiu o balandrau de vénias bajuladoras, ornamentado com cores muito enviesadas.

E olhar de forma diferente implica, quase sempre, agir de forma diferente! Nunca me arrependi das mudanças que vou fazendo ao longo do meu caminho. Felizmente!

De uma coisa tenho que me convencer já: tenho que consultar imediatamente o meu oftalmologista.
E, pelo que vou sentido, não tarda, terei que procurar um otorrinolaringologista.
Sob pena de ter que mudar de ares. Ou não! Talvez se ficar onde sempre estive, isto é, de coração aberto ao bailado dos corpos, não tenha necessidade de falir nenhuma distância ou ficar refém no campo aberto da bajulação.

Confuso este texto?
Amanhã direi.

O café continua sempre tão saboroso e a companhia dos meus amigos é bem mais importante do que todas as vaidades que nem sempre valorizarei as palavras que vou ouvindo por aí!

na onda da fama

a tua namorada acabou de morrer!
sabes?
os cabelos loiros só endoidecem!
toda a gente adorou o espetáculo.

a tua namorada acaba de morrer; não quero
que tenhas um ataque de caos. uma boa limpeza
ajuda sempre. a verdade
é que não ia mudar muito. a tua namorada
morreu.

gostas da música? claro que gostas!
não vais pagar agora uns copos?
estamos prontos a marcar a hora, não estamos?
não exibas a tua namorada; depois do espetáculo
a noite ainda melhorou muito mais!
sabes? a anarquia é sempre sedutora!

a tua namorada está morta
pessoas parecidas andam juntas
precipitam desejos de liderança
navegam sempre ao largo; sem inovação

sábado, 21 de junho de 2014

Contas de cabeça

Segundo o Tribunal de Contasa grande maioria das câmaras municipais do distrito de Braga” entrou no bom caminho (pelo menos nos últimos três anos) no que à elaboração dos seus orçamentos diz respeito.
Pelos números revelados no seminário “as autarquias, as empresas municipais, os grupos públicos autárquicos e a estabilidade financeira” que decorreu nas instalações da Universidade do Minho, as câmaras de Amares, Barcelos, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vila Verde, Guimarães e Celorico de Basto foram as que tiveram maior “aproximação dos seus orçamentos à realidade”.

Ena! E Braga? E Famalicão? E Cabeceiras de Basto? E Vizela?
Ai! Tenho a sensação de que há por aí uns autarcas com muita conversa; vazia sem resultados à vista. Não podem ter contas de merceeiro, pois não?