segunda-feira, 9 de junho de 2014

Olhar no silêncio

Abomino que a política seja vista como mero passatempo. Lúdico ou uma forma simbólica de apunhalar o próximo. Penso que os mandatos – salvo em situações muito concretas – devem ser levados até ao fim. E em nome destes princípios, do meu ponto de vista, para a seriedade da política, Seguro teria o direito a disputar as legislativas sem contestação interna.
Henrique Monteiro, Expresso, 14.06.07

Dificuldades de audição


TC contrata intérprete de língua gestual do funeral de Mandela para explicar a Passos Coelho.
O Inimigo Público, 14.06.06

domingo, 8 de junho de 2014

O fim é o fim

Os primeiros sinais são muito claros; assustadoramente claros.
Eles deviam fazer pensar quem tem a mania de que pode fazer o que quer, como quer e como os (seus) interesses ditam: o PS, a continuar assim, a autodestruir-se como está desde o passado dia 26, ficará nas próximas eleições igual ou pior que ao PAOK, na Grécia; um partido que já teve responsabilidades governativas e que agora ninguém naquele país quer saber.

Esta balcanização do PS português, sendo muito, muito grave, serve na perfeição para confirmar os ditos populares: “quem tudo quer tudo perde”, e “não há guerra de mais aparato do que muitas mãos no mesmo prato”.

É claro que quando acontecer (espero que os resultados das últimas sondagens ponham ordem nos exageros) tal realidade, os pilharetes do futuro vão esconder-se como gatos sem garras quando as matilhas passam perto.
Fazendo de conta que o povo é parvo quendo diz que “a razão e a verdade fogem quando ouvem disputas”.

Depois de ti mais nada

hoje chorei; chorei olhando um corpo preso
entre salas, corredores e observação – que cara
maculada mãe! que vem a ser isso?
sei bem que sempre gostaste de ir
à frente – em frente; sem medos, pronta
a desafiar tudo – mas assim! toda pintada
de encarnado perdes a beleza
dos sorrisos que só tu tens!

(olha; olha as lágrimas não me deixam escrever)

e tu sorris. és mesmo pantanas; como a avó!
teimosa da vida. teu corpo já se soltou. caminhas
lentamente. finalmente! a noite foi longa! a casa é já ali.
no centro. foste recebida como rainha! descansa, mãe!
amanhã vou dar-te um beijo. mais outro
tantos que apaguem a tua dor.

olha lá mãe: por que tinhas que abraçar
o pai daquela forma?


Com uma semana de atraso; intencionalmente

sábado, 7 de junho de 2014

Pobreza na diferença


O dia 25 de maio na Europa não mostrou só que os partidos tradicionais estão esgotados (por desejosos do oportunismo que está muito para além da coisa pública e palco de esfaqueamentos fraticidas) disse – aberta, frontalmente e sem receio das palavras – que a ilusão do silêncio indiferente para saltar para o primeiro poleiro, a que alguns chamam de conveniência política, tem que chegar ao fim.

É verdade que mostrou outra realidade violenta: a Europa estampa-se já a seguir. Sem lideranças, sem ideias e sem capacidade para se libertar dos pesadelos mais tudescos que tudo esmagam.

Será que os oportunistas partidários e prenhes de interesses desaparecem depois?