quarta-feira, 4 de junho de 2014

É só a matar

Este [chumbo do Tribunal de Contas à Oficina, Tempo Livre e Fraterna] é o maior problema que tenho entre mãos e a maior dor de cabeça.
Domingos Bragança
Também eu – e estou certo que a totalidade dos vimaranenses – estou apreensivo com o que o fez o Tribunal de Contas. Com o futuro de Guimarães e com a falta de rumo de quem (lá longe) diz que sabe o que é a realidade de ao pé da porta. E estou solidário com a dor de Bragança. Não pela “maior dor de cabeça” do presidente da câmara de Guimarães, que obviamente não desejo, mas por estar a olhar para o vazio das cerca de 700 pessoas que ficarão à deriva, por culpa de um desemprego forçado por uma estapafúrdia decisão saída de um qualquer sonho (ou seria pesadelo?).
Sim, sim!; eu sei que estão em causa à volta de 250 empregos, mas se se fizer contas ao que são os agregados familiares…

E depois, sem falsos humanismos ou gestos solidários para televisão ver, a câmara de Guimarães vai fazer melhor do que quem trabalha, de perto e há tanto tempo, conhecendo a realidade e sabendo o que se faz, seja na Tempo Livre, Oficina ou na Fraterna?

A câmara até pode ter boa vontade, e tem com toda a certeza, mas só por curiosidade: como será que fará para gerir as horas extras de trabalho dos colaboradores nas noites de espetáculos em Vila Flor, por exemplo?
Com mais custos?

São horas de matar?

foto: publico.pt
A propósito do último disco da banda bracarense Mão Morta, para mim um dos melhores discos daquele coletivo, Adolfo Luxúria Canibal, o vocalista sempre de olho no que o rodeia, desdobrou-se em entrevistas no penúltimo fim-de-semana. Recordo as suas palavras, em dois meios de referência na cultura em Portugal.

Numa sociedade em que o desemprego é galopante, o medo imediato de qualquer assalariado é o de perder o emprego. Os portugueses não se afrontam porque têm medo – achamos que ficamos a perder se afrontarmos.” revista atual (14.05.23)
Parece que o nosso momento presente não é um momento de democracia representativa, mas um momento de primavera marcelista”.
A democracia portuguesa está ferida de morte, porque não tem mecanismos que a salvaguardem. Quando temos eleições que, chegando ao poder, desrespeitam completamente o mandato com que se propuseram governar e para o qual foram eleitos”.
Ípsilon (14.05.23)

Comentários?
Apenas continuar a ouvir com toda a atenção (se as dores que matam o país o deixarem) o “pelo meu relógio são horas de matar”.

Nota de rodapé: E o vídeo que promove o disco? Que trabalho todo à vimaranense! E o semanário Expresso ousou colocá-lo na descida? Não nos conhece. A nós vimaranenses que adoramos criação, aos bracarenses que tocam melhor do que nós, e aos minhotos que morrem em cada fechar de portas de um tal vimaranense que só está bem a fechar todas as torneiras. Cá no minho, vejam bem!

terça-feira, 3 de junho de 2014

Coisas que me tiram o sono II

O peso das fortunas privadas no início do século XXI parece estar na iminência de regressar aso níveis do século XIX.
Thomas Piketty, Expresso (Economia), 14.05.23

Na edição do semanário Expresso do dia 23 de maio pode ler-se: “desde os anos 80 que o capital engorda mais rapidamente do que a economia. Quem beneficia é a desigualdade, que não tem parado de aumentar e coloca Portugal nos primeiros lugares da Europa”.

Merda! Que raio de país é o meu que fica em casa quando podia mandar para aquele sítio que todos sabemos, os políticos – de cá e de lá – que só estão preocupados em abrir as portas à desilusão, ao caos e à miséria desde que eles estejam bem instalados?

Diz-nos a história (e não é assim tão antiga) que, a seguir, a dor esmagará tudo em volta.

Até me apetecia dizer: bem feito! Para os esquecidos (ou coniventes com a situação que fizeram de conta no penúltimo domingo que todos nós cidadãos desta miserável Europa estamos bem).
Mas não digo. Fico a lamentar que o mundo que sonhei para os meus filhos não só já não existe e está bem pior do que o que sonhava, como será de uma violência tremenda o que aí vem.

Coisas que me tiram o sono

foto: rr.sapo.pt
Dirigente da justiça vai a tribunal.
Expresso, 14.05.31

Há títulos que me assustam. Perdão!, que me despertam para o mundo real.

Daí que, voltando ao semanário Expresso, e lendo

«segundo a procuradora-geral da República, existem “apenas duas investigações no MP [Ministério Público] sobre negócios militares”»
ou seja e puxando o titulo da peça jornalística, “só há casos judiciais da época de Portas”, só posso afirmar:
Que país!
Que vergonha!
Assim não!

Quando mudamos de políticos?

Tão certo como a morte

Os políticos são eleitos para trabalhar em prol do bem comum, estar ao serviço dos outros e essa função é uma forma sublime de exercer caridade, aquilo que alguns designaram de «santidade politica».
Paula Oliveira, vereadora da ação social, fiscalização e contencioso, na câmara de Guimarães, contaco svd, maio/junho
Gosto desta bondade!
Tomara que toda a gente olhasse assim para a vida politica!