segunda-feira, 21 de abril de 2014

O desagrado é opção pouco etérea

Não percebo – sinceramente que não percebo! – o desagrado que o estudo encomendado pela câmara de Guimarães, sobre as festas nicolinas, causou ao PSD.
E nem sequer é por ter ouvido da boca de Domingos Bragança, na Plataformas das Artes, que a câmara a que preside tudo fará para inscrever as festas dos estudantes de Guimarães no Inventário Nacional de Património Imaterial; é mesmo porque não sou capaz de encontrar conteúdo nas palavras do líder laranja vimaranense: “aquele não era o momento nem o modo adequado para se fazer a divulgação das possíveis dificuldades”.
Não? Ouvi com muita a atenção a intervenção de André Lima na Plataforma das Artes no dia da apresentação do estudo e não lhe ouvi nem uma palavra nesse sentido. Terá havido alguém que ouviu?

Mundo estranho II

O culto das guerrilhas económicas e financeiras nunca poderá ser fonte de paz.
Bento Domingues, in Um mundo que falta nascer
1. Pedro Santos Guerreiro escreve um texto fabuloso no semanário Expresso (14.04.12) que, sejamos justos, só quem não quer entender é que continua a pensar que há seriedade na ajuda a Portugal.
Querem ver? “Gente, isto não é normal. Portugal com taxas de juro das mais baixas de sempre? A Grécia financiando-se em mercado apesar de uma dívida pública de 170% do PIB? O BCE a preparar uma injeção de moeda como se não houvesse amanhã? Mas que raio se está a passar na Europa?
É muito, muito, mas mesmo muito estranho! Algo impensável há uns tempinhos atrás. Mas isso, para quem gosta de andar sempre com certas cruzes vaidosas na mão, não nos deve espantar; pelo menos se tiverem lacinhos laranjas, azuis ou amarelos.

2. Acompanhando regularmente como acompanho o que Bento Domingues escreve não acredito que este sacerdote dominicano estivesse a pensar nisso quando escreveu: “o que importa é deslocar os olhos das pessoas para o mundo dos pobres, excluídos e marginalizados, denunciando as opções económicas e financeiras que aprofundam o abismo entre os pobres e a dominação de interesses incontrolados, a nível local e global”. (in Um mundo que falta nascer)

3. Nestes dias carregados de memórias sobre o Crucificado de Nazaré, observamos que a austeridade imposta aos sofredores de hoje encontra as mesmas causas de sempre: aqueles que para não abdicarem dos seus poderes e privilégio não hesitam em sacrificar no altar dos seus interesses os mais pobres e vulneráveis. (Manuel Carvalho da Silva, Jornal de Noticias, 14.04.19)

4. E ainda há quem estapafúrdia e parvamente faça questão de exibir em campanhas que só alguns percebem o alcance as refeições servidas aos pobrezinhos…

Mundo estranho

Maioria de direita na câmara de Braga ergue estátua ao socialista Salgado Zenha.
Título do Público, 14.04.18

Curioso!
E o PS na câmara de Braga ergueu estátua ao cónego Melo…

domingo, 20 de abril de 2014

Soma de diferenças


1. Quando olhamos do alto vemos a realidade; toda a realidade? Vemos a totalidade das coisas belas que circulam cá em baixo ou apenas as que as condições atmosféricas, as construções pomposas e as realidades mais cruas cá de baixo nos deixam ver?

2. Lá de cima, do monte de Santa Catarina, que Guimarães abraçam os nossos olhos? A Guimarães incendiada por luzes vistosas; as construções (aparentemente) mais perenes – ainda que com alicerces nunca testados – ou a Guimarães que os nossos olhos míopes ou com as lentes sujas conseguem observar?

3. A realidade não é o que tu queres ter na mão, mas o que te põem em cima da mesa dos teus olhos descontroladamente à procura de melhor visão.

       3.1. O culto; a manipulação de vontades e o desejo de eternidade não são, em nenhum momento, o caminho para a felicidade.

               (não consta que algum santo tenha saído dos seus dias e da sua simplicidade de olhar para as coisas cá de baixo para ser eterno)

4. Quando do alto da serra de Santa Catarina, deixarem que os olhares não se percam pelas fraldas da Penha e se percam na cidade; nos seus desejos e interiores, veremos o que faz do culto a manipulação da vontade? Veremos; pois claro!

Epílogo. Infelizmente eles estão em todo o lado. Até em Santa Clara; pelo menos de quinze em quinze dias. E aí fazem orações de bradar aos céus
      
             (não consta que algum santo tenha saído dos seus dias e da sua simplicidade de olhar para as coisas cá de baixo para ser eterno)

construtor de palavras

tenho uma supressa para ti; tantas
borboletas – vermelhas e brancas!
a noite está tão fria! os carros passam
derretendo o gelo. as motos evaporam-se
desfazendo interioridades vermelhas

tu és a dádiva; ao mesmo tempo
o dador. prometo nunca mais te levar
para além da liberdade do luxo; prometo
nunca mais trair a gentil angústia
que escorre ao encontro do nosso espirito.

prometemos um olhar solene
sobre o teu beijo; o teu peito geme
anda depressa! o ataque é proibido, sorri!
quero comer as tuas mãos. bom dia!

que beleza de cama! o teu corpo está quente
um quadro em frente ao espelho nós
em devaneios com a força de tempestade.
sabes? perdi todas as surpresas!