quinta-feira, 10 de abril de 2014

Quando havia fumo sem fogo

2014 poderá ser o início do “nós fazemos parte” de um projeto concelhio, onde a cidade seja uma referência e o restante concelho não se limite a suportar os custos dessa referência, escreveu no seu editorial (Reflexo de abril 2014), Alfredo Oliveira.

Sem problemas de qualquer natureza – mesmo quando das Taipas me vão chegando mensagens simpáticas – percebo as palavras do Alfredo. Aceito-as, com naturalidade. Elas denotam um conhecimento da realidade social da sua terra de adoção (somos conterrâneos, importa frisar). Merecem pois – e, por via das dúvidas – a minha concordância. Desde logo, porque é bom antecipar o futuro e o atual poder na vila termal já percebeu que nada tem a ganhar com guerras de alecrim e manjerona.

Mas, atenção, meu caro Alfredo!, isso não quer dizer que subscreva a tua afirmação: “neste momento, a cidade [de Guimarães] entrou em velocidade de cruzeiro. Com intervenções pontuais, manterá, sem grandes sobressaltos, o nível que alcançou à custa de projetos inovadores mas também muitos milhares de euros”.

As afirmações da semana

1. Sócrates e o PS têm toda a razão quando dizem que Passos e o PSD quiseram (e conseguiram) o chumbo do PEC 4 para haver eleições.
Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 14.04.05



2. Se tivesse um pingo de vergonha, o PSD nunca mais pronunciava o nome BPN.
Miguel Sousa Tavares, Expresso, 14.04.05

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Jogo de sombras pronto a acabar

Que existe uma relação direta entre a cultura material e artística e o dinheiro é uma verdade tão ancestral quanto a criação do objeto moeda, combinação magistral dessa ligação.
António Pinto Ribeiro, Ípsilon, 14.04.04
No editorial da edição de abril do boletim do Cineclube de Guimarães pode ler-se que “apesar de perder o seu protagonismo anterior, os cineclubes desempenham um papel determinante na descentralização cultural, na formação de públicos e na oferta de uma alternativa cinematográfica e cinéfila fundamental para uma cidadania plena”.


O Cineclube de Guimarães é, sempre foi, uma referência no que à participação dos cidadãos vimaranenses na coisa pública diz respeito. Umas vezes mais que outras, como é evidente, mas sempre a marcar a agenda e a memória das realizações culturais em Guimarães. Basta olhar, até pode ser de forma descontraída, para as grandes marcas que perduram na memória cultural coletiva em terras de D. Afonso.

Mesmo que a “relação direta entre a cultura material e artística e o dinheiro” possa fazer sentido, a verdade é que não deve ser fácil poder usufruir em qualquer parte do país, ao preço a que se pode (e deve, já agora!), ser associado do cineclube vimaranense. E ver cinema de qualidade. E, claro, participar nas mais diversas ações que esta associação sempre tem para oferecer às pessoas.

Vale a pena confirmar com a presença pessoal numa das várias sessões (e não só) mensais como “cidadania plena”.

Salvar Portugal

1. Durão Barroso alertou Constâncio 3 vezes para o BPN e Constâncio alertou 4 mil vezes Barroso de que não havia armas de destruição massiva no Iraque.
oInimigo Público, 14.04.04
Até aprece um título sério!
Infelizmente, Durão Barroso tudo tem feito – a começar por aquela cimeira estúpida nos Açores – para que não seja levado a sério. Desde logo, dada a seriedade das fragilidades políticas e estratégicas que foi deixando enquanto português! Cá; como primeiro-ministro. E lá – depois e agora; quase no fim, é certo! – com tudo o que nos mata a cada instante.

2. “Dez anos depois de ter trocado o governo do país pela presidência da Comissão Europeia e de ter vivido como protagonista uma das maiores crises no seio da União, Durão Barroso ensaia o regresso à política portuguesa convicto de que o processo tem pernas para andar”, escreve a jornalista Ângela Silva na última edição do semanário Expresso. Apesar dos fantasmas que promoveu numa cimeira evasiva e com objetivos nunca esclarecidos. Apesar da dor que não para de outorgar aos cidadãos de Portugal. Não, não podem ser seus concidadãos!

3. Em suma, e como muito bem salienta Pedro Silva Pereira em entrevista na última edição do semanário Expresso as palavras proferidas por Durão Barroso ao mesmo semanário e na semana anterior foram “em primeiro lugar, uma entrevista de branqueamento em relação ao falhanço do governo e da troika”. Já agora, vale a pena olhar para o que Pedro Santana Lopes afirma na peça jornalística de Ângela Silva: “vai ser das maiores campanhas de charme de que há memória”.

4. Haverá algum português, mesmo distraído, que acredite numa única palavra do antigo primeiro-ministro de Portugal?

terça-feira, 8 de abril de 2014

Grande a grande e fica-se mais pequeno

1. O que é Guimarães nos dias que correm?
Nada. E tudo.
É uma cidade que, como todas as cidades, vilas e freguesias deste país à deriva; segue à procura de ultrapassar os tremendos entraves que Passos, Portas e seus pares no distrito não param de colocar; aposta, investe e ousa.
O que é Guimarães no norte nestes dias que nos esmagam?
Uma aposta séria no desenvolvimento, na diferenciação criativa e na abertura de novas realidades que possam – temos que começar, infelizmente!, a usar termos destes – minorar as dores das pessoas.
O que é Guimarães aqui; no seu contexto territorial?
Ora, ora; é Guimarães. Sempre solidária; sempre pronta a dar a mão. Uma realidade que tudo faz para contrariar os entraves de Passos, Portas e seus pares.

2. Há tempos, que já lá vão, uma realidade sempre olhada com outros olhos, era Guimarães; era só Guimarães.
Hoje é uma das belas realidades do minho, do norte e de Portugal.
Há alguém que ouse dizer o contrário?

3. Será por isso que Ricardo Rio faz tudo para imitar Guimarães?
Ricardo Rio sabe muito bem – sejamos práticos – que a realidade minhota já não existe porque o minho já não cabe no desenvolvimento que se faz a norte do Douro. E isso faz doer umbigos; vaidades, tentativas de centralidades forçadas – ainda que suntuosamente centralizadoras de outras vontades e ações.
Viva, portanto Guimarães.

4. E, já agora, nunca fui pessoa muito boa a acreditar em milagres. O trabalho tem dado muito melhores resultados que todas as velas no altar das nossas insignificâncias. Mesmo que eles tenham ares encantadores. E pareçam sorrir em certos fóruns pomposos!