sexta-feira, 21 de março de 2014

Ideias elásticas

 
1. O medo dos mercados não pode servir ao primeiro-ministro para tentar impor ao país um discurso único: o seu.
Fernando Madrinha, Expresso, 14.03.15

2. Podemos, é claro, acabar com o SNS [Serviço Nacional de Saúde], para pagar a dívida. Ou acabar com a escola pública. Ou com as Forças Armadas. Ou com todas as penões de reforma.
Miguel Sousa Tavares, Expresso, 14.03.15

3. Para gerir a dívida nas regras atuais, são precisas duas coisas: ritmos de crescimento e saldos orçamentais como nunca tivemos; e manutenção, se não agravamento, das restrições orçamentais.
Augusto Santos Silva, Jornal de Noticias, 14.03.15

A máquina infernal que vende o governo em todo o lado também lê jornais?
E lá vamos cantando e rindo?

quinta-feira, 20 de março de 2014

Há sempre alguém que puxa por nós

Um bom gestor de uma empresa está sempre a tentar renegociar as suas dívidas. Mas o mesmo não serve para o país.
Ricardo Reis, dinheiro vivo, 14.03.15

Agitou-se o país. Até os super entendidos em coisa nenhuma vieram para a ribalta – quase sempre em hora do café depois do jantar – falar em coisas profundas que só eles entendem. Saídas das profundezas de uma alma cega. Ou da obscuridade de um umbigo partidário.
Mas, como escreve Manuel Carvalho da Silva (Jornal de Noticias, 14.03.15) o Manifesto pela restruturação da dívida já valeu muito pela agitação que desencadeou no pântano das inevitabilidades. Agita-se Passos Coelho e seus ministros, agitam-se os Catrogas, agitam-se candidatos da Direita ao Parlamento Europeu, agita-se a Comissão Europeia e até se agita o funcionário do FMI que esteve na troika há poucos meses.

Quando assim é, algo está a mudar na mentalidade bem pensante! Nos dias que ferem e matam cada vez mais. Por isso, manda o bom senso que se olhe para o tal documento dos setenta portugueses que resolveram mostrar que nem tudo é um caos que “um Manifesto de oito páginas não é, nem pretende ser, um programa de Governo. Foi um exercício minimalista e inteligente de sintonização de alguns ideais transversais aos mais diversos setores da sociedade portuguesa e de explicitação de graves preocupações amplamente reconhecidas e partilhadas” (Pedro Bacelar de Vasconcelos, Jornal de Noticias, 14.03.15)

Por que será que mais pessoas, pensantes, claro!, com obra publicada e referências para além das saias da Alemanha, vêm a público dar razão ao Manifesto que 74 portugueses tornaram público?

quarta-feira, 19 de março de 2014

Dias de cólera


Tal como a China, a Rússia está a redescobrir a sereia do nacionalismo antiocidental.
Henrique Raposo, atual, 14.03.15

terça-feira, 18 de março de 2014

Reaprender a viver

Filmar a própria morte, no contexto de uma guerra, não salvará quem a filma, mas poderá impedir, no futuro, a morte de outros.
Cristina Margato, atual, 14.03.01
Joaquim Azevedo, consultor do Conselho Pontifico das Comunicações Sociais, escrevia há dias (14.02.19) que “a dita sociedade de informação é também a sociedade do encolhimento, do enviesamento e da desinformação”. E acrescenta que “os medos são agora explorados à exaustão pelos media e isso faz com que o real, os casos concretos e pessoas concretas não existam”.

Entre o filmar da própria morte e a exploração pelos medos que destroem as pessoas – concretas, pois claro! –, não acredito que alguém seja capaz de encontrar nos dias que correm motivos de felicidade. Seja onde for.
Calma! Motivos para atribuir à realidade que nos cega as razões de felicidade, devia ter acrescentado.
Sim!, no futuro todas as mortes já estão filmadas. E, afinal, é mais do que urgente percebermos que assuntos de família não morrem. Nunca. Nem mesmo nos ardores incontroláveis da pressa do imediato. Sim!, do direto.
Sim, no futuro todas as mortes já estão registadas.
Prontinhas a colocar na nuvem que nos invade com o spam malévolo.
 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Onde estão Magno e a ERC?

Luis António Santos, a propósito dos “40 anos de liberdade de imprensa”, escreve no página 1 de hoje um texto fabuloso sobre a realidade da imprensa em Portugal. É de leitura obrigatória para quem se preocupa com as questões da liberdade, do jornalismo e da falha estrondosa do órgão presidido por Carlos Magno, um órgão que devia estar sempre a olhar para o que se passa no campo da comunicação em Portugal e que, por artes que só alguns conhecem, é um fantasma.


Destaco, com todas as vénias, este excerto: “O Estado (alguém sabe da ERC?) não quer estar em aldo nenhum e onde está por obrigação (RTP) faz tudo para se por de fora. Além disso (alguém sabe da ERC?) assiste sem pestanejar não apenas à entrega do controlo de grupos mediáticos nacionais a interesses estrangeiros, mas sobretudo, à concentração (alguém sabe da ERC?) desse poder num núcleo restrito de pessoas com ligações a um dos 25 regimes políticos mais corruptos do planeta (segundo a organização Transparency Internacional)”.